REAJUSTE

Copergás garante que abastecer com GNV continua sendo vantajoso, mesmo após aumento da Petrobras

A petroleira anunciou, nesta segunda-feira (5), que o gás natural ficará 39% mais caro para a distribuidoras

Rute Arruda
Rute Arruda
Publicado em 05/04/2021 às 20:12
Notícia
Agência Brasil
Em Pernambuco, o valor de venda do GNV nos postos de combustíveis está na faixa dos R$ 2,93 - FOTO: Agência Brasil
Leitura:

O presidente da Companhia Pernambucana de Gás (Copergás), André Campos, afirmou, nesta segunda-feira (5), que, apesar de a Petrobras definir aumento de 39% sobre o preço de venda do gás natural para as distribuidoras a partir do dia 1º de maio, o GNV vai continuar sendo vantajoso em relação aos outros combustíveis. Medido em dólares, a alta será de 32%. No Estado, o possível reajuste só será definido pela Agência Estadual de Regulação de Pernambuco (Arpe) no próximo mês. 

>> Gás natural a distribuidoras fica 39% mais caro a partir de maio, diz Petrobras

>> Aumento do gás natural: saiba quando Pernambuco poderá sentir mudança nos preços

>> "Petrobras é responsável pelos aumentos no gás e nos combustíveis", afirma Décio Padilha

"O consumo do metro cúbico [de GNV] em relação ao litro [de gasolina] ainda é muito vantajoso e vai continuar sendo, mas é um impacto grande. Um aumento absurdo. Em fevereiro, já havíamos tido um outro aumento", afirmou. O reajuste dos preços é trimestral. 

Atualmente, o preço de compra em Pernambuco do metro cúbico do GNV é R$ 1,29. Caso a Arpe decida por repassar o aumento integral da porcentagem, esse valor sobe para R$ 1,79 m³. Já o valor de venda nos postos de combustíveis está na faixa dos R$ 2,93. Com o possível aumento, o preço chegará em R$ 3,93. 

Na avaliação do presidente da Copergás, nos próximos meses, não deve haver redução dos preços. "Em novembro do ano passado tivemos uma redução de 2% (...) mas eu não vejo um cenário da redução de preços", comentou. 

>> Copergás vai aumentar rede de postos de GNV

Segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Pernambuco (Sindicombustíveis-PE), Alfredo Pinheiro Ramos, esse aumento anunciado pela Petrobras já era esperado. "O reajuste é trimestral. E vendo os os aumentos da gasolina e etanol, sabíamos que isso chegaria no gás. Era uma questão de tempo, a gente só não sabia de quanto seria", comentou.

Ramos explicou que o aumento feito pela Petrobras é integral, e "não é aumento de margem de lucro. É aumento do preço de compra. Então, o percentual significa muita coisa".

 

HELIA SCHEPPA/ACERVO JC IMAGEM
CONSUMO Em maio, a estatal já havia reajustado os preços em 39% - FOTO:HELIA SCHEPPA/ACERVO JC IMAGEM
DIVULGAÇÃO
O consumo do metro cúbico [de GNV] em relação ao litro [de gasolina] ainda é muito vantajoso e vai continuar sendo, mas é um impacto grande. Um aumento absurdo. Em fevereiro, já havíamos tido um outro aumento", observa André Campos, presidente da Copergás - FOTO:DIVULGAÇÃO
HÉLIA SCHEPPA/ACERVO JC IMAGEM
DINHEIRO Secretário diz que recursos vinculados foram direto para o SUS - FOTO:HÉLIA SCHEPPA/ACERVO JC IMAGEM

"Petrobras é responsável pelos aumentos no gás e nos combustíveis", afirma Décio Padilha

Secretário da Fazenda de Pernambuco defende que a política de preços da companhia leve em consideração a equalização entre a produção nacional e as importações, evitando atrelar 100% ao dólar

Petrobrás anunciou aumento de 39% para o gás natural a partir de 1° de maio

Os aumentos dos combustíveis, em percentuais muito acima da inflação, em plena pandemia estão provocando crise em toda a cadeia produtiva do setor e atingindo em cheio os consumidores. Nesta segunda-feira (5), a Petrobras anunciou que vai reajustar o preço médio do gás natural para as distribuidoras em 39%, a partir do dia 1° de maio. Em Pernambuco, a notícia provocou reações no setor e no governo do Estado. O secretário da Fazenda, Décio Padilha, afirma que a Petrobras é responsável pelos aumentos do gás e dos combustíveis e sugere que a política de preços da companhia não seja atrelada 100% ao dólar. 

