Fifagate

Esquema de corrupção na Copa da Rússia pode render 20 anos de prisão a Ricardo Teixeira e envolvidos

Promotoria de Nova York ouve novos envolvidos no Fifagate sobre oferecimento de propina a dirigentes em troca de apoio para copas da Rússia e do Catar

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Publicado em 09/04/2020 às 11:48
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Ricardo Teixeira encontra-se em Miami e diz que é vítima de perseguição do governo dos Estados Unidos - FOTO: Foto: Divulgação
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Laura Bonilla

A empresa uruguaia de esportes Full Play e os dois ex-executivos da American 21st Century Fox -responsáveis pelo desenvolvimento de seus negócios na América Latina - deverão comparecer perante a juíza federal do Brooklyn, Pamela Chen, nesta quinta-feira. Eles vão responder sobre uma nova acusação de corrupção, fraude bancária e lavagem de dinheiro, que revelou mais detalhes sobre os supostos subornos pagos aos executivos da Fifa para que Rússia e Catar sediassem as Copas do Mundo de 2018 e 2022.

O ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira também está sendo acusado dos mesmos crimes pela Promotoria de Nova York. Cada um dos crimes prevê uma sentença máxima de 20 anos de prisão. Teixeira disse que sofreu retaliação do ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, por ter votado no Catar para receber a Copa do Mundo de 2022.

Os novos réus no Fifagate são os dois ex-executivos da Fox Hernán López, de 49 anos, e Carlos Martínez, 51; o empresário espanhol da Imagina, Gerard Romy, de 65 anos, e a empresa uruguaia de marketing esportivo Full Play, com sede em Buenos Aires e de propriedade dos réus argentinos Hugo e Mariano Jinkis, fugitivos da justiça americana.

Fifagate tem 45 acusados

No âmbito do escândalo da Fifa, que eclodiu em 2015, o governo dos EUA acusou cerca de 45 pessoas e várias empresas esportivas de mais de 90 crimes e de pagar ou aceitar mais de 200 milhões de dólares em subornos.

Dos quase 45 acusados, cinco morreram, 26 se declararam culpados e desses, pelo menos seis foram condenados.Doze ainda estão em seus países, onde foram processados pela justiça local ou são livres enquanto combatem a extradição.

Detalhes do caso

A atualização do processo que tramita no tribunal federal do Brooklyn, em Nova York, especifica que os réus Ricardo Teixeira, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), e o paraguaio Nicolás Leoz, ex-presidente da Conmebol, receberam propinas em troca de votar na candidatura Catar-2022 no Comitê Executivo da Fifa, em dezembro de 2010.

Essa informação já havia sido divulgada durante o julgamento de três acusados em Nova York no final de 2017: o ex-presidente da CBF, José Maria Marín, o ex-chefe da Conmebol, o paraguaio Juan Ángel Napout e o ex-presidente da Federação Peruana, Manuel Burga.

Após o julgamento do Fifagate em Nova York, Marin e Napout foram condenados a penas de prisão. Burga foi absolvido.

Libertado da prisão antes do fim da pena por ser do grupo de risco do novo coronavírus, Marin chegou na manhã do domingo 29 de março, no Brasil. O ex-presidente da CBF, de 87 anos, desembarcou no Aeroporto de Viracopos, em Campinas.Ele estava preso desde o fim de maio de 2015, inicialmente na Suíça e depois nos Estados Unidos (parte da prisão foi domiciliar), onde foi condenado por corrupção. Assim, ficou cerca de cinco anos afastado do País.

Durante esse processo, o ex-esportista argentino Alejandro Burzaco, testemunha da acusação, disse que Teixeira, Leoz e o ex-chefe de futebol argentino Julio Grondona, já falecido, votaram em Catar-2022 em troca de subornos de mais de um milhão de dólares cada um.

A acusação, atualizada nesta segunda-feira, também garante que Jack Trinner, ex-presidente da Confederação de Futebol da América do Norte, América Central e Caribe (Concacaf), recebeu subornos de 5 milhões de dólares e que foi prometido ao ex-chefe do futebol guatemalteco Rafael Salguero um milhão em troca de seus votos a favor da Rússia para receber a Copa do Mundo de 2018.

Teixeira e Warner estão livres em seus respectivos países, onde nunca foram julgados. Salguero se declarou culpado, colaborou com a justiça dos Estados Unidos e, portanto, foi libertado da prisão quando condenado em dezembro de 2018.

"Arrancar corrupção pela raiz"

Os dois ex-executivos da Fox e Gerard Romy foram acusados de pagar propinas milionárias a ex-dirigentes da Conmebol, Concacaf e da América Central em troca de contratos lucrativos para a transmissão de amistosos, Copa Libertadores, Copa América e eliminatórias para os mundiais de 2018 e 2022.

"As acusações divulgadas  refletem o compromisso contínuo da promotoria de erradicar a corrupção nos mais altos escalões do futebol internacional e em empresas comprometidas em promover e difundir o esporte", disse o advogado de Nova York Richard Donoghue em um comunicado.

Os dirigentes esportivos "precisam entender que serão levados à justiça se usarem o sistema financeiro americano para fins de corrupção", acrescentou.

Romy também é acusado de conspiração para cometer um crime por pagar suborno de 3 milhões de dólares ao ex-chefe da Concacaf Jeffrey Weber Full Play e os dois ex-executivos da Fox - ex-executivos seniores das afiliadas da Fox responsáveis pelo desenvolvimento de seus negócios na América Latina.

PODCAST

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