Saúde

Ômicron é mais transmissível? Vacinas funcionam? Veja o que se sabe sobre nova variante

A variante é responsável pelo aumento do número de casos na África do Sul, que pode chegar a 10 mil novas infecções por dia até o final desta semana

TED ALJIBE/AFP
No dia 26 de novembro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a B.1.1.529 como variante de preocupação e escolheu o nome ômicron. - FOTO: TED ALJIBE/AFP
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O surgimento de uma variante da covid-19, confirmada em regiões da África, tem causado preocupação em especialistas e na população em geral. Batizada de ômicron - letra grega correspondente à letra “o” do alfabeto -, a cepa B.1.1.529 foi identificada em Botsuana, país vizinho à África do Sul, em meados de novembro. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a variante pode se tornar responsável pela maior parte de novos registros de infecção pelo novo coronavírus em províncias sul-africanas e já foi identificada em vários países. Confira abaixo as respostas para as principais perguntas sobre o caso. 

Ômicron é mais transmissível?

No domingo (28), um médico sul-africano explicou que os pacientes afetados por essa variante apresentavam "sintomas leves", levando alguns analistas a supor que essa variante era mais contagiosa, mas menos perigosa.

"É realmente muito cedo para dizer", lamentou o infectologista francês Yazdan Yazdanpanah na segunda-feira (29). "No que diz respeito à gravidade, por enquanto temos poucos elementos", insistiu, destacando que era impossível tirar conclusões de casos isolados.

Outros dados, no entanto, causam preocupação. Por exemplo, o aumento do número de casos na África do Sul, que pode chegar a 10 mil novas infecções por dia até o final desta semana, segundo o epidemiologista sul-africano Salim Abdool Karim.

Isso indica que a ômicron é especialmente contagiosa?

Nesse sentido, também é prematuro arriscar, segundo especialistas, que apontam que há outros elementos locais que podem ter influenciado esses números. Por exemplo, a vacinação na África do Sul progride lentamente e menos de um quarto da população está vacinada, tornando os habitantes mais vulneráveis.

Vacinas funcionam contra a ômicron?

Em relação à resistência das vacinas, os especialistas afirmam que será necessário esperar duas ou três semanas para avaliar os primeiros elementos sobre a capacidade do organismo humano de gerar anticorpos contra essa variante.

Por enquanto, os pesquisadores insistem em um ponto: a estratégia de combate às variantes atuais, principalmente a delta, permanece em princípio eficaz, mesmo após o surgimento da ômicron.

Ou seja, é preciso continuar vacinando o maior número possível de pessoas, principalmente adultos, e respeitando certas restrições, como distância social e uso de máscara.

Quais países detectaram casos de ômicron no mundo?

Ainda não se sabe a quantidade exata de infectados com a variante no mundo. Ao menos 13 países já detectaram casos da ômicron, sendo eles: África do Sul, Botsuana, Bélgica, Canadá, Austrália, Holanda, Dinamarca, Reino Unido, Alemanha, Israel, Itália, República Tcheca e Hong Kong.

Tem casos de ômicron no Brasil?

 Até o momento não há confirmação de que hajam casos da variante ômicron no Brasil. No entanto, um passageiro que desembarcou do país de um voo da África do Sul está sendo observado. O homem testou positivo para o coronavírus e passa por "mapeamento genômico para identificação da variante".

O que sabemos sobre a variante ômicron?

 Essa variante possui um número impressionante de mutações que se concentram em uma parte, a proteína "spike", que é a chave para a entrada do vírus no corpo. Essas características explicam o temor, por ora teórico, de que essa variante seja mais contagiosa e mais resistente às vacinas do que as anteriores.

É um "risco altíssimo" para o mundo, nas palavras da Organização Mundial da Saúde (OMS). Vários países, como Israel e Japão, já fecharam suas fronteiras por enquanto. Mas a OMS também destaca o que ainda não sabemos sobre a virulência e a transmissibilidade da ômicron, após uma enxurrada de informações contraditórias.

"É realmente muito cedo para dizer", lamentou o infectologista francês Yazdan Yazdanpanah na segunda-feira.

"No que diz respeito à gravidade, por enquanto temos poucos elementos", insistiu, destacando que era impossível tirar conclusões de casos isolados.

Qual o risco de a quarta onda de covid-19 na Europa chegar ao Brasil?

Segundo autoridades da saúde pública brasileira, há diferenças nos momentos de crise sanitária de cada lugar. Mas é importante que o Brasil fique atento e tome cuidados para que a situação na Europa não aconteça de forma parecida no território brasileiro.

"Muita gente compara o que está acontecendo em partes da Europa com o que pode acontecer por aqui. Não é tão simples assim. Na minha opinião, não precisamos nos preocupar no curto prazo com essa onda europeia. Já no médio e longo prazo, a coisa pode mudar de figura", declarou o estatístico e pesquisador em Saúde Pública Leonardo Bastos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ao portal G1.


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