Tênis

Nadal relata dias difíceis de confinamento: 'Carreira é o que menos importa agora'

Tenista espanhol passou por um momento depressivo e não vê o circuito profissional retornando logo por ter torneios e jogadores espalhados por todo o planeta

Estadão Conteúdo
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Publicado em 17/04/2020 às 14:15 | Atualizado em 17/04/2020 às 14:34
Anne-Christine POUJOULAT / AFP
Por causa da cirurgia no tornozelo, Rafael Nadal não vai disputar a ATP Finals - FOTO: Anne-Christine POUJOULAT / AFP
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A pandemia do novo coronavírus tem afetado o esporte por todo o mundo já há mais de um mês. Cumprindo o confinamento estabelecido pelas autoridades sanitárias de seu país, o tenista espanhol Rafael Nadal lamentou nesta quinta-feira a atual situação e disse não ver o circuito profissional retornando logo por ter torneios e jogadores espalhados por todo o planeta.

"Nosso esporte é global, nos movemos semana a semana ao redor do mundo. Organizar um torneio de tênis envolve mobilizar muitas pessoas de um lugar para outro e isso é muito arriscado. Acho que até que haja uma cura, a situação não vai melhorar e será complicado voltar. Devemos ter muita responsabilidade e paz de espírito", afirmou o atual número 2 do ranking da ATP, que se preocupa mais com as pessoas do que com o esporte.

"Quando há tantas pessoas sofrendo como agora, o que menos importa é a minha carreira. De qualquer forma, acho que será difícil disputar um torneio a curto ou médio prazo porque o tênis é um esporte global", disse Nadal, em entrevista à rádio espanhola Cadena Cope, que não acredita em competições disputadas com os portões fechados.

O tenista espanhol revelou que viveu dias difíceis em termos psicológicos durante pouco mais de uma semana no início do confinamento em sua casa, na cidade espanhola de Manacor, onde também tem uma academia de tênis na qual mantém em quarentena os jovens alunos e jogadores, de 42 países, e seus funcionários (técnicos, pessoal de apoio, equipe de limpeza e voluntários) desde o início da pandemia na Espanha. Segundo ele, mesmo querendo superar a "falta de vontade", as notícias ruins que se sucediam contribuíram para deixá-lo em um estágio depressivo. 


"Era difícil ter vontade de qualquer coisa"

 

"Estou melhor agora que passaram três semanas para ser sincero. Ainda que a gente saiba que ficaremos mais tempo confinados porque a situação é o que é. Mas, ao menos, eu creio que nós, seres humanos, nos adaptamos ao que acontece. Temos essa capacidade, sem dúvidas. E também há outra coisa. No começo de tudo, as notícias que iam saindo eram tão terríveis que era difícil ter vontade de qualquer coisa. Fiquei em casa uma semana e pouco, fazendo meu esporte, minhas coisas, mas sem vontade. Evidentemente triste porque não ter vontade é algo que me incomodava. Tinha vontade de levantar e fazer coisas que me ajudassem a estar melhor. Mas, a verdade é que estava muito difícil. Ficava o dia todo vendo a televisão, ouvindo coisas ruins que nos contavam. E realmente não havia nada positivo. Era tudo negativo. E foi difícil me afastar de tudo isso", contou Nadal, em uma outra entrevista, desta vez para a rádio Onda Cero.

"Tento me manter ativo e fazer as atividades físicas prescritas, mas ganhei um pouco de peso. De qualquer forma, o que menos importa para mim agora é o tênis", disse o espanhol, reconhecendo que não tem sido fácil manter a forma física nas atuais circunstâncias.

 

Nas redes sociais, Nadal tem mostrado seus treinamentos físicos, improvisou um tênis com a irmã e se arriscou até mesmo a cozinhar. Ao mesmo tempo, o tenista tem participado de campanha e feito doação para o combate do novo coronavírus.

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