TURISMO

Perdas do turismo chegam a R$ 65,6 bilhões, diz estudo da Fecomercio-SP

Pesquisa da Fecomércio-SP mostra queda no faturamento de vários setores que fazem parte do segmento de turismo por causa da pandemia do coronavírus

Angela Fernanda Belfort
Angela Fernanda Belfort
Publicado em 01/05/2021 às 8:06
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Presidente do Conselho de Turismo da Fecomércio SP, Mariana Aldrigui, fala do efeito devastador que a pandemia teve no turismo - FOTO: DIVULGAÇÃO
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O setor de turismo teve perdas estimadas em R$ 65,6 bilhões de março de 2020 até fevereiro deste ano, segundo uma pesquisa feita pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP). A comparação é feita com 12 meses do período anterior e, segundo eles, o setor perdeu mais de um terço do seu faturamento. "É uma estimativa conservadora utlizando os dados do IBGE. A Confederação Nacional do Comércio (CNC) projeta perdas cinco vezes maiores. É uma perda irrecuperável pelas características do setor. Se eu tenho 100 apartamentos que não foram ocupados hoje, não tem como recuperar isso amanhã", comenta a presidente do Conselho de Turismo da Fecomércio-SP e pesquisadora de Turismo na Universidade de São Paulo, Mariana Aldrigui. Os primeiros casos de infecção pelo coronavírus no País começaram a surgir no final de fevereiro do ano passado.

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Segundo Mariana, o leque das pesquisas da CNC é mais amplo, incluindo aspectos da alimentação que não têm ligação direta com o turismo e, por isso, os números são maiores. No entanto, as duas instituições usam as informações levantadas pelo IBGE. O setor de turismo é formado por uma cadeia produtiva imensa, que inclui desde empresas grandes como hotéis até o vendedor de coco da praia.

A pandemia contribuiu para o setor de turismo registrar uma queda de 38,1% do faturamento no acumulado dos últimos 12 meses, se encerrando em fevereiro último. "Quem mais perdeu foram as companhias aéreas que têm um custo em dólar. Para sobreviver, tiveram que alterar rotas e renegociar trechos com os passageiros que tinham bilhetes comprados", comenta Maria. O faturamento das companhias aéreas chegou a cair 59,6% nos últimos 12 meses, se encerrando em fevereiro último.

Ainda de acordo com Mariana, um dos setores mais afetadas foram as operadoras e agências de viagens que, geralmente, são pequenos. "Eles tiveram bastante prejuízo", comenta. A queda de faturamento deste setor chegou a -12,8%. Em 2020, o setor de turismo teve um faturamento estimado em R$ 115 bilhões, segundo informações da Fecomércio-SP.

"A nossa expectativa é que mais brasileiros voltem a viajar a partir de agosto", conta Mariana. E ela diz que o turismo tambem foi muito afetado, no Nordeste, pela falta de eventos, como, por exemplo, o São João. "A minha sugestão é que seja realizado um São João fora de época, quando voltar a ser seguro a realização de um evento desse tipo", argumenta. Ano passado, não foi realizada a festa de São João, que também não vai acontecer este ano devido à pandemia. Também não foi realizado o Carnaval e ambas as festas atraem turistas. 

Mariana também diz que várias cidades como Recife e Jaboatão também sentem falta do turismo de negócios que alimenta outra cadeia: o pessoal que faz eventos. "O turismo é uma entrada de dinheiro importante para todas as cidades. É relevante dizer que toda atividade que gera emprego tem que ser olhada com consideração. A queda no turismo é devastadora porque é um setor que gera renda para pessoas das mais diferentes classes, indo desde o vendedor de caipirinha até o operador da companhia aérea. Isso atingiu todas as cidades do País", conclui Mariana.

EVENTOS

Para o presidente do Recife Conventio Bureau, Simão Teixeira, toda a cadeia produtiva do turismo foi prejudicada pela pandemia, mas um dos mais afetados foi o de organização de eventos, incluindo os culturais. "O pessoal de eventos está há 14 meses sem trabalhar. Eles pararam primeiro. E toda essa turma precisa voltar ao batente. Tem gente passando fome", argumenta. E acrescenta: "não há motivo para o evento corporativo não estar liberado".

 

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