Moda comfy: conforto como protagonista da vez

Mirella Martins
Mirella Martins
Publicado em 18/10/2020 às 2:00
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Você provavelmente tem uma roupa de estimação. Aquela peça com que fica à vontade, ideal para todos os momentos. Textura gostosa, solta, que combina com tudo. Boa companhia para bater-perna e "melhor amiga" para viagens longas. Essa forma de vestir-se foi ressignificada e ganhou nome: moda comfy. Trata-se de um retorno ao básico, com tecidos macios, modelagens amplas, cores neutras. Vale salientar que não é algo desleixado, sem conexão ou diálogo. É a volta ao conforto supremo; despojado apenas.

Segundo a professora de design de moda, pesquisadora e consultora Samantha Pimentel, a origem do termo data da década de 50, uma inspiração no estilo american sportwear, mas que se popularizou nos últimos anos, tendo atingido o ápice agora com o distanciamento social imposto por conta do coronavírus. "Hoje, as pessoas procuram por produtos mais confortáveis e que otimizem seu tempo para executarem as atividades; do trabalho ao passeio. Com a pandemia, esse estilo de roupas e acessórios ganhou força, devido ao escritório e atividades laborais e foi para dentro das casas. Assim, conforto e bem-estar tornaram-se prioridades na produção", explica.

Para Camila Scarpa, idealizadora da Boutique Brechó Dondoca Vende Tudo, a ideia é bem simples, "É uma roupa para te dar liberdade, tanto de estilo como de movimento. As peças priorizam um caimento leve, sem muitos detalhes e tecidos que dão mais a sensação de acolhimento", relata a empresária.

Já Camila Bessa, da loja que leva seu nome, em Boa Viagem, trata-se de um look ideal para o dia a dia corrido, quando você não quer montar nada complexo. "A procura, na fase atual, está crescente, para todos os tipos de público. Você pode usar peças como camiseta básica de algodão, jeans, calça com tecidos leves e finos, conjuntos monocromáticos e corte skinny. É para se jogar no despojado e casual, porém sem perder o toque feminino", ressalta.

O uso de sobreposições despretensiosas caracterizam também essa forma de se vestir. Suéteres com camisa aparente por baixo, jaquetas e casacos de moletom. No Recife, por conta do calor, temos que, no máximo, amarrar uma camisa ou casaco na cintura. "São diversas as combinações que podem ser feitas, mas a regra principal é se sentir bem, confortável e valorizada. Busquem por produtos mais funcionais, leves, confortáveis, que tenham fibras têxteis naturais em suas composições, pois potencializa a respiração e o frescor de nosso corpo durante o uso, além de moletons com camisas e calças mais soltas para que possam se movimentar sem muitos esforços", ensina Samantha.

As calças jogger e o moletom são os protagonistas do estilo comfy. Devido aos seus tecidos, as modelagens proporcionam conforto na utilização. Para compor a produção e não ficar com aquele ar de "férias em casa", opte por combinar com peças mais clássicas, como blazers, calças de alfaiataria, transparências com sapatos e sandálias de salto. "Uma modelo referência no mundo da moda por utilizar um visual mais despojado e leve é Gisele Bündchen. Outra personalidade é Giovanna Ewbank, que preza por esse estilo", garante a professora e consultora de moda.

Para os acessórios, a dica é investir no minimalismo, com brincos pequenos, colares "megas", pulseiras e anéis fininhos. Os lenços são apostas bem divertidas e versáteis, podendo ser usados na cabeça ou para finalizar como detalhe de acessórios, ou até no pescoço. Se for investir em bolsas, procure algo sem muito volume ou detalhe. As utilitárias são bem-vindas, sobretudo, as que fazem o estilo mochilas e sacolões. Nos pés, sapatênis e sapatilhas. Para as amantes de salto-alto, aposte nos grossos.

AUTOACEITAÇÃO

Além de um estilo que prioriza o conforto, a moda comfy incentiva a autoaceitação do corpo. A norma é sentir-se bem, inspirando diversas mulheres a valorizar seu corpo e considerar seu bem-estar em primeiro lugar. "O movimento de representatividade do corpo serve como quebra de padrões e destaca a moda plus size, que, de acordo com a Inteligência de Mercado, movimentou cerca de R$ 5,6 bilhões em produtos de moda/vestuário no ano de 2017", explica Samantha Pimentel.

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