Esperança

Vacina chinesa Coronavac é segura e produz anticorpos contra covid-19 em 97% dos participantes, diz estudo de revista científica

As fases 1 e 2 foram conduzidas na China durante os meses de abril e maio com um total de 744 voluntários

Douglas Hacknen
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Douglas Hacknen
Publicado em 17/11/2020 às 22:17 | Atualizado em 17/11/2020 às 22:36
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Até agora, mais de 2,5 mil militares foram vacinados - FOTO: ABR
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Produzida pela empresa chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, em São Paulo, a vacina Coronavac contra a covid-19 é tida como segura e tem capacidade de produzir resposta imune no organismo 28 dias após sua aplicação em 97% dos casos. Resultado foi publicado nesta terça-feira (17) em artigo revisado e divulgado na revista científica Lancet Infectious Diseases. Estudo abrange a primeira e a segunda fase de testes. No Brasil, a terceira fase segue em andamento. Mais cedo, em entrevista à Rádio Jornal, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse que o primeiro lote da Coronavac chegará ao País nesta quinta-feira (19).
As fases 1 e 2 foram conduzidas na China durantes os meses de abril e maio com um total de 744 voluntários saudáveis de idade entre 18 e 59 anos e sem histórico de infecção pelo vírus. A fase atual de análise representa a última antes da aprovação. Apesar de estar perto da liberação para aplicação em massa nos seres humanos, esta foi a primeira publicação oficial dos testes das fases anteriores. Todas as vacinas que estão na fase 3 já tiveram seus resultados de fase 1 e 2 publicados.
Segundo o estudo randomizado, duplo-cego e controlado, a candidata a vacina apresentou produção de anticorpos após 14 dias, com pico após 28 dias da aplicação. O estudo é considerado 'padrão ouro', pois, faz a divisão dos voluntários aleatoriamente sem saberem se estão tomaram o imunizante ou um placebo. Foram avaliadas 144 pessoas na fase 1 e 600 pessoas na fase 2. Um voluntário desistiu durante o estudo.
A produção da vacina com o vírus inativado, usado na Coronavac, é semelhante à utilizada para a produção da vacina da raiva.

Fases

Fase 1: Os 144 voluntários foram divididos, aleatoriamente, em dois grupos. A primeira equipe recebeu uma dose mais leve da vacina e após o período de uma semana, os participantes da segunda equipe receberam uma dose mais alta. Foi aplicada uma dose reforço depois de 14 dias.
Fase 2: Os 600 participantes foram divididos, aleatoriamente, em três grupos. O primeiro grupo recebeu uma dose mais baixa. O segundo, a dose mais alta. Já o terceiro, recebeu um placebo.

Ciclos de vacinação

O esquema com duas aplicações no intervalo de 28 dias entre elas foi a que alcançou mais rapidamente uma taxa elevada de anticorpos no sangue. Segundo o estudo, ambas as vacinas induziram uma resposta imune e não há diferença significativa na dosagem para produção de anticorpos neutralizantes, mas, sim, no tempo da administração. 

Reações

O efeito mais comum, reportado por cerca de 35% dos participantes de cada grupo, foi o de dor no local da injeção. os demais efeitos adversos foram brandos. Não houve nenhum efeito colateral grave que pudesse indicar uma possível falha na segurança da vacina.
Ainda não existe uma vacina aprovada que combata, comprovadamente, o novo coronavírus.

Primeiro lote da vacina chega no Brasil esta semana

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou, em entrevista à Rádio Jornal nesta terça-feira (17), que o primeiro lote da vacina Coronavac, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, chega nesta quinta-feira (19) ao Brasil. O imunizante contra o coronavírus está na fase nal de testes e, segundo o chefe do executivo paulista, nas suas últimas semanas de estudo até ter resultados submetidos à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Anteriormente, a expectativa era de que as primeiras vacinas chegariam no dia 20 de novembro.

“Está bem, numa fase avançada. Nós temos a última fase da pesquisa, a última e derradeira. Provavelmente nas últimas três semanas da fase nal da pesquisa para submeter os resultados à Anvisa. Estamos seguindo rigorosamente o protocolo de testagem da vacina", afirmou o governador.

*Com informações da Folha de São Paulo e da Rádio Jornal

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