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Juizado do Torcedor pede cadastramento de organizadas para reduzir violência no futebol

Juiz titular do Juizado do Torcedor, Flávio Fontes, falou sobre a violência que marcou o jogo entre Sport e Santa Cruz. Ele também mencionou medidas que podem reduzir o caos

Gabriela Máxima
Gabriela Máxima
Publicado em 09/03/2020 às 10:15
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ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
Torcida organizada do Santa Cruz, Inferno Coral, agradeceu aos participantes do que chamaram de " invasão a casa de festejos" - ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
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Menos de um mês depois da extinção das Torcidas Organizadas em Pernambuco, membros da Inferno Coral e Jovem do Sport protagonizaram episódios de terror no último sábado, antes do jogo entre Leão e Santa Cruz na Ilha do Retiro. De acordo com o juiz titular do Juizado Especial do Torcedor, Flávio Fontes, a Justiça extinguiu as facções, mas a medida não é suficiente para acabar de vez com esses grupos. "Não é uma medida mágica", disparou. Fontes ainda destacou duas ações que são prioridades: a necessidade de identificar os responsáveis pela violência e executar estratégias mais eficientes para reduzir o caos na cidade. 

"São duas coisas importante: é necessário que haja um planejamento maior e melhor da Polícia Militar e que a gente comece a identificar essas pessoas por meio de reconhecimento facial e o cadastramento dos membros. Foram executadas estratégias diferentes. Por exemplo, não houve escolta (no jogo de sábado), mas houve a ação do helicóptero monitorando a movimentação nas proximidades do estádio. Também pode-se pensar em uma ação da PM no nascedouro dos grupos como Camaragibe e Jaboatão", observou Flávio Fontes.

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O juiz também chamou a atenção para a medida de reconhecimento facial dos líderes das facções. De acordo com o Fontes, existe um problema grave, mas não as autoridades não sabem quem são essas pessoas.

"Não há medida mágica. Fórmula mágica. Não existe uma atitude única que resolva toda essa questão.  Porque não envolve só o jogo. É bem mais amplo. A gente quer uma solução rápida. É como aquele pensamento: 'não há solução simples para um problema complexo'", falou o juiz, que continuou. "É uma questão de estratégias para serem tomadas. O Estatuto do Torcedor tem 16 anos. É uma lei federal que exige cadastro e até hoje nunca fizeram aqui em Pernambuco. Em outros estados sim. Eu entrei na titularidade do Juizado em setembro de 2019 e uma das minhas prioridades é firmar parcerias e resolver a questão do cadastro. Como vou enfrentar o problema com determinadas pessoas se eu não sei quem elas são?", questionou.

REUNIÕES 

As autoridades têm uma série de reuniões marcadas para discutir o problema das torcidas organizadas em Pernambuco. Na próxima sexta-feira, haverá uma reunião no Tribunal de Justiça com a comissão dos direitos humanos. Na ocasião, o poder judiciário ouvirá algumas pessoas ligadas ao segmento e todos discutirão formas de controlar essas facções. Na última quinta-feira, houve uma reunião do Pacto Pela Vida sobre a presença das uniformizadas. "Já entrei em contato com pessoas da PM no sentido de discutir novas estratégias ou estratégias de outros estados que deram certo. São Paulo, Rio são estados maiores que continuam com torcidas organizadas, mas essas confusões são episódicas", finalizou. 

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