Coluna do Estadão

Cargo ocupado por Bruno Pereira na Funai está vago

Servidores dizem, sob reserva, que a gestão de Marcelo Xavier na Funai tem usado como estratégia manter interinos em cargos-chave como uma forma de enfraquecer os comandos de técnicos do órgão

Mariana Carneiro
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Mariana Carneiro
Publicado em 20/06/2022 às 7:04
REPRODUÇÃO DE VÍDEO
ATUAÇÃO Bruno Pereira lutava em defesa dos povos indígenas, mesmo após ser exonerado da Funai em 2019 - FOTO: REPRODUÇÃO DE VÍDEO
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O cargo de coordenador-geral de índios isolados da Funai, exercido por Bruno Pereira até setembro de 2019, está sem um titular desde janeiro, quando Marcelo Fernando Torres foi exonerado. Atualmente, Geovanio Pantoja ocupa a posição na condição de interino. Servidores dizem, sob reserva, que a gestão de Marcelo Xavier na Funai tem usado como estratégia manter interinos em cargos-chave como uma forma de enfraquecer os comandos de técnicos do órgão. Depois que Pereira deixou o cargo, dois substitutos passaram pela função e apenas uma única viagem foi feita ao Vale do Javari, onde ele foi assassinado junto com o jornalista Dom Phillips. Foi em agosto de 2020 após uma ordem do STF.

Manda

A incursão só ocorreu porque o ministro do Supremo Luís Roberto Barroso ordenou que o governo
federal tomasse medidas para controlar o contágio de covid entre indígenas.

Propósito

Segundo relatos de ONGs que atuam no local, o então coordenador Ricardo Lopes Dias usou a viagem para viabilizar a entrada da Missão Novas Tribos do Brasil (MNTB), congregação evangélica da qual faz parte e que atua na conversão de indígenas. Procurada, a Funai não se manifestou.

Costura

Autor da PEC do Centrão que permite ao Congresso anular decisões do STF, o deputado Domingos Sávio
(PL-MG) vai buscar apoio da Frente Parlamentar do Empreendedorismo, que tem 214 membros, em almoço nesta terça. A PEC foi revelada pelo Estadão.

Metamorfose

Amigos de Geraldo Alckmin dizem que uma parada no McDonald's há alguns dias indica que ele chegou ao que chama de "3ª fase" da união com Lula. Após negação e revolta de seus eleitores, furiosos porque ele se aproximou do PT, Alckmin vive agora uma onda de popularidade com jovens lulistas, que o abordam para tirar selfies.

Palco

Apesar de a aprovação ser considerada difícil neste ano, o objetivo é obter apoio para que a PEC comece a tramitar e ganhe uma comissão especial para que o debate contra o STF possa ocorrer. Bolsonaristas creem que isso ajudará também na campanha do presidente.

Foco

As críticas às agências reguladoras, que também são alvo de uma PEC que ainda não tem apoio para
avançar no Congresso, já não se restringem à Aneel. Em reunião recente de líderes do governo, houve
queixas contra a Agência de Mineração, que estaria dificultando a liberação para novas explorações.

Intriga

Bolsonaristas querem dissuadir o presidente a nomear a advogada Ana Blasi para o TRF4. Ele analisa lista tríplice para preencher a vaga de desembargador dedicada a advogados. Blasi concorre com Marcelo
Bertoluci e Alaim Stefanello.

Intriga 2

Para aliados do presidente, Blasi poderia vir a ser uma detratora no tribunal. Falam em aparições dela com petistas, como em evento pró-vacina em 2021, e sobre ela ter sido nomeada por Dilma Rousseff para o TRE de SC em 2015.

Pronto, falei

"Ou o governo federal acaba com essa desastrosa política de preços da Petrobras ou a inflação e os
juros vão explodir a economia brasileira", afirma Mauro Benevides, deputado federal (PDT-CE)

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