MERCADO DE TRABALHO

Desemprego no Brasil cai para 14,1%, mas ainda atinge 14,4 milhões de pessoas

Dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) e foram divulgados pelo IBGE nesta terça-feira (31)

Marcelo Aprígio
Marcelo Aprígio
Publicado em 31/08/2021 às 9:46
Marcos Santos/USP Imagens
O resultado ficou abaixo da expectativa do mercado financeiro, que esperava 2,868 milhões de postos - FOTO: Marcos Santos/USP Imagens
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A taxa de desemprego no Brasil caiu para 14,1% no segundo trimestre, uma redução de 0,6 ponto percentual em relação ao período entre janeiro e março, quando indicador chegou a 14,7%. Na comparação com o segundo trimestre de 2020, houve alta de 0,8 ponto percentual (13,3%). Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) e foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (31).

Apesar do recuo na taxa, o país ainda soma 14,4 milhões de pessoas na fila em busca de um trabalho. O número representa estabilidade em relação ao primeiro trimestre do ano, quando 14,8 milhões de pessoas estavam desempregadas, mas aumentou 12,9% (mais 1,7 milhões de pessoas) na comparação com o o período entre abril e junho de 2020 (12,8 milhões de pessoas).

De acordo com o IBGE, a queda na taxa de desemprego foi influenciada pelo aumento no número de pessoas ocupadas (87,8 milhões), que avançou 2,5%, com mais 2,1 milhões no período. Com isso, o nível de ocupação subiu 1,2 ponto percentual para 49,6%, o que indica, contudo, que menos da metade da população em idade para trabalhar está ocupada no país.

"O crescimento da ocupação ocorreu em várias formas de trabalho. Até então, vínhamos observando aumentos no trabalho por conta própria e no emprego sem carteira assinada, mas pouca movimentação do emprego com carteira. No segundo trimestre, porém, houve um movimento positivo, com crescimento de 618 mil pessoas a mais no contingente de empregados com carteira", afirmou a analista da pesquisa, Adriana Beringuy.

Carteira assinada

O número de empregados com carteira assinada no setor privado avançou 2,1%, totalizando 30,2 milhões no segundo trimestre do ano, frente ao anterior. Na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, o contingente ficou estável, mas interrompeu quatro trimestres sucessivos de quedas.

A ocupação também avançou no segundo trimestre com o aumento de 3,4% no número empregados no setor privado sem carteira (10,0 milhões) na comparação com o trimestre anterior. Em relação ao segundo trimestre do ano passado, esse contingente subiu 16,0% ou 1,4 milhão de pessoas.

Outro destaque foi o trabalho por conta própria, que atingiu o patamar recorde de 24,8 milhões de pessoas, um crescimento de 4,2% na comparação com o trimestre anterior. Em um ano, o contingente avançou 3,2 milhões, alta de 14,7%. Inclusive, 52,2% da alta da ocupação na comparação mensal e 62,7% dessa alta na comparação anual vieram do aumento dos conta própria sem CNPJ.

Adriana observa que o aumento da ocupação no segundo trimestre foi gerado, principalmente, por atividades relacionadas à alojamento e alimentação (9,1%), construção (5,7%), serviços domésticos (4,0%) e agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (3,8%).

“Alojamento e alimentação, que inclui restaurantes e hotéis, avançaram 7,7% na comparação anual, primeiro crescimento depois de quatro trimestres de quedas. Esse avanço, porém, não faz a atividade voltar ao patamar pré-pandemia, mas é um movimento de leve recuperação, depois de registrar a segunda maior perda de trabalhadores em 2020, atrás do serviço doméstico”, pontuou a analista da pesquisa.

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