VIAGEM

Viagens mais caras: companhias já cobram até 54% a mais nas passagens aéreas

Associação das empresas aéreas associa variação a alta dos custos, sobretudo da querosene de aviação

Lucas Moraes
Lucas Moraes
Publicado em 02/12/2021 às 10:21
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BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
Aumento do fluxo de passageiros e voos no Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes - Gilberto Freire. - FOTO: BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
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Viajar de avião no Brasil está mais difícil. Independente da rota, os voos nacionais tiveram um aumento em relação ao preço das passagens de, em média, 45,3% no comparativo entre o terceiro trimestre de 2021 e o de 2020. Nesse período, se considerado o recorte por companhia, a média chega aos 54%, de acordo com relatório da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) - o que deixa as férias mais salgadas antes mesmo do embarque. 

Na conta das companhias estão itens como a defasagem da demanda, ainda em função da pandemia da covid-19, embora as empresas já tenham recuperado parte considerável da malha, além do custo com o combustível, o querosene de aviação (QAV). 

Ainda segundo os dados da Anac, junto ao aumento no preço do combustível de aviação, correspondente a 56,6% em relação ao terceiro trimestre de 2020, a taxa de câmbio foi 2,8% inferior a esse período. Já a inflação acumulada nos últimos 12 meses, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), correspondeu a 10,25%, superando a meta estipulada pelo Banco Central do Brasil, de 3,75%. 

Dentro desse contexto, as empresas aéreas mantiveram reduzida a oferta de voos para adequar a malha aérea à realidade de demanda. Em relação ao mesmo período de 2020, a oferta do terceiro trimestre de 2021 aumentou 132%, mas ainda esteve 19,8% menor que a oferta do terceiro trimestre de 2019, mantendo o desequilíbrio. 

No período de janeiro a setembro de 2021, quem buscou comprar passagens aéreas esteve em busca das menores tarifas. No período, 5,1% das passagens foram comercializadas com tarifas aéreas abaixo de R$100,00 e 42% abaixo de R$ 300,00. As passagens acima de R$ 1.500,00 representaram apenas 2,2% do total. A Tarifa Aérea Média Doméstica Real no terceiro trimestre de 2021 foi de R$ 529,93.

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) tem alertado para a pressão que principalmente o QAV tem exercido sobre os custos das companhias aéreas. O item, segundo a Abear, historicamente corresponde a um terço das despesas do setor e já acumula em 2021, entre janeiro e outubro, uma alta de 71,1%. Somente no mês de outubro, o preço do QAV subiu quase 20%.

"A alta do QAV em 2021 ilustra a pressão que os custos operacionais estão exercendo sobre as companhias aéreas. Em um momento de recuperação da pior crise da história da aviação, este índice expressivo se apresenta como um grande desafio para uma retomada sustentável”, afirma o presidente da Abear, Eduardo Sanovicz.

Para piorar, cerca de 51% dos custos das companhias aéreas são indexados pela moeda norte-americana, incluindo itens como arredamento de aeronaves, seguros e manutenção, o que tem deixado a operação ainda mais cara em virtude da recorrente desvalorização do real. 

O aumento das passagens aérea, vale ressaltar, ainda tem espaço para mais carestia. Isso porque, além da incorporação dos atuais custos, a comparação com 2020 é feita sobre uma base defasada, já que o período do ano passado foi marcado pela intensa crise da pandemia da covid-19. Para se ter uma ideia, no terceiro trimestre de 2020, os bilhetes estavam 20,3% mais baratos do que no mesmo período de 2019, segundo os dados da Anac. 

 

 

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