"Todos os reajustes nos preços dos combustíveis e agora no gás natural dos últimos meses, ocorreram exclusivamente em função da política de preços praticada pela Petrobras, passando a ajustar o preço do petróleo de acordo com a cotação do barril no mercado internacional, sofrendo também forte influência do dólar. A legislação nacional em vigência, por meio do convênio nacional 110 de setembro de 2007, estabelece que todos os Estados utilizem a pesquisa quinzenal realizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíoveis (ANP), através da média do preço final ao consumidor, que é a base de cálculo do ICMS", explica Padilha.

De acordo com o secretário, essa pesquisa não tem relação com a vontade dos Estados de baixar ou aumentar preços, sendo uma obrigação legal. O resultado da pesquisa, inclusive, é publicado no Diário Oficial da União. "Caso na próxima pesquisa realizada pela ANP seja verificada redução dos preços praticados pelos postos revendedores, será feito o ajuste para reduzir o PMPF. É necessário esclarecer que a Petrobras arbitra o seu preço de comercialização, pois não há concorrência, o varejo fixa o preço final de venda e a ANP faz a pesquisa quinzenal e informa aos Estados", detalha.

EQUALIZAÇÃO

Em função da pandemia, Décio Padilha sugere que um caminho para equalizar os preços seria a mudança na política da Petrobras, que hoje atrela o valor do petróleo 100% ao dólar. "Seria importante alterar a atual política de preços da Petrobras para uma ponderação de custos, levando em consideração a produção nacional, que é de aproximadamente 60% e a importação de 40%. Só assim poderíamos atenuar esses frequentes reajustes bem acima da inflação brasileira, correspondendo a 54% na gasolina e 41,6% no diesel", calcula o secretário.

"Não são os Estados que aumentam o preço e sim a Petrobras, por isso acreditamos que uma mudança na vigente política de preços da companhia seria o melhor a fazer neste recrudescimento da pandemia", reforça. 

GÁS DE COZINHA

O gás liquefeito de petróleo/GLP (o gás de cozinha) também subiu nesta segunda (5), puxado pelos reajustes da Petrobras. De acordo com os sindicatos dos revendedores pelo País, este é o quarto aumento ao longo de 2021. Apesar das altas, Pernambuco não aparece na lista dos Estados com preços mais altos do botijão de gás de 13 quilos. Enquanto o preço médio nacional é de R$ 84,71, no Estado está em R$ 77,24; segundo a ANP.   

COMPARE OS PREÇOS DO BOTIJÃO DE 13 LITROS ENTRE OS ESTADOS:

Preço médio do GLP

Estado - Valor em R$

1. Acre - 105,22
2. Amapá - 102,89
3. Mato Grosso - 102,46
4. Roraima - 101,08
5. Rondônia - 100,67
6. Minas Gerais - 96,68
7. Amazonas - 93,59
8. Paraíba - 89,36
9. Rio Grande do Norte - 87,62
10. Distrito Federal - 86,25
11. Goiás - 86,11
12. Santa Catarina - 85,28
13. Pará - 84,67
14. Tocantins - 83,85
15. São Paulo - 82,62
16. Rio Grande do Sul - 85,28
17. Alagoas - 80,28
18. Sergipe - 79,43
19. Pernambuco - 77,24
20. Maranhão - 76,37
21. Bahia - 74,10
22. Rio de Janeiro - 73,84

23. Mato Grosso do Sul - 73,80

24. Piauí - 73,19
25. paraná - 72,85
26. Ceará - 68,90
27. Espírito Santo - 68,71

Média nacional - 84,71

PE X Média nacional (- R$ 8,82)

 

 

Comentários

Últimas notícias