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Em dezembro, a inflação do País ficou em 1,35% e a do Recife em 1,6%

O IPCA revelou que a inflação do Recife foi maior do que a nacional também no acumulado do ano. O Brasil teve uma alta de 4,52% e o Recife um acumulado de 4,66%

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Publicado em 12/01/2021 às 16:44
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THIAGO LUCAS/ ARTES JC
JC-ECO0113_INFLACAO-papel-01 - FOTO: THIAGO LUCAS/ ARTES JC
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A inflação continuou em alta em dezembro último. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do País em dezembro subiu 1,35%, ficando 0,46 ponto percentual acima dos 0,89% de novembro, segundo informações divulgadas nesta terça-feira pelo IBGE. Foi a maior variação mensal desde fevereiro de 2003 (1,57%) e o maior índice para um mês de dezembro desde 2002 (2,10%). O IPCA da Região Metropolitana do Recife (RMR) aumentou 1,6%, sendo quase o dobro do maior índice mensal registrado no ano que foi 0,82% em outubro último. Em 2020, o IPCA do Brasil alcançou 4,52%, contra os 4,31% registrados em 2019. No Grande Recife, o acumulado do ano ficou em 4,66%, sendo a quinta maior inflação entre os 17 locais pesquisados.

>> Alta do preço das carnes puxa inflação em novembro, diz IBGE

O IBGE confirmou algo que o consumidor está sentindo no bolso, quando vai ao supermercado. Entre os grupos pesquisados, alimentação e bebidas apresentou a maior variação (14,09%) e o maior impacto (2,73 ponto percentual) sobre o IPCA acumulado do ano, encerrando 2020 com uma variação acumulada no ano de 19,47%, sendo a maior desde dezembro de 2002.

 

Ainda na média nacional, os nove grupos pesquisados tiveram alta em dezembro, com destaque para habitação, que apresentou o maior impacto (0,45 ponto percentual) e a maior variação (2,88%) no índice do mês. A segunda maior contribuição veio de alimentação e bebidas, com alta de 1,74%. Na sequência, vieram os transportes com uma variação de 1,36% ficando próxima à do mês anterior (1,33%). Juntos, os três grupos mencionados representaram 80% do impacto total de dezembro.

RECIFE

Ocorreu uma elevação de preços em oito dos nove grupos pesquisados na Região Metropolitana do Recife. Somente educação apresentou uma queda de -0,01%, que é considerada estável. No último mês de 2020, o maior reajuste ocorreu no setor de habitação que registrou uma alta de 3,70%. "Foi a maior alta do ano neste grupo, que subiu também por causa da bandeira da energia elétrica vermelha. Ainda no Recife, as passagens aéreas subiram 44% o que impactou o setor de transportes. Também subiu o preço da gasolina por causa da alta do petróleo no mercado internacional", resume o supervisor de Levantamento de Preços do IBGE no Recife, Enildo Meira de Oliveira Júnior. O setor de transportes subiu 2,4% em dezembro último no Recife e o aumento das passagens na capital pernambucana foi o maior entre todos os lugares pesquisados.

Ainda de acordo com o IBGE, a área de alimentos e bebidas deixou de ter a maior inflação entre os grupos pesquisados em novembro de 2020 para ocupar o terceiro lugar em dezembro, com avanço de 1,67%. No entanto, foi o setor que apresentou a maior alta no acumulado do ano, de 13,66%. "Os alimentos e bebidas continuaram aumentando puxados pela alta do dólar, como por exemplo as carnes, o milho e a soja, embora tenham subido num patamar menor do que em novembro", explica Enildo. A valorização da moeda norte-americana fez os produtores exportarem mais os produtos citados.

No mês passado, os outros segmentos que apresentaram alta no Grande Recife foram: vestuário (1,28%); artigos de residência (0,84%) - incluindo móveis, utensílios domésticos, aparelhos eletrônicos e serviços de conserto/manutenção -; saúde e cuidados pessoais (0,71%); despesas pessoais (0,32%) e comunicação (0,22%).

Na inflação de dezembro, os maiores reajustes ficaram com a passagem aérea, seguida por transporte por aplicativo com um reajuste de 19,5% e depois vieram os seguintes produtos: alface (13,23%), o melão (11,56%) e a maçã (10,42%).

As quedas de preços registradas em dezembro ficaram com a reforma de estofados (10,10%), comparando com novembro. Na sequência também apresentaram recuos: o fígado (-7,28%), o alho (-6,64%), a macaxeira (-5,3%) e o seguro de veículo (-5,11%).

No acumulado do ano, o óleo de soja foi o grande vilão da inflação no Recife com um aumento de 104,40% entre janeiro e dezembro de 2020. Em seguida vem o arroz com uma alta de 70,12%. E o tomate ficou em terceiro lugar com uma alta de 62,66%.

O IPCA

O índice indica a inflação às famílias com renda de um a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte, e abrange dez regiões metropolitanas, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e Brasília. Para fazer o cálculo do índice de dezembro último, os pesquisadores comparam os preços coletados entre 28 de novembro e 29 de dezembro de 2020 (referência) com os vigentes entre 28 de outubro e 27 de novembro de 2020 (base).

 

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O preço do tomate registrou uma alta de 62,66% em 2020 na RMR, de acordo com o IBGE - FOTO:MARCELO APRÍGIO/JC
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PESOU No Recife, o maior reajuste ocorreu no setor de habitação, puxado pela bandeira vermelha na conta de luz - FOTO:ANDRÉ NERY/ACERVO JC IMAGEM

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