Investigação

Investigados do Grupo João Santos teriam movimentado milhões nas contas de familiares e de empregados

A PF de Pernambuco deflagrou operação que envolve empresas do grupo João Santos

Cássio Oliveira
Cássio Oliveira
Publicado em 05/05/2021 às 15:13
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WELLINGTON LIMA/JC IMAGEM
Agentes da PF e funcionários da Receita Federal em atuação no Bairro do Recife - FOTO: WELLINGTON LIMA/JC IMAGEM
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Durante as investigações da operação Background, deflagrada na manhã desta quarta-feira (5), a Polícia Federal (PF) constatou que familiares e empregados do Grupo João Santos serviram como ''laranjas'' para a movimentação financeira. Inclusive, um dos suspeitos teria movimentado milhões por meio da conta de sua secretária.

"O primeiro período de análise foram os cinco anos, de 2015 a 2019, as movimentações foram entre empresas do próprio grupo, pessoas físicas interpostas, empregados do grupo. A título de exemplo, uma secretária de um dos gestores movimentou em suas contas pessoais milhões e milhões de reais e o gestor tinha procuração para fazer saques e movimentações necessárias através da conta dessa funcionária", explicou Alexandre Alves, delegado regional de combate ao crime organizado.

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O Grupo João Santos acumula processos na Justiça e, de acordo com a polícia, a principal finalidade do esquema investigado seria fraudar execuções trabalhistas. "Uma das finalidade seria a sonegação de tributos da União, mas também o esvaziamento patrimonial para fraude de execuções trabalhistas e os pagamentos do salário de centenas de empregados. Eles também pretendiam distribuir, esvaziar esse patrimônio empresarial, passando para o particular", disse o delegado.

Entre as principais ações contra o grupo estão questões trabalhistas e suspeita de suposta formação de cartel. Na operação desta quarta, o conglomerado é suspeito de crimes tributários, financeiros, de fraude à execução e contra a organização do trabalho, de organização criminosa e de lavagem de dinheiro. 

Os investigadores estimam que o esquema tenha causado um prejuízo aos cofres públicos e aos trabalhadores de mais de R$ 8,64 bilhões. Segundo a PF, os investigados se organizaram em um sofisticado esquema contábil-financeiro para desviar o patrimônio das empresas do grupo, transferindo-o para os seus sócios e laranjas, com a finalidade de fazer desaparecer completamente tributos e direitos trabalhistas de centenas de empregados.

Mesmo com dívidas trabalhistas, chamou a atenção da polícia o valor movimentado. "Essas investigações tiveram início quando a PF foi procurada pelo MPT e pelo MPF, em 2018, com a informação de que um grupo empresarial estaria com dívidas trabalhistas e estaria impedindo a execução dos débitos trabalhistas na Justiça do trabalho, por meio de omissão de patrimônio. A polícia iniciou uma investigação, passamos a fazer uma análise com quebra de sigilo bancário e fiscal, identificamos uma movimentação considerável de valores em diversas contas das empresas com suas filiais, com um sistema sofisticado contábil-financeiro de vazão desses valores, com esvaziamento patrimonial do grupo empresarial. Na primeira análise bancária, identificamos uma movimentação em cinco anos de R$ 56 bilhões a crédito e débito", comentou o delegado.

Nas investigações, a polícia também constatou o esquema de movimentação desses valores com um grupo com 47 empresas e diversas filiais, chegando a um quantitativo de mais de 500 empresas contando matrizes e filiais. Além disso, foram identificados dois grupos paralelos de empresas, compostas por pessoas interpostas e até membros das famílias dos investigados, para os quais eram encaminhados o patrimônio desviado do grupo empresarial.

"Eles faziam isso através de integralização do capital social, remessa de valores para o exterior e utilização de empresas de factoring para movimentar os recursos através de simulação de contrato de trust, que é contrato que empresas fazem gestão financeira pagando comissão, mas identificamos contratos simulados, pois a autonomia continuou com as empresas contratantes", disse o delegado.

WELLINGTON LIMA/JC IMAGEM
Agentes da PF e funcionários da Receita Federal em atuação no Bairro do Recife - WELLINGTON LIMA/JC IMAGEM

De acordo com a Procuradoria da Fazenda, as empresas do Grupo João Santos têm dívidas tributárias, de R$ 8,6 bilhões, e trabalhistas, de R$ 55 milhões. Elas são suspeitas de sonegar impostos e direitos trabalhistas de centenas de empregados. Os trabalhadores, de acordo com as investigações, ficavam sem receber salários, por exemplo.

JC entrou em contato com o Grupo João Santos, mas até a última atualização desta reportagem não havia recebido retorno.

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