Política

Chilenos votam mudança na Constituição entre a incerteza e a esperança

No que é considerado o processo eleitoral mais relevante desde o retorno à democracia há três décadas, mais de 14,7 milhões de chilenos estão convocados a votar neste plebiscito em que decidirão pelas opções "Aprovo" ou "Rejeito" sobre uma Carta Magna que teve várias reformas durante a democracia

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Publicado em 25/10/2020 às 16:32
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Urnas abrem no Chile para plebiscito histórico de nova Constituição - FOTO: JAVIER TORRES / AFP
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Com máscaras e esperança, os chilenos votam neste domingo (25) se mudam a Constituição redigida durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), um ano após uma marcha histórica que reuniu mais de 1,2 milhão de pessoas uma semana depois do início dos protestos sociais.

No que é considerado o processo eleitoral mais relevante desde o retorno à democracia há três décadas, mais de 14,7 milhões de chilenos estão convocados a votar neste plebiscito em que decidirão pelas opções "Aprovo" ou "Rejeito" sobre uma Carta Magna que teve várias reformas durante a democracia.

O presidente do Chile Sebastián Piñera votou cedo e pediu aos seus compatriotas que compareçam às urnas "porque todas as vozes importam". Também pediu que "rejeitem a violência e abracem o caminho da unidade", acrescentou no Colégio San Francisco del Alba, no bairro nobre de Las Condes.

"Qualquer que seja o resultado, esta noite não é o fim, é o começo do futuro", destacou o presidente conservador que assumiu o poder em março de 2018 e que enfrenta a crise social mais severa vivenciada pelo Chile em seus 30 anos de democracia, agravada pelo golpe econômico imposto pela pandemia de coronavírus.

"Esperamos muito mais de um ano (por isso), é um evento histórico em nosso país", disse à AFP emocionado Elías Pérez, um psicólogo de 39 anos, que quis ser um dos primeiros a votar no Estádio Nacional de Santiago, local emblemático na história chilena transformado no maior centro de votação do país no dia de hoje.

O referendo foi decidido após um amplo acordo político alcançado em novembro do ano passado, quase um mês após o início, em 18 de outubro de 2019, dos protestos sociais e confrontos violentos com a Polícia após o aumento da passagem do metrô de Santiago.

Uma semana depois, em 25 de outubro, ocorreu o maior protesto já feito na democracia. Mais de 1,2 milhão de pessoas se reuniram em torno da Plaza Italia de Santiago, uma demonstração da profundidade e amplitude do descontentamento social acumulado em décadas em um país considerado um modelo de crescimento econômico e de estabilidade na América Latina.

As pesquisas projetam um grande apoio à opção "Aprovo", com entre 60% e 75% das preferências. Mas a pandemia - que no sábado superou os 500.000 casos e quase 14.000 mortos no Chile em quase oito meses - traz incertezas sobre a participação eleitoral em um país onde o voto é voluntário.

As urnas abriram às 08h00 locais e funcionarão excepcionalmente por 12 horas, com um horário especial para os maiores de 60 anos, restrições nos acessos e proibição de votar para os casos ativos de covid-19 (cerca de 10.000, segundo o último relatório).

Além de escolher entre "Aprovo" e "Rejeito", os eleitores também definirão o órgão que redigirá a eventual nova Constituição: uma "Convenção Mista", composta por 172 membros, distribuída em partes iguais entre cidadãos eleitos e parlamentes em exercício, ou uma "Convenção Constitucional" de 155 membros, na qual todos os integrantes devem ser eleitos popularmente.

Caso o "Aprovo" vença, o Chile iniciará um processo que se estenderá por cerca de dois anos para redigir uma nova Constituição. O primeiro passo ocorrerá em 11 de abril com a eleição de constituintes, que terão entre nove meses e um ano para redigir uma nova Constituição.

O novo texto deverá ser ratificado em um segundo referendo.

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