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'Tsunami' de casos de covid-19 por ômicron pressiona sistemas de saúde, alerta OMS

O cenário levou diversos países a retomar restrições, suspender as festas de Ano Novo e reforçar a vacinação, com primeiras doses para as pessoas não ou com doses de reforços para as demais

AFP
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Publicado em 29/12/2021 às 7:48
NIAID
Avanço da ômicron está lotando pontos de testagem das cidades - FOTO: NIAID
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O 'tsunami' de contágios pela variante ômicron da covid-19 nos últimos sete dias aumenta a pressão sobre os sistemas de saúde, que estão "à beira do colapso", alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta quarta-feira (29).

O diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, voltou a soar o alarme: “Estou extremamente preocupado que a ômicron, sendo mais transmissível e circulando ao mesmo tempo que a delta, esteja causando um tsunami de casos. Isso está se configurando e vai continuar colocando imensa pressão sobre os profissionais de saúde e os sistemas de saúde estão à beira do colapso", disse ele em entrevista coletiva.

Com 935.863 novos casos por dia em média na última semana, segundo o balanço da AFP elaborado com base em informações oficiais, o vírus circula, atualmente, a uma velocidade sem precedentes.

O número é consideravelmente maior que o recorde anterior, registrado entre 23 e 29 de abril, com 817.000 casos diários em média, e representa uma alta de 37% na comparação com a semana antecedente.

"O risco global relacionado com a nova variante de preocupação ômicron permanece muito elevado", alertou a OMS em seu relatório epidemiológico semanal.

O documento destaca que o número de casos dobra a cada "dois a três dias".

A maioria das novas infecções foi registrada na Europa, onde vários países anunciaram novos recordes históricos na terça-feira.

Novos recordes de casos

Na França, 208.000 novos casos de covid-19 foram registrados nas últimas 24 horas, não muito atrás dos Estados Unidos, onde na terça-feira foi registrada uma média semanal recorde de 265.427 casos diários, de acordo com a Universidade Johns Hopkins.

A Dinamarca é hoje o país do mundo com mais casos novos em relação à sua população: superou nesta quarta-feira seu recorde absoluto ao registrar 23.228 novas infecções. A incidência dinamarquesa significa que mais de um em 60 habitantes apresentou resultado positivo na semana passada.

No Reino Unido, 130.000 casos adicionais foram relatados na terça-feira na Inglaterra e no País de Gales. Uma campanha maciça de vacinação de reforço já aplicou doses suplementares a 57% dos maiores de 12 anos. De acordo com o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, 90% dos pacientes com covid-19 internados em unidades de terapia intensiva não receberam a terceira dose.

Em Israel, o número de novos casos também está aumentando (2.967), mas até agora sem um aumento notável nas hospitalizações. Mais da metade dos adultos já recebeu a dose de reforço no país e desde a segunda-feira os cientistas realizam ensaios clínicos sobre a adequação de uma quarta dose da vacina.

O aumento de contágios chegou à América Latina e ao Caribe, onde a epidemia parecia estar em retrocesso há algumas semanas. No momento, os contágios se aceleram na região, que acumula 47 milhões de infecções e quase 1,6 milhão de mortes.

Na Argentina, os casos se multiplicaram por seis desde o início do mês.

Na Colômbia, o governo alertou nesta quarta-feira que o país enfrenta um novo pico da pandemia.

E no México, o gabinete do prefeito da capital cancelou as grandes comemorações de fim de ano.

Novas restrições

A variante ômicron parece provocar menos hospitalizações do que a delta, até então dominante, de acordo com os primeiros estudos. Alguns cientistas destacam, contudo, que o maior número de contágios pode anular a vantagem de uma variante menos perigosa.

Com uma pandemia novamente em aceleração, os governos tentam encontrar um equilíbrio entre o controle da propagação e a contenção dos danos econômicos.

Na Espanha, onde quase 100 mil foram atingidos, o governo anunciou que na segunda-feira vai reduzir a quarentena de dez para sete dias para pessoas infectadas pela necessidade de encontrar um equilíbrio entre "saúde pública" e “crescimento econômico”, disse o presidente Pedro Sánchez.

A Grécia, que registrou um novo recorde de infecções na terça-feira (21.657), proibiu a música em bares e restaurantes nesta quarta-feira na tentativa de limitar as festas de fim de ano.

Na Bélgica, o governo anunciou que estava revertendo sua decisão de fechar teatros, cinemas e salas de concerto, após ser anulada pelos tribunais na terça-feira.

Na China, as autoridades admitiram que estão tendo problemas para garantir o abastecimento de alimentos aos moradores de Xi'an, cidade que está confinada há uma semana, devido ao "baixo número de trabalhadores e às dificuldades de logística e distribuição".

Além disso, dezenas de milhares de pessoas adicionais foram confinadas desde terça-feira na cidade de Yan'an, a 300 quilômetros de Xi'an.

A pandemia de covid-19 provocou mais de 5,4 milhões de mortes no mundo desde dezembro de 2019, segundo um balanço da AFP com base em fontes oficiais. A OMS acredita, no entanto, que o número real pode ser entre duas e três vezes superior a este total.

 

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