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Armando Monteiro defende investimento na Refinaria Abreu e Lima para aproveitar ''janela'' restante ao combustível fóssil

Em entrevista ao Passando a Limpo, da Rádio Jornal, ex-ministro e ex-senador reforçou que há previsão o ciclo do petróleo perder espaço na matriz

JC
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Publicado em 26/11/2021 às 11:43
Foto: Heudes Regis/Acervo JC Imagem
Abreu e Lima registrou desvalorização de US$ 2,2 bilhões em 2019 - FOTO: Foto: Heudes Regis/Acervo JC Imagem
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O investimento acima de R$ 5 bilhões previsto pela Petrobras para os próximos cinco anos (2022-2026) em Pernambuco foi comemorado pelo ex-ministro e ex-senador Armando Monteiro (PSDB), durante entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal. Para Monteiro é fundamental o novo aporte, para acabar com a "irracionalidade da refinaria" e garantir que a Refinaria Abreu e Lima (Rnest) consiga aproveitar o máximo da "janela" ainda restante ao uso das fontes fósseis, mediante o avanço do processo de descarbonização em todo o mundo. 

"Esse provável interesse de privatizar a Petrobras é uma mera cortina de fumaça. O presidente (Bolsonaro) vive esse desconforto de aumento de preço (dos combustíveis) e quis dar o caráter que o problema é a Petrobras. O governo Bolsonaro não vai privatizar. Isso não é uma coisa que se faz assim. Muito menos no final de governo", avaliou Armando Monteiro. 

De acordo com o ex-senador, o ciclo do petróleo é curto, em termos temporais. "Temos aí cerca de 20 anos calcado nesse modelo de produção", alerta. 

Prevendo esse prazo para uma mudança mais intensa da redução do uso de fonte fósseis para geração energética, o ex-senador defende que os investimentos para conclusão da Rnest sejam feitos, para que a refinaria tenha tempo hábil de recuperar o tempo perdido com a corrupção e atraso da entrega do segundo trem de refino. 

"Como esse horizonte vai se encurtando, a Petrobras tem que fazer mais investimento para ampliar a produção e exploração, para aproveitar essa janela que ainda tem. O Plano estratégico de investimento da Petrobras basicamente se destina à área de produção e distribuição de petróleo. No que toca Pernambuco, nesse programa, tem parte menor destinada à refinaria. A situação de Abreu e Lima era uma coisa absurda, depois de enterrarem US$ 15 bilhões na refinaria, pela falta de investimento complementar, a refinaria estava produzindo metade do que pode produzir. Agora, ela dobra a capacidade de produção. O que ficou faltando foi o trem de refino. Um pequeno investimento que pode dobrar a produção", defende Monteiro. 

O pequeno investimento é da ordem de US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões) que serão investidos na Rnest para dobrar a produção em 2027. De acordo com Monteiro, o montante é significativamente pequeno, já que custaria entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões, em dados de mercado, construir uma refinaria como a Abreu e Lima. "Com US$ 1 bilhão de dólares, você dobra a produção da refinaria. É evidente que em termos econômico esse investimento se justifica", diz. 

Plano da Petrobras

Ao todo, o Plano Estratégico para o quinquênio 2022-2026 prevê investimentos de US$ 68 bilhões, valor 24% superior ao mesmo período do plano anterior. Desse total, US$ serão destinados à Rnest,  que ampliará sua produção de 115 mil para 260 mil barris por dia (bpd) em 2027.

Em 2021 são estimados mais de R$ 220 bilhões entre tributos e impostos recolhidos e dividendos pagos à União e demais entes federativos, segundo a Petrobras. Os pagamentos de participações governamentais, tributos e dividendos à União representarão 58% da geração de caixa operacional da empresa.

 

 

 

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