Retomada da economia

Apesar da pandemia, indústria pernambucana poderá fechar 2020 com resultado positivo, segundo o IBGE

Ano foi marcado por altos e baixos no setor, com quedas bruscas nos principais meses da pandemia, mas apontando para estabilidade ao longo do ano

JC
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Publicado em 08/10/2020 às 18:54
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MARLON DIEGO/DIVULGAÇÃO
RESULTADOS Indústria foi um dos setores que mais desempregou no Estado; agro e comércio também recuaram - FOTO: MARLON DIEGO/DIVULGAÇÃO
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O ano foi de altos e baixos para a indústria pernambucana. A atividade começou janeiro e fevereiro com produção em crescimento, mas logo chegou a pandemia do novo coronavírus e derrubou fortemente a produção em abril e maio. Depois sinalizou recuperação em junho e julho e voltou a cair em agosto. Apesar do sobe e desce, o setor aponta para uma tendência de estabilidade e poderá até encerrar o ano com resultado positivo, segundo análise de especialista do IBGE. Nesta quinta-feira (8) o Instituto divulgou o resultado da produção física regional da indústria, mostrando que o Estado teve queda de 3,9% em agosto, na comparação com julho, mas cresceu 10% em relação ao mesmo mês do ano passado, no acumulado do ano está estável em 0,9% e nos últimos 12 meses tem uma discreta queda de 0,3%. 

A gerente de Planejamento e Gestão do IBGE em Pernambuco, Fernanda Estelita, analise que o setor industrial começa a entrar em recuperação e voltar ao patamar de fevereiro, na pré-pandemia. "E como se a partir de agora começasse o ano do setor.  A gente vinha de um bom momento em janeiro e fevereiro aí deu uma queda muito brusca nos três meses seguintes, quando o isolamento social foi mais restritivo, e depois disso começou a dar uma crescida expressiva. Como trabalhamos em comparação ao mês anterior, chegamos em agosto com um acúmulo de crescimento e sem fôlego para crescer tanto. Mas não quer dizer que a gente esteja num momento ruim. É possível imaginar que o ano pode encerar com resultado positivo", acredita.

Embora Pernambuco tenha apresentado queda em agosto sobre julho, na comparação com igual mês do ano passado, o Estado teve o melhor resultado do País, com um avanço de 10%. O desempenho foi puxado, em grande parte, pelas atividades de bebidas (cervejas, chope e aguardente de cana-de-açúcar), de produtos alimentícios, de produtos de minerais não-metálicos, de produtos de borracha e de material plástico e de metalurgia. O resultado está, positivamente, na contramão do Brasil, que teve queda de 2,7%.  

As áreas da indústria com taxas positivas mais expressivas em agosto deste ano em comparação ao mesmo mês do ano passado foram a Metalurgia (26,4%), a fabricação de bebidas (22,7%), a fabricação de produtos de borracha e material plástico (21,4%), a fabricação de produtos de minerais não-metálicos (20,8%). A fabricação de produtos alimentícios também apresentou alta de 8,3% frente agosto de 2019, e também teve a maior taxa tanto no acumulado do ano, com aumento de 17,1%, quanto no acumulado dos últimos 12 meses, com 10,3%.

"A gente começa a alcançar uma estabilidade e se a conjuntura e a situação de saúde não piorar, a tendência é de uma melhora maior. No acumulado do ano estamos só com -0,3%, ou seja, com perspectiva de retomada. Neste período, o crescimento mais significativo foi da indústria alimentícia com 17,1%, resultado de uma mudança de perfil do consumo, com as pessoas comendo mais em casa", detalha Fernanda.

BRASIL

No acumulado de janeiro a agosto, 12 dos 15 locais pesquisados no País tiveram queda na produção industrial, ficando de fora apenas Rio de Janeiro (2,4%), Goiás (1,8%) e Pernambuco (0,9%). Já as maiores reduções foram observadas no Espírito Santo (18,9%), Ceará (14,8%) e Amazonas (13,7%). 

CONFIRA COMO SE COMPORTOU A INDÚSTRIA DE PERNAMBUCO 

Janeiro - 4,6%

Fevereiro - 5,1%

Março - (-6,5%)

Abril (-20,1%)

Maio - (-23,4%)

Junho - 3,3%

Julho - 10,1%

Agosto - (-3,9%)

COMPARAÇÕES 

Ago 20/jul 20 - (-3,9%)

Ago 20/ago 19 - 10,0%

Acumulado jan/ago - 0,9%

Acumulado 12 meses - (-0,3%) 

Fonte: IBGE

José Paulo Lacerda/CNI
MUDANÇA Indústria de alimentos cresceu 17,1% no acumulado de janeiro a agosto, numa demonstração de mudança do perfil do consumidor, que passou a comer mais em casa - FOTO:José Paulo Lacerda/CNI

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