Covid longa
Várias hipóteses são contempladas, várias estratégias para o enfrentamento têm sido tentadas, mas até agora não existe tratamento padronizado.

A infecção pelo SARS-CoV-2 continua representando um grande desafio para o sistema de saúde no mundo. Passada a fase aguda que matou mais de 7 milhões de pessoas, percebeu-se que muitos dos que foram infectados passaram a conviver com várias manifestações em diversos sistemas do corpo de forma incapacitante, a chamada Covid longa (outras designações também são usadas).
Estima-se que 7% dos adultos que foram infectados pelo vírus, mais de 60 milhões de pessoas ao redor do mundo, evoluem com essa condição.
A medicina já registrava problema semelhante de forma esporádica após outras infecções e após internamentos de pacientes em estado crítico nas UTIs, mas no caso da Covid ocorre mesmo após formas leves ou assintomáticas da doença. Os sintomas podem ser contínuos desde a fase aguda, ou tardios, semanas a meses após a cura aparente da virose. Acomete crianças e adultos independente do estado prévio de saúde, da condição socioeconômica, orientação sexual, etnia ou localização geográfica. É mais comum em mulheres, após infecções repetidas e se sofreram doença aguda mais grave. Um grande estudo observacional demonstrou que os pacientes vacinados que contraíram o vírus, tiveram menor incidência de Covid longa comparando com os não vacinados. Pode se instalar exacerbando condições pré-existentes ou como um fato novo, pode ser leve ou severa, pode se resolver em meses ou persistindo até agora(anos). Determina sofrimento e tem impacto na capacidade de trabalho, de estudo e emocional. Nos USA foram contabilizadas 5.000 mortes relacionadas com a Covid longa, sabendo que esse número está subestimado.
Por definição, é uma condição crônica associada com a infecção pelo SARS-CoV-2 que se apresenta por pelo menos 3 meses de forma contínua ou com oscilações dos sintomas ou de forma progressiva afetando um ou mais sistemas do corpo. As apresentações clínicas mais comuns envolvem falta de ar, tosse e fadiga persistentes, fraqueza após exercícios, dificuldade de concentração, alterações de memória, cefaleia recorrente, aumento de frequência cardíaca, distúrbios de sono, problemas de paladar e olfato, constipação ou diarreia. Uma desregulação imune faz com que o aparecimento de doenças autoimunes como Lúpus Eritematoso Sistêmico e Artrite Reumatoide se tornem até 3 vezes mais comuns, ou se já existiam, piorem.
Não existe exame complementar para firmar o diagnóstico que é essencialmente clínico.
De longe, pode parecer que a comunidade cientifica está parada diante do problema, mas diariamente são publicados estudos sobre o tema e só o Instituto Nacional de Saúde (USA), destinou recentemente mais de 1 bilhão de dólares para pesquisa nessa área. Várias hipóteses são contempladas, várias estratégias para o enfrentamento têm sido tentadas, mas até agora não existe tratamento padronizado.
*Fonte principal: NEJM
Sérgio Gondim, médico