Consumo

Consumo de carne bovina na pandemia foi o menor em 25 anos no Brasil

Consumo de carne caiu de 42,8 para 26,5 quilos por habitante em 2021. Tendência também foi percebida em 2020, graças à inflação e ao desemprego e deverá permanecer no próximo ano

Adriana Guarda
Adriana Guarda
Publicado em 29/12/2021 às 18:13
REPRODUÇÃO/PIXABAY
Alta dos preços fez carne bovina ir sumindo do carrinho de compras do brasileiro - FOTO: REPRODUÇÃO/PIXABAY
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Cada brasileiro costuma comer, em média, mais de 40 quilos de carne bovina por ano, mas em 2021 foi diferente. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que este ano o consumo per capita caiu quase 40%, ficando em 26,5 quilos, o menor volume em um período de 25 anos. A explicação está na pandemia e na inflação. 

Matéria do Valor publica estudo de pesquisadores do Centro de Inteigência da Carne Bovina (CiCarne), da Embrapa Gado de Corte, de Mato Grosso do Sul, apontando esta queda no consumo. A retração começa a ser percebida desde 2020, quando o consumo médio da proteína foi de 29,3 quilos por habitante. A escalada dos preços e o avanço do desemprego corroeram o poder de compra do brasileiro e fizeram a carne ser produto cada vez mais raro no carrinho de compra do brasileiro, sobretudo dos mais pobres. 

A queda se nota desde o ano passado, quando o consumo médio da proteína foi de 29,3 quilos por habitante. O cenário resulta do encarecimento dos cortes e do menor poder de compra das pessoas, devido ao avanço da inflação e do desemprego. Para o CiCarne, o cenário deverá mudar “em um futuro próximo”. “Esperamos um crescimento constante à medida que a renda e as preferências alimentares se expandam. A tendência de percepção de mais saúde [ao consumir a proteína] também será forte na carne bovina”, afirmam os pesquisadores Guilherme Malafaia e Sérgio de Medeiros, segundo o Valor.

Mercado interno ainda em baixa em 2022

Como o mercado inerno representa 75% do consumo de carne no Brasil, a tendência é que o consumo continue em baixa em 2022. Isso  porque a alta dos preços e o desemprego ainda devem continuar pressionando o consumo no País. 

Segundo o Valor, "apesar de o brasileiro ter trocado o bife pelo frango, os preços da carne de boi não cederam. Uma causa é o ciclo da pecuária, quando há menos animais disponíveis para abate. No terceiro trimestre deste ano, por exemplo, os abates recuaram 10,7%, ante igual período de 2020, para 6,94 milhões de cabeças, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)".

De acordo com o CiCarne, este ano foi marcado por realidade similar à de 2020, com falta de animais para abastecer o mercado doméstico. Fora o efeito do ciclo pecuário, a escassez de chuvas nos principais polos produtores também afetou a engorda. Assim, o patamar de preços da arroba do boi gordo se manteve acima de R$ 300 no primeiro semestre.

Ainda de acordo com o Valor, os preços não cederam significativamente nem quando a China, principal importador, interrompeu compras em setembro, por causa de dois casos atípicos de “vaca louca”. Os asiáticos importaram 50% de 1,27 milhão de toneladas embarcadas pelo Brasil entre janeiro e setembro. O embargo durou mais de três meses, mas foi suspenso.

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