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11 de setembro: 19 anos do atentado às torres gêmeas em Nova York

As homenagens tradicionais da data tiveram mudanças devido a pandemia do coronavírus

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Publicado em 11/09/2020 às 8:31
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Seth McCallister/AFP
Às 8h46, o primeiro avião comercial sequestrado pela Al Qaeda atingia uma das torres do World Trade Center (WTC), em Nova York - FOTO: Seth McCallister/AFP
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Nesta sexta-feira (11), completam-se 19 anos do atentado às torres gêmeas do World Trade Center, na cidade de Nova York. O ataque terrorista aos Estados Unidos não apenas chocou o mundo: deu origem às guerras do Afeganistão e do Iraque com a caça à Osama bin Laden (Al-Qaeda), provocou mudanças nas leis antiterroristas pelo mundo e impactou economicamente o País e os mercados mundiais. Com a pandemia, as homenagens do dia também tiveram que ser alteradas.

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Cerca de 3 mil pessoas perderam a vida pelo atentado - AFP

O atentado

Na manhã daquele dia, dezenove terroristas sequestraram quatro aviões comerciais de passageiros. Os sequestradores colidiram intencionalmente dois dos aviões contra as Torres Gêmeas do complexo empresarial do World Trade Center, na cidade de Nova Iorque. Ambos os prédios desmoronaram duas horas após os impactos, destruindo edifícios vizinhos e causando vários outros danos.

O terceiro avião de passageiros colidiu contra o Pentágono, a sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, no Condado de Arlington, Virgínia, nos arredores de Washington, D.C.. O quarto avião caiu em um campo aberto próximo de Shanksville, na Pensilvânia, depois de alguns de seus passageiros e tripulantes terem tentado retomar o controle da aeronave dos sequestradores, que a tinham reencaminhado na direção da capital norte-americana.

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Bombeiro solicita mais equipes de resgate durante o trabalho de busca por sobreviventes dos ataques ao World Trade Center - AFP
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Ruínas do World Trade Center são vistas na Ilha de Manhattan, em Nova York - AFP

Ao todo, foram quase 3 mil vítimas. Todos os passageiros, tripulantes e terroristas a bordo dos quatro aviões morreram. Bombeiros, policiais, paramédicos, funcionários do Pentágono e centenas de pessoas que trabalhavam no WTC e nos arredores também foram vitimados naquele dia. Outros morreram nos anos seguintes até por doenças relacionadas a fumaça tóxica.

Osama bin Laden reivindicou abertamente os atentados em uma gravação divulgada pelo canal de televisão via satélite Al Jazeera. Ele foi morto durante o governo de Barack Obama, no dia 1º de maio de 2011, em Abbottabad, no Paquistão. A execução aconteceu em ofensiva de grupo especial da Marinha americana.

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Entre os arquivos do terrorista, morto em 2011, estava um episódio de Pica Pau dublado em português e um vídeo sobre crochê feito por uma brasileira - Foto: AFP

 

Efeitos

O presidente americano da época, George W. Bush, apareceu em rede nacional de televisão naquela noite, e prometeu punir aqueles que ajudaram a realizar os ataques. "Não faremos distinção entre os terroristas que cometem esses atos e aqueles que os abrigam". Ele foi acusado de estimular a discriminação contra muçulmanos-americanos e árabes-americanos.

Como resultado dos ataques, muitos governos por todo o mundo alteraram ou criaram uma legislação antiterrorismo. Na Alemanha, onde vários dos terroristas do 11 de setembro tinham morado e tirado proveito das políticas alemãs liberais de asilo, dois grandes pacotes de leis antiterrorismo foram decretados. Já o Canadá aprovou Lei Canadense Antiterrorismo, a primeira legislação antiterrorismo da nação. O Reino Unido decretou a Lei de Antiterrorismo, Crime e Segurança de 2001 e a Lei de Prevenção ao Terrorismo de 2005.

Nos Estados Unidos, o Departamento de Segurança Interna foi criado para coordenar os esforços nacionais antiterrorismo. O USA PATRIOT Act deu ao governo federal mais poder, incluindo a autoridade de deter estrangeiros suspeitos de terrorismo por uma semana sem acusação, para monitorar as comunicações de telefone, e-mail e o uso da internet por suspeitos de terrorismo e para processar suspeitos de terrorismo sem restrições de tempo. Os Estados Unidos responderam aos ataques com o lançamento da “Guerra ao Terror”.

O país declarou unilateralmente guerras ao Afeganistão e ao Iraque. A primeira invasão promovida pelos EUA após o 11 de Setembro de ocorreu no Afeganistão, país comandado pelo grupo fundamentalista islâmico Talibã e acusado de abrigar as tropas da Al-Qaeda, responsável pela organização dos atentados em território americano. A ação militar dos EUA conseguiu derrubar o governo dos mulás do Talibã e constituir um governo mais próximo aos seus interesses.



O atentado também teve efeitos econômicos. Em Nova York, cerca de 430 mil postos de trabalho por mês e 2,8 bilhões de dólares em salários foram perdidos nos três meses seguintes ao 11/09. Os efeitos econômicos foram mais fortes principalmente nos setores econômicos da cidade que lidavam com exportações.

Estima-se que o PIB da cidade diminuiu 27,3 bilhões dólares nos últimos três meses de 2001 e em todo o ano de 2002. O governo federal concedeu 11,2 bilhões de dólares em assistência imediata ao Governo de Nova Iorque em setembro de 2001 e 10,5 bilhões de dólares no início de 2002 para o desenvolvimento econômico e para necessidades de infraestrutura.

O espaço aéreo estadunidense foi fechado por vários dias após os ataques e as viagens aéreas diminuíram após a sua reabertura, levando a uma redução de quase 20% da capacidade de transporte aéreo e agravando os problemas financeiros da indústria aérea do país.

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Desde o 11 de Setembro, os Estados Unidos têm sido vítima de atentados de extremistas islâmicos - AFP

Pandemia muda homenagens

Apesar de não deixar de ser lembrado, a pandemia do coronavírus vai alternar a forma como as homenagens acontecem em Nova York, que foi fortemente atingida pela covid-19. A tradicional leitura dos nomes das vítimas que morreram depois que os aviões atingiram as torres gêmeas na manhã de 11 de setembro de 2001 foi modificada. Nos anos anteriores, os familiares de cada uma das pessoas liam os nomes delas em uma cerimônia que se tornou tradicional.

Foto: TIMOTHY A. CLARY / AFP
Dezessete anos depois dos atentados, os restos mortais de mais de 1.100 vítimas ainda aguardam identificação - Foto: TIMOTHY A. CLARY / AFP

Este ano, em uma tentativa de evitar aglomerações, a leitura dos nomes será gravada previamente e exibida em uma transmissão pela internet. O mesmo vai acontecer nas cerimônias em homenagens às pessoas que morreram na queda do voo 93, na Pensilvânia, e no Pentágono, em Washington.

As máscaras, o álcool gel e o distanciamento social fazem parte do novo protocolo. Não apenas na cerimônia, mas também no museu do memorial, que está fechado desde março por causa da pandemia, mas será reaberto para os parentes de vítimas nesta sexta e para o público em geral.

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