ANÁLISE

Estaria a Ford seguindo os passos da Jeep no Brasil?

Opção da marca americana por vender no Brasil apenas carros de maior valor agregado pode demonstrar estratégia para aumentar margens de lucro.

Edilson Vieira
Edilson Vieira
Publicado em 12/01/2021 às 22:39
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Mesmo ficando entre os cinco carros mais vendidos do País em 2020 o Ford Ka saiu de linha para dar lugar a modelos importados de luxo - FOTO: Divulgação
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“A Ford quer ser a Jeep no Brasil”, brincou o consultor automotivo Alexandre Costa em relação ao novo posicionamento da marca no País. Costa diz que a Ford está pagando por erros estratégicos recentes, como não renovar sua linha de utilitários esportivos, os famosos SUVS que dobraram a participação no mercado nos últimos anos, e não investir em novas tecnologias como caros híbridos e elétricos.

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O consultor analisou os números recentes da Fenabrave, federação que agrega as revendas de veículos novos, e concluiu que a Ford vai apostar em carros com maior valor agregado, apesar de seus modelos mais populares estarem relativamente bem posicionado nas vendas. “Entre os 50 carros mais vendidos no Brasil, em 2020, a Ford teve três modelos. O EcoSport, na 23ª. posição; o Ka Sedan, na 20ª posição e o Ka hatch, no quinto lugar. São exatamente os três que deixaram de ser fabricados e vendidos aqui”. Costa explica que o bom posicionamento dos carros entre os mais vendidos não significa necessariamente um bom retorno financeiro.

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NÚMEROS

“Olhando bem, entre os dez carros mais vendidos no Brasil, no ano passado, estão três SUVs. Dois deles são da Jeep. São carros com valor acima de R$ 100 mil e que juntos somaram mais de 110 mil unidades vendidas. A Ford deve ter percebido que com apenas uma fábrica no País e dois modelos (Renegade e Compass), a Jeep consegue se posicionar entre os dez mais vendidos com produtos de maior margem de lucro”, diz o consultor.

Para Costa, o caminho encontrado pela Ford de enxugar a estrutura e focar em SUVs importados é apenas uma estratégia, com um desafio grande por trás: a melhora do pós vendas e o desenvolvimento de tecnologia. “A concessionária Ford, a longo prazo, vai deixar de atender o consumidor mais popular e passar a trabalhar com produtos premium. Será preciso satisfazer esse novo consumidor. Mesmo porque o mercado será ocupado, cada vez mais, por carros mais caros, acima dos R$ 100 mil e de tecnologia avançada. Se eu fosse fazer uma previsão eu diria que o carro do futuro será SUV e elétrico”, diz Costa.

SEMINOVOS

Para o mercado de seminovos a saída de linha dos modelos Ka (hatche e sedan) e do EcoSport não deve desvalorizar de imediato esses carros, para alívio de seus recentes compradores. Para Antonio Selva, presidente da Associação de Revendedores de Veículos de Pernambuco, Assovepe, o mercado está vivendo um momento atípico. "As vendas estão muito aquecidas e não tem carro seminovo para repor o estoque das lojas. Por isso, em outros tempos, um carro que saísse de linha hoje, mesmo novo, iria perder de cara uns 20% na mão do comprador. Agora não, a perda não chega a 10%", explicou Selva.

A Ford publicou em seu site (www.ford.com.br) uma lista de perguntas e respostas com o objetivo de informar os clientes da marca. No check list, a Ford informa que os serviços de manutenção, garantia e revisão seguem normalmente nas concessionárias e que se o comprador que tiver dado um sinal de entrada resolver desistir da compra, pode entrar em contato com a concessionaria para cancelamento do negócio, de acordo com as regras do Código de Defesa do Consumidor. .

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Diretor da Alpha Consultoria Automotiva, Alexandre Costa, diz que Ford vai tentar corrigir erros estratégicos - FOTO:Divulgação

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