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Dez lembranças do Natal de antigamente

Recife tem tradição de fazer belas comemorações do Natal. Aqui, algumas dessas lembranças para os nossos leitores neste final de ano.

Por JOÃO ALBERTO MARTINS SOBRAL Publicado em 20/12/2024 às 0:00 | Atualizado em 20/12/2024 às 10:21

1. O encontro com Papai Noel na loja da Viana Leal, na Rua da Palma, era o grande point do comércio da cidade, na temporada natalina, que não era tão longa como agora, que começa em novembro. Durava apenas os 15 dias antes da data. Primeira loja a ter uma escada rolante no Nordeste, atraía muitas crianças ao quarto andar, onde era possível encontrar o Papai Noel. Os pais sempre levavam suas máquinas fotográficas para registrar o encontro. Na época, não tínhamos celular.

2. A Missa do Galo, na Praça do Derby, exatamente à meia-noite. Estive em várias, com minha mãe. Era muito festejada pelos governadores da época, que nunca faltavam. Devido à segurança, cerimônia foi antecipada para as 20h, no mesmo local, ainda bonita, mas sem o glamour da época da meia-noite. Durante dois anos foi transferida para o Santuário de Nossa Senhora de Fátima, mas felizmente voltou para a Praça do Derby, sempre atraindo uma multidão e celebrada pelo arcebispo de Olinda e Recife.

3. A decoração da Praça do Entroncamento, que era sempre deslumbrante, promovida pelo Grupo Nordeste de Segurança. Seu presidente, o major Hilson Macedo, sempre fazia questão de participar da sua abertura, que reunia muita gente conhecida, a começar pelo governador do estado e pelo prefeito da capital. Tão bonita, que era comum virem caravanas de cidades do interior e até da Paraíba e Alagoas, para contemplá-la. Claro que a iluminação do Recife neste ano está maravilhosa, mas é triste passar pela Praça do Entroncamento às escuras, e recordar o período em que brilhava e nos encantava.

4. Durante muitos anos, os shoppings centers promoveram sorteios, distribuindo automóveis e até apartamentos, que atraíam um grande número de clientes. A troca das notas de compra pelos carnês era sempre com filas imensas. Um executivo de um dos shoppings me revelou que a iniciativa foi suspensa, porque o custo da estrutura para o sorteio era muito maior do que o valor dos prêmios.

5. A exposição dos presépios do Irmão Afonso Haus, que atuou no Colégio Marista do Recife, entre 1940 e 1960, e que morreu aos 101 anos, em Belém. Muita gente conhecida do Recife estudou com ele e tem ótimas recordações, sempre aproveitando os eventos para reencontrá-lo. Ele passava o ano inteiro preparando os presépios, que mostrava sempre em exposições, primeiro no Colégio Marista, depois no Colégio São Luiz. Peças eram vendidas, com renda para instituições filantrópicas.

6. As monumentais festas de Natal que o coronel Clovis Wanderley e a esposa Neusa promoviam para os filhos dos integrantes da Polícia Militar, que ele comandava, na Praça do Derby. Espaço ganhava uma grande e bela árvore de Natal. Foi lá que, pela primeira vez, o Papai Noel chegou de helicóptero, causando sensação.

7. Quando Leonardo Silva foi presidente da Fundação de Cultura do Recife transformou