AUMENTO

Preço médio do gás natural sobe em Pernambuco, e motoristas de app vão ter que gastar mais para continuar rodando

A recomposição tarifária foi aprovada nessa quinta-feira (29) pela Agencia Reguladora de Pernambuco (Arpe)

Marcelo Aprígio
Marcelo Aprígio
Publicado em 30/04/2021 às 11:21
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Apesar do aumento, GNV vai continuar sendo vantajoso em relação aos outros combustíveis, segundo presidente da Copergás - FOTO: DIVULGAÇÃO
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Começa a valer a partir deste sábado (1º) o aumento médio de 32,55% no preço do gás natural vendido pela Companhia Pernambucana de Gás (Copergás). A recomposição tarifária foi aprovada nessa quinta-feira (29) pela Agencia Reguladora de Pernambuco (Arpe), como forma de repassar o reajuste de 38,77% no preço do gás natural adquirido à Petrobras. Com a alta, motoristas de aplicativos, como Uber e 99, deverão desembolsar um pouco mais de dinheiro para continuar trabalhando.

Não, porém, previsão de aumento no valor das tarifas do apps para os passageiros.

Segundo portaria publicada na edição do Diário Oficial do Estado desta sexta-feira (30), os novos preços valerão até o dia 31 de julho de 2021, quando deverão sofrer alterações, visto que o reajuste dos preços é trimestral. Na avaliação do presidente da Copergás, André Campos, em entrevista recente ao JC, nos próximos meses, não deve haver redução dos preços. "Em novembro do ano passado tivemos uma redução de 2% (...) mas eu não vejo um cenário da redução de preços", comentou.

GNV continua vantajoso

No entanto, apesar do aumento, Campos afirmou que o Gás Natural Veicular (GNV) vai continuar sendo vantajoso em relação aos outros combustíveis. "O consumo do metro cúbico [de GNV] em relação ao litro [de gasolina] ainda é muito vantajoso e vai continuar sendo, mas é um impacto grande. Um aumento absurdo. Em fevereiro, já havíamos tido um outro aumento", afirmou. 

O metro cúbico do GNV comprimido passa de R$ 1,84 para R$ 2,48, somando com as tributações. Nos postos, para o consumidor final deve ser de 21%, segundo a Copergás. Em Pernambuco, há 69.304 usuários de GNV. 

Indústria preocupada

O setor industrial em Pernambuco está preocupado com o reajuste do preço do no gás natural para as distribuidoras. O receio é que o aumento pressione ainda mais os custos das empresas e se reverta em perda de competitividade e comprometimento do fluxo de caixa. Para o setor, o reajuste médio ficou em 17%.

É a Copergás que compra o gás da Petrobras e distribui com diversos setores no Estado, um total de 106 clientes industriais. O número é pequeno diante de um parque industrial de 15 mil empresas, mas são grandes consumidores. Além da indústria, a Copergás atende a 774 clientes comerciais, 52.812 residenciais e 82 postos de combustíveis.

O gerente de Relações Industriais da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe), Maurício Laranjeira, também em entrevista recente ao JC, disse que o setor já tinha informação de que o aumento viria, só não esperava que fosse tão alto. "Essa alta do gás poderá implicar na perda de competitividade e complicar o fluxo de caixa. Geralmente as grandes indústrias que utilizam o gás natural são exportadoras e os concorrentes internacionais não estão enfrentando a mesma desvalorização de suas moedas como o real. Dessa forma, acabamos ficando menos competitivos", observou.

O executivo também destaca que tem sido difícil para a indústria repassar os custos para o preço final porque o mercado já está retraído. Todo esse cenário se reflete no índice de confiança do empresário e na retomada da economia. "O aumento no ritmo da vacinação poderia refletir no índice de confiança, que reflete a possibilidade de realizar investimentos e apostar em contratações", afirmou. No setor continuam faltando matérias-primas como plástico, embalagens, produtos químicos e tantas outras.

O setor compartilha da proposta do secretário da Fazenda de Pernambuco, Décio Padilha, de que a política de reajuste de combustíveis da Petrobras não fosse 100% atrelada ao dólar. O secretário afirmou que a culpa do aumento dos combustíveis era da Petrobras e sugeriu uma equalização da produção nacional (60%) e da importação (40%) de combustíveis com o dólar.

"Como a Petrobras tem uma produção local expressiva, não seria necessária essa indexação tão grande com o dólar", também defendeu Maurício Laranjeira. Diante de tantos desafios, a expectativa é que a indústria tenha uma trajetória de recuperação a partir do segundo semestre. Em Pernambuco, apesar da pandemia em 2020, a indústria fechou o ano com crescimento de 1%.

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