RACISMO

Imprensa internacional define morte de homem negro em Porto Alegre como 'selvagem'

Mídia internacional destacou a "onda de indignação" que se levantou no País depois do fato

Thalis Araújo
Thalis Araújo
Publicado em 20/11/2020 às 21:09
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THALIS ARAÚJO/JC
No The Washington Post, a manchete é "Morte de um homem negro após selvagem agressão revolta o Brasil" - FOTO: THALIS ARAÚJO/JC
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A morte de João Alberto, o homem negro, de 40 anos, que aconteceu dentro de um hipermercado em Porto Alegre, nesta sexta (20), tomou repercussão na imprensa internacional. O jornal americano The Washington Post definiu a agressão como "selvagem". Já o jornal argentino La Nación mostrou a "onda de indignação" que se levantou após o fato.

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A manchete do The Washington Post é: "Morte de um homem negro após selvagem agressão revolta o Brasil". O texto foi assinado por Terrence McCoy, que reporta que os brasileiros receberam a notícia "com raiva e horror". McCoy afirma também que o País ainda luta contra o racismo estrutural e tenta mudar o tratamento violento das forças de segurança contra os negros.

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O jornalista destacou também que a morte de João Alberto "inflamou o debate nacional sobre a violência policial, que nos últimos anos se tornou uma das questões mais urgentes do Brasil".

Já o site do jornal La Nación falou sobre o caso. A manchete diz que existe uma "onda de indignação no Brasil". E também afira que a agressão foi um "espancamento brutal".

Agências internacionais, como a AFP, escreveram matéria sobre o caso do assassinato do homem negro no Brasil. Sites internacionais importantes, como Yahoo e El Observador, publicaram textos e aumentaram a repercussão internacional do caso.

A rede de supermercados Carrefour, que é francesa. Os principais jornais do país de origem da rede não noticiaram a morte de João Alberto. Um site francês, 24 heures, de Le Mans, publicou apenas um relato simples do ocorrido.

Assassinato

O homem foi espancado e morto por dois homens brancos no estacionamento do Carrefour Passo D'Areia, na zona norte da capital gaúcha, na véspera do Dia da Consciência Negra. Informações preliminares apontam que um dos agressores é segurança do local e o outro é um policial militar temporário que fazia compras no local. Seguem as investigações. Ambos foram detidos. Uma manifestação em frente ao supermercado está prevista para às 18h desta sexta-feira.

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Negro, João Alberto Freitas foi espancado e morto por dois homens brancos, um deles é segurança do local, enquanto o outro seria um policial militar temporário que fazia compras no supermercado - REPRODUÇÃO

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Pelo Twitter, o vice-governador do Rio Grande do Sul e secretário estadual da Segurança Pública, Ranolfo Vieira Júnior, condenou a ação violenta dentro do supermercado e disse que irá apurar exaustivamente o caso. "Vamos apurar esse fato a sua exaustão, não podemos admitir ações dessa natureza", afirmou.

Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram parte das agressões e o momento que o cliente é atendido por socorristas. Em uma das gravações, o homem é derrubado e atingido por ao menos 12 socos. Ao fundo, uma pessoa grita "vamos chamar a Brigada (Militar)".

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Uma mulher vestindo uma camisa branca e um crachá, que também seria funcionária do supermercado, aparece ao lado dos agressores, filmando a ação. Ela já foi identificada e será ouvida. Outro registro mostra a vítima desacordada, enquanto há marcas de sangue no chão.

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Negro, João Alberto Freitas foi espancado e morto por dois homens brancos, um deles é segurança do local, enquanto o outro seria um policial militar temporário que fazia compras no supermercado - FOTO:REPRODUÇÃO

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