PNAD CONTÍNUA

Desemprego em Pernambuco bate novo recorde e chega a 21,6%, a pior taxa do Brasil

De acordo com o IBGE, este foi o pior resultado do Estado nos últimos nove anos

Marcelo Aprígio
Marcelo Aprígio
Publicado em 31/08/2021 às 10:29
MARCELO APRÍGIO/JC
Na comparação com o mesmo trimestre de 2020, o indicador cresceu 6,5 pontos percentuais - FOTO: MARCELO APRÍGIO/JC
Leitura:

Na contramão do Brasil, a taxa de desemprego em Pernambuco oscilou 0,3 ponto percentual para cima e atingiu 21,6% no segundo trimestre de 2021, o pior resultado desde 2012, e a maior taxa entre os Estados. Na comparação com o mesmo trimestre de 2020, o indicador cresceu 6,5 pontos percentuais. Com isso, em meio aos desafios impostos pela pandemia de covid-19, 885 mil pernambucanos procuram emprego, mas não encontram.

Esta é a segunda vez seguida que Pernambuco ocupa o topo do ranking da taxa de desemprego. Entre janeiro e março deste ano, o Estado dividiu o posto com a Bahia, que agora viu a desocupação recuar 0,6 ponto percentual em seu território. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada nesta terça-feira (31) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

“Os números da desocupação em Pernambuco já vinham altos desde o primeiro trimestre. Esses resultados mostram relativa estabilidade. Com a reabertura gradual, que está acontecendo à medida que a vacinação avança e o número de casos e mortes vem se reduzindo, aqueles que não procuravam emprego começaram a se sentir estimulados na busca por imaginar que agora, com novas atividades sendo permitidas, seria mais fácil encontrar um trabalho, o que resultou numa taxa de desocupação mais alta”, afirma a gerente de planejamento e gestão do IBGE em Pernambuco, Fernanda Estelita.

No País, o desemprego recuou levemente a de 14,1%, no mesmo período. Entretanto, 14,4 milhões de brasileiros permanecem desocupados.

Dos 3,2 milhões de pessoas ocupadas em Pernambuco, 33,9% trabalham por conta própria. Além disso, quase metade da população do Estado em idade de trabalhar (47,6%) está fora da força de trabalho. Já são 3,7 milhões de pessoas acima de 14 anos que não estão ocupadas nem procurando emprego. Elas integram o grupo dos chamados desalentados.

Também foi observado o avanço da informalidade, cuja taxa chegou a 51,4% no segundo semestre. Desta maneira, mais de 1,6 milhão de pernambucanos estão nesta condição. "Foi um leve aumento na informalidade, que é uma alternativa mais simples, mais ágil de conseguir algum rendimento. Então, quando a gente tem queda no emprego, desocupação, vem acompanhando esse movimento o aumento da informalidade", pontua Fernanda Estelita.

A especialista explica ainda que não é possível apontar se o Estado continuará seguindo esta tendência de alta na taxa de desemprego até o final do ano em decorrência da imprevisibilidade da pandemia de covid-19. Segundo ela, os números vão depender do controle do vírus, do avanço da vacinação e da reabertura das atividades econômicas.

"A partir do terceiro trimestre, os números da pandemia melhoraram bastante, e as novas atividades econômicas, que há muito estavam proibidas, como setor de eventos, por exemplo, começaram a ser flexibilizadas. Se esta tendência de abertura for mantida, teremos mais postos de trabalhos disponíveis", diz ela.

"Mas ainda é precipitado fazer qualquer projeção. Vimos os países que fizeram uma abertura mais Ampla a necessidade de fechamento em seguida. E os números da ocupação e desocupação devem seguir neste sentido no controle da pandemia", ressalta Fernanda. 

Norte e Nordeste com desemprego em alta

A taxa de informalidade do Norte (56,4%) e do Nordeste (53,9%) também ficou acima da média nacional, que foi de 40,6%. A analista da pesquisa, Adriana Beringuy, explica que o mercado de trabalho das duas regiões é marcado pelo grande percentual de trabalhadores informais, que são a soma dos trabalhadores sem carteira (incluídos os trabalhadores domésticos), trabalhadores por conta própria, empregadores sem CNPJ e trabalhadores familiares auxiliares.

“Os estados das regiões Norte e Nordeste têm, historicamente, as maiores taxas de desocupação, de informalidade e de subutilização da força de trabalho. Ainda que eventualmente haja quedas nessas taxas, ou seja, uma melhoria nos números, eles partem de estimativas muito altas, fazendo com que essas regiões permaneçam com indicadores de mercado de trabalho mais desfavoráveis”, diz.

Comentários

Últimas notícias