Tela azul global: falha na CrowdStrike e a autonomia em cibersegurança
A falha na CrowdStrike corrida recentemente serve como um lembrete contundente da importância da autonomia em cibersegurança para as empresas....

O maior apagão cibernético do mundo constatou que as empresas precisam desenvolver capacidades robustas para detectar, responder e mitigar incidentes e ameaças cibernéticas, implementando governança em cibersegurança .
Recentemente, a falha na CrowdStrike, uma das principais empresas de cibersegurança do mundo, evidenciou um fato importante: a dependência excessiva de provedores externos pode deixar as empresas vulneráveis. O ocorrido que parou o mundo ressalta a necessidade urgente das empresas adotarem uma abordagem mais autônoma e proativa em relação à sua segurança cibernética. A proteção de dados, sendo um ativo estratégico, não pode ser deixada exclusivamente nas mãos de terceiros. Implantar apenas tecnologia, sem estratégia e governança não garante a capacidade de se proteger e mitigar riscos .
A falha na CrowdStrike, que resultou na parada de várias organizações, causou um alerta global. Embora as soluções de segurança fornecidas por empresas como a CrowdStrike sejam robustas, a falha humana e os erros de processos e falta de governança ainda são uma realidade inevitável. Quando uma brecha ou um erro ocorre em uma dessas plataformas amplamente utilizadas, as consequências podem ser catastróficas, afetando inúmeras empresas simultaneamente.
A proteção de dados deve ser vista como uma prioridade estratégica para qualquer organização moderna. Os dados representam o sangue vital das operações empresariais, sendo essenciais para a tomada de decisões, estratégias de mercado e operações diárias. A perda ou comprometimento de dados pode levar a consequências devastadoras, incluindo perda de confiança dos clientes, danos à reputação e impacto financeiro significativo.
Segundo relatório do IBM (International Business Machines Corporation) o custo médio global de uma violação de dados no ano passado foi de US$ 4,45 milhões, um aumento de 15% ao longo de três anos este valor inclui não apenas os custos imediatos de remediação e notificações, mas também as perdas a longo prazo decorrentes de danos à reputação e perda de negócios. Em alguns casos, empresas menores podem não se recuperarem de uma violação significativa de dados, levando até à falência.
Diante deste cenário, a autonomia em cibersegurança se torna imperativa. As empresas devem desenvolver capacidades internas robustas para detectar, responder e mitigar ameaças cibernéticas. Isso não significa abandonar completamente os fornecedores externos, mas sim integrá-los em uma estratégia mais ampla e holística de segurança.
Uma abordagem autônoma inclui a implementação de equipes internas de cibersegurança bem treinadas, capazes de monitorar continuamente as redes e identificar comportamentos anômalos. Além disso, é crucial investir em tecnologias de segurança avançadas, como inteligência artificial e machine learning, que podem detectar ameaças em tempo real e responder de forma automática a incidentes potenciais.
O treinamento contínuo e conscientização dos funcionários também desempenham um papel vital na segurança cibernética. Muitas violações ocorrem devido a erros humanos, como phishing ou uso inadequado de senhas. Portanto, a educação contínua sobre práticas seguras e a criação de uma cultura de segurança dentro da organização são fundamentais.
Investir em cibersegurança pode parecer oneroso, mas os custos de uma violação são exponencialmente maiores. Além dos custos diretos, como multas regulatórias e despesas legais, as empresas também enfrentam perdas indiretas substanciais. A recuperação de uma violação pode levar meses, durante os quais a empresa perde produtividade e potencialmente enfrenta interrupções em seus serviços.
A falha na CrowdStrike serve como um lembrete contundente da importância da autonomia em cibersegurança para as empresas. Proteger os dados não é apenas uma questão técnica, mas uma prioridade estratégica que pode determinar o sucesso ou o fracasso de uma organização. Investir em capacidades internas robustas e adotar uma abordagem proativa pode não só mitigar os riscos, mas também fortalecer a resiliência organizacional em um ambiente cibernético cada vez mais ameaçador.
Flávia Brito, especialista em cibersegurança e CEO da Bidweb Security IT