Autoridade monetária | Notícia

Campos Neto diz que está trabalhando em transição bastante suave no Banco Central

Ao descrever a passagem pelo BC como o período mais feliz de sua vida, Campos Neto defendeu que as instituições valem mais do que as pessoas

Por Estadão Conteúdo Publicado em 30/08/2024 às 16:39

A quatro meses de encerrar o mandato, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse nesta sexta-feira, 30, que está trabalhando numa transição bastante suave. Ao descrever a passagem pelo BC como o período mais feliz de sua vida, Campos Neto, que foi alvo de ataques do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu que as instituições valem mais do que as pessoas, não o contrário.

"Não é sobre o Roberto Campos, é sobre o Banco Central, é sobre a institucionalidade, sobre o processo de autonomia e sobre a continuação do trabalho técnico que tem sido feito", declarou o banqueiro central, ao abordar brevemente a sua jornada no BC, durante participação em evento da XP Investimentos.

Trabalho para levar inflação à meta

O presidente do Banco Central repetiu que a autarquia fará o que for preciso para levar a inflação ao centro da meta, de 3%. Segundo ele, a despeito de o último dado de inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) de agosto, ter vindo melhor, a inflação ainda requer atenção.

"Apesar do último número melhor, a inflação requer atenção. A atividade segue forte na ponta e não existe evidência de que o mercado de trabalho está em ponto de inflexão", disse Campos Neto.

Ciclo de ajustes gradual, se existir

Após repetir que a autoridade monetária fará o que for preciso para levar a inflação à meta de 3%, o presidente do Banco Central disse que o ciclo de ajuste juros, quando e se houver, será gradual.

Ele voltou a dizer que a assimetria do balanço de riscos não é um guidance, abandonado pelo BC, que prefere adotar uma linha data dependent no momento.

"Nós também temos dito que nós entendemos que existe hoje um prêmio de risco na parte curta da curva de juros que não é compatível com a mensagem que foi transmitida na ata e nas comunicações e que foi fruto da convergência de opiniões da diretoria colegiada. E por fim nós entendemos que se e quando houver um ciclo de ajustes nos juros, esse ciclo será gradual", afirmou Campos Neto.

Ainda de acordo com ele, o BC tem enfatizado que não existe ciclo de credibilidade. "A credibilidade se conquista com uma política monetária baseada em um arcabouço técnico e comunicado com transparência."

Função de intervenção no câmbio é atuar em disfuncionalidade

Campos Neto disse que a função das intervenções da autarquia no câmbio é atuar na disfuncionalidade. Ele reiterou que a taxa de câmbio é flutuante, mas enfatizou que o BC tem reservas suficientes para fazer intervenções no mercado quando necessário.

"Se for preciso mais intervenções no câmbio, assim faremos", enfatizou o presidente do BC durante abertura, nesta sexta-feira, da Expert XP, em São Paulo.

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