PRODUTIVIDADE

Falta ou alto custo da matéria-prima foi maior problema para metade das empresas de construção ao fim de 2020

Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que, ainda assim, a Utilização da Capacidade Operacional foi a maior para o mês de dezembro desde 2014

Lucas Moraes
Lucas Moraes
Publicado em 25/01/2021 às 15:47
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ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
A Utilização da Capacidade Operacional na indústria da construção atingiu melhor nível para dezembro desde 2014 - FOTO: ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
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A produção e o emprego da indústria da construção recuaram no mês de dezembro de 2020, de acordo com os dados da sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O índice de atividade da indústria de construção foi de 46,3 pontos naquele mês (abaixo dos 50% que indicam alta), assim como o número empregados, que ficou em 46,9 pontos. A empresas da construção encerraram o ano passado sentindo mais o peso da falta ou carestia dos insumos. O que no terceiro trimestre de 2020 era apontado como maior problema por 39,2% das indústrias da construção, chegou a 50% nos últimos três meses do ano. 

Segundo a CNI, em relação ao índice de atividade e emprego, o movimento de redução já era esperado. Tradicionalmente, o mês de dezembro é de recuo no setor. Na passagem de novembro para dezembro, o nível da atividade saiu de 50,3 pontos para 46,3. O empregos, que já vinham em queda, acentuaram a redução indo de 49,1 em novembro para 46,9 no último mês do ano. 

"Isso é normal. O importante é que o nível de atividade ficou alto em relação aos outros anos. A pesquisa também mostra a expectativa otimista do empresariado, com só uma pequena queda da confiança. Há uma tensão, porém, que mesmo com a situação mais favorável, o problema da falta de insumos piorou na passagem do terceiro para o quarto trimestre. Já era um problema relevante, alcançando uma a cada três empresas e, agora, metade da indústria apontou esse como principal problema", diz o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo.

A Utilização da Capacidade Operacional caiu de 63% para 62%. O indicador, entretanto, atingiu o maior nível para o mês de dezembro desde 2014. Nos últimos anos, em dezembro de 2017, 2018 e 2019, a UCO havia sido de, respectivamente, 58%, 57% e 59%.

O Índice de Confiança dos Empresários da Indústria (ICEI) da Construção recuou 3,2 pontos em janeiro de 2021, indo para 56,9 pontos. Como o índice permanece acima dos 50 pontos, o ICEI-Construção ainda indica confiança dos empresários neste início de ano. 

Problemas

Por outo lado, no primeiro lugar no ranking de principais problemas enfrentados pela indústria da construção no quarto trimestre de 2020 está a falta ou alto custo da matéria-prima. O percentual de empresas da construção que enfrentam o problema subiu de 39,2% para 50,8% entre o terceiro e o quarto trimestre, um avanço de 11,6 pontos percentuais.

A elevada carga tributária aparece em segundo lugar na lista, com 26,8%. A demanda interna insuficiente caiu da terceira para a quarta posição entre os principais problemas e a burocracia excessiva tomou a terceira colocação, enfrentada por 24,1% das empresas.

Ainda assim, a intenção de investir da indústria da construção aumentou 1,3 ponto em janeiro de 2021 e agora se situa em 44 pontos. O índice está acima da  média histórica (34,6 pontos) e em níveis iguais aos observados no início de 2020, antes da pandemia. 

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