INOVAÇÃO

Mosquito Aedes aegypti que não transmite dengue, zika ou chicungunha? Em Petrolina, vai ter...

É colocada a bacteria Wolbachia no mosquito. Com isso, o inseto deixa de ser vetor de doenças como dengue, chicungunha, zika e febre amarela na área urbana

Angela Fernanda Belfort
Angela Fernanda Belfort
Publicado em 20/07/2021 às 17:46
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Fotos: Jonas Santos/ ASCOM Prefeitura de Petrolina
As casinhas dos wolbitos, mosquitos Aedes aegypti que estão sendo espalhadas por Petrolina e não transmitem dengue, chicungunha, zika nem febre amarela na área urbana - FOTO: Fotos: Jonas Santos/ ASCOM Prefeitura de Petrolina
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Um aedes aegypti que não transmite dengue, chicungunha, zika e febre amarela - no ciclo urbano - está começando a circular na cidade de Petrolina, que teve a biofábrica do Método Wolbachia inaugurada esta semana. Por enquanto, a biofábrica recebe cápsulas com ovos e alimentos para larvas dos mosquitos chamados wolbitos, que são Aedes aegypti com uma bacteria natural chamada Wolbachia. Quando essa bacteria se desenvolve dentro dos mosquitos, eles deixam de ser vetores dessas doenças. "Os Wolbitos cruzam com os mosquitos do campo e os descendentes nascem com Wolbachia, que é passada de mãe para os filhotes", explica a gerente de Projetos e responsável pela implementação em Petrolina do Metodo Wolbachia, Erica Canavitsas.

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Petrolina é a primeira cidade do Nordeste a receber biofábrica do método Wolbachia. Na cidade sertaneja, serão implantadas aproximadamente 12 mil casinhas de wolbitos até o final de 2022, cobrindo toda a área urbana da cidade que tem cerca de 300 mil pessoas. "Às vezes, colocamos mais casinhas num bairro que tem maior densidade populacional", comenta Erica. A quantidade de casinhas de wolbitos é proporcional a quantidade de pessoas que moram na localidade.

Os ovos do wolbito são produzidos em biofábricas localizadas em Belo Horizonte e Rio de Janeiro. A unidade local recebe, a cada 15 dias, 8 mil capsulas que contêm ovos dos wolbitos e alimentos para as larvas. A iniciativa é do World Mosquito Programa (WMP) que já está presente em 11 países. No Brasil, o programa é conduzido pela Fiocruz em parceria com o WMP.

PARCERIA

A biofábrica que está tornando possível a distribuição dos wolbitos custou R$ 370 mil e foi implantada com recursos do Ministério da Saúde. O projeto é desenvolvido em parceria com a Prefeitura de Petrolina e o governo do Estado, que cedeu a área para a implantação da biofábrica e pessoas para trabalharem na unidade. A Prefeitura de Petrolina bancou 12 agentes de combate à endemia que estão trabalhando na liberação dos mosquitos e monitoramento do projeto.

No Brasil, o programa fez duas experiências numa parte da cidade do Rio de Janeiro e em Niterói, também no Estado do Rio. Na área onde foi desenvolvido o programa, ocorreu uma redução de 60% nos casos de chicungunha e uma diminuição de 77% nos casos de dengue. Os wolbitos não são transgênicos.

Para Jorge Costa, assessor da Vice-presidência de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, o projeto é de suma importância para a saúde pública. “O método Wolbachia foi trazido pela fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com uma instituição Australiana e, em todos os municípios que houve a dispensação dos mosquitos ou dos ovos, houve uma diminuição significativa dos indicadores de dengue e de arboviroses, como um todo. Petrolina está sendo a primeira cidade do Nordeste a experimentar na prática este método. Essa biofábrica, pra mim, é a representatividade perfeita do SUS, onde tem esforços tripartite, governo federal, estadual e municipal”, destacou Jorge.

 

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