OLIMPÍADA

Polônia concede visto à atleta olímpica bielorrussa ameaçada de repatriamento

A atleta bielorrussa Krystsina Tsimanóuskaya, ameaçada de repatriamento forçado para seu país após criticar as autoridades esportivas nos Jogos Olímpicos de Tóquio, recebeu um visto humanitário da Polônia

Marcos Leandro
Marcos Leandro
Publicado em 02/08/2021 às 12:16
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Atleta bielorrussa acionou a polícia no aeroporto do Japão - FOTO: AFP
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A atleta bielorrussa Krystsina Tsimanóuskaya, ameaçada de repatriamento forçado para seu país após criticar as autoridades esportivas nos Jogos Olímpicos de Tóquio, recebeu um visto humanitário da Polônia nesta segunda-feira (2). O caso, que abala os Jogos desde domingo, chega após quase um ano de uma repressão brutal a qualquer protesto em Belarus, uma antiga república soviética entre a Rússia e a União Europeia (UE) governada com mão de ferro desde 1994 pelo presidente Alexander Lukashenko.

A velocista teme ser presa se retornar ao seu país, que, no último ano, vivenciou milhares de prisões e exílios forçados de opositores, assim como a liquidação de muitas ONGs e veículos independentes.

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Na noite de domingo (1º), Tsimanouskaya denunciou que foi forçada por seu técnico, Yuri Moiseyevitch, a deixar os Jogos Olímpicos e que, mais tarde, funcionários do Comitê Olímpico de Belarus acompanharam-na até o aeroporto para que voltasse para seu país.

Poucos dias antes, a atleta havia criticado duramente a Federação de Atletismo de seu país por obrigá-la a participar do revezamento 4x400 metros. Inicialmente, ela teria de correr as provas de 100m e 200m. Segundo Tsimanouskaya, a imposição se deveu ao fato de dois outros velocistas bielorrussos não terem passado nos controles antidoping.

A atleta foi escoltada até o aeroporto por funcionários do Comitê Olímpico Nacional de Belarus, onde deveria passar a noite em um hotel antes de voltar para casa.

Durante a noite, porém, ela conversou com responsáveis do comitê de organização dos Jogos para que a ajudassem a não embarcar para Belarus.

A atleta rejeitou o retorno forçado, porque diz ter "medo" de acabar na prisão. A jovem era pouco conhecida antes deste caso, mas havia expressado publicamente sua simpatia pelo movimento anti-Lukashenko.

Nesta segunda-feira, ela compareceu à embaixada polonesa em Tóquio, e o governo polonês confirmou ter-lhe concedido um visto humanitário. Tsimanouskaya recebeu um visto humanitário, e "a Polônia fará o que for preciso para ajudá-la a continuar sua carreira esportiva", escreveu no Twitter o vice-ministro polonês das Relações Exteriores, Marcin Przydacz, cujo país recebe muitos dissidentes bielorrussos. República Tcheca e Eslovênia também se ofereceram para acolhê-la.

Seu marido, Arseni Zdanevitch, contatado por telefone pela AFP, disse que foi para a Ucrânia, devido ao conflito entre sua esposa e as autoridades bielorrussas, que ameaçaram a "segurança" do casal. Ele planeja se encontrar com ela na Polônia.

 

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