GUERRA

Rússia diz ter usado, pela primeira vez, mísseis hipersônicos na Ucrânia

Até agora, a Rússia não havia informado sobre o uso desse míssil balístico nos dois conflitos em que está envolvida - na Síria e na Ucrânia -, mas apenas em manobras desde que o testou com sucesso em 2018

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AFP

Publicado em 19/03/2022 às 11:45 | Atualizado em 19/03/2022 às 11:45
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O Exército russo afirmou, neste sábado (19), que usou mísseis hipersônicos na Ucrânia, um recurso que aparentemente ainda não havia sido utilizado neste conflito e que, segundo o presidente russo Vladimir Putin, faz parte de um armamento "invencível".

"Em 18 de março, o complexo aeronáutico Kinjal, com seus mísseis balísticos hipersônicos, destruiu um importante depósito subterrâneo de mísseis e munições da aviação ucraniana na cidade de Deliatin, na região de Ivano-Frankivsk", anunciou o porta-voz do ministério da Defesa, Igor Konashenkov.

Esta região está localizada a cerca de 50 km da fronteira com a Romênia, país membro da Otan.

Até agora, a Rússia não havia informado sobre o uso desse míssil balístico nos dois conflitos em que está envolvida - na Síria e na Ucrânia -, mas apenas em manobras desde que o testou com sucesso em 2018.

"É provável que o Kinjal tenha sido usado em condições de combate, e é uma estreia mundial", disse à AFP Vassili Kashin, analista militar e diretor de um centro de pesquisa da Escola Superior de Economia de Moscou.

Esse tipo de míssil desafia todos os sistemas de defesa antiaérea, segundo Moscou, porque sua velocidade (cerca de 12.000 km por hora) e sua grande manobrabilidade tornam impossível ou muito difícil de interceptar, embora alguns especialistas militares ocidentais estimem que a Rússia possa ter exagerado sobre as capacidades desta arma ar-terra.

Os mísseis balísticos hipersônicos Kinjal e os mísseis de cruzeiro Zircon pertencem a uma família de novas armas desenvolvidas pela Rússia e que o presidente Vladimir Putin descreve como "invencíveis".

A arma mais valiosa do exército é o planador hipersônico Avangard. Ele voa até 33.000 km/h, pode transportar uma carga nuclear e muda de direção ou altura de forma imprevisível, tornando praticamente impossível interceptá-lo.

Os Kinjal, uma palavra russa que significa "punhal", atingiram todos os seus alvos a uma distância de mais de 1.000 km durante os testes de 2018, de acordo com o ministério da Defesa russo.

O alvo de sexta-feira foi um depósito subterrâneo.

"Essas infraestruturas são difíceis de destruir com mísseis clássicos. O míssil hipersônico tem uma capacidade de penetração e poder destrutivo mais importante devido à sua alta velocidade", disse.

Para o especialista militar russo Pavel Felgenhauer, usar o Kinjal não dá à Rússia uma vantagem estratégica na Ucrânia, mas o efeito psicológico é claro, já que Moscou está implantando uma de suas armas mais destrutivas.

"No final, não muda nada no campo de batalha, mas fica claro que tem um efeito na propaganda psicológica, para assustar a todos", aponta.

Moscou desenvolveu esse tipo de armamento para contornar sistemas de defesa, como o escudo antimísseis dos EUA na Europa.

Seu uso na Ucrânia ocorre em um momento em que o exército russo, apesar de seus anúncios, não parece estar no controle do céu, já que a defesa ucraniana continua causando perdas.

A Rússia foi o primeiro país do mundo a desenvolver armas hipersônicas. Outros países também aceleraram seus programas de armas para tentar alcançar Moscou.

A Coreia do Norte, por exemplo, diz que também os desenvolve e os testou. E também a China, que surpreendeu os ocidentais com um teste com um míssil supersônico capaz de viajar a cerca de 6.000 km/h.

"Somos os primeiros a implantar esse armamento. Os chineses também fizeram isso recentemente, mas os Estados Unidos não têm essa arma por enquanto", ressaltou Kashin.

 

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