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Como a MP do Etanol pode deixar combustível mais barato nos postos?

A expectativa é de que possa haver melhora na competição de preços aplicados ao consumidor

Edilson Vieira Estadão Conteúdo
Edilson Vieira
Estadão Conteúdo
Publicado em 15/09/2021 às 7:00
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Etanol - FOTO: DIVULGAÇÃO
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A Medida Provisória editada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que antecipa a venda direta de etanol entre produtores e postos de combustíveis, dispensando a intermediação de distribuidores, pode trazer vantagens aos consumidores na hora de abastecer. O texto também flexibiliza a "tutela à bandeira", obediência dos postos à marca comercial de um distribuidor, o que poe estimular a concorrência e diferenciação de preços.

A medida foi publicada junto a um decreto regulamentador. Os dois pontos foram introduzidos em outra MP, publicada em agosto. Para a flexibilização da tutela à bandeira ter validade, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) precisa regulamentar a aplicação da nova norma dentro de 90 dias.

"É essencial que haja regulamentação do assunto, sobretudo para garantir a informação adequada e clara aos consumidores a respeito da origem dos produtos comercializados", diz a secretaria-geral da Presidência em nota.

Até lá, o decreto da presidência obriga os postos a expor em cada bomba medidora o CNPJ e também o nome fantasia ou a razão social do fornecedor. "Além disso, o painel de preços do revendedor, na identificação do combustível, deverá exibir o nome fantasia de seu fornecedor", explica o governo.

Sem essas exigências, a expectativa é de que possa haver melhora na competição de preços aplicados.

O presidente do sindicato que representa os donos de postos de combustíveis no Estado (Sindicombustíveis-PE), Alfredo Pinheiro Ramos, disse que o mercado passará por profundas mudanças a partir de agora.

"O fim da tutela as bandeiras fará com que um posto Shell possa comprar combustível da Petrobras, o da Petrobras possa comprar da Ipiranga, e assim por diante. O que antes era visto como quebra de contrato, agora vai significar mais liberdade para o varejista, que aumentará seu poder de negociação, sobretudo os postos menores", afirmou.

Pinheiro Ramos acredita que o consumidor pode sair beneficiado com um preço melhor, sem perder a qualidade do combustível. "O consumidor pode ficar sabendo, através da sinalização no posto, qual distribuidora está fornecendo o combustível naquele dia. Em relação aos preços, o mercado é livre para estipular o preço final ao consumidor, mas claro que nada impede um posto que negociou a compra do combustível em melhores condições com o fornecedor, possa repassar algum desconto ao valor final da bomba", diz ele.

VENDA DIRETA

Já no caso da venda direta de etanol, para que ela seja adotada imediatamente, os interessados devem se submeter ao novo regime tributário previsto na MP de agosto.

Essa mudança, no entanto, segundo Ramos, não deve trazer grandes vantagens todos os postos.

"Para um posto de pequena capacidade, que otimiza suas compras de combustíveis num lugar só, no caso, a base de distribuição de combustíveis em Suape, não haverá grande vantagem, porque acarretaria em mais um frete. Agora um posto de grande capacidade e que se localizam geograficamente próximo às usinas, vão se beneficiar de um custo menor de frete, o que pode significar valores mais baixos na bomba".

Na última semana, no Recife, o preço médio do etanol hidratado estava em R$ 5,363. A gasolina estava em R$ 5,973.

 

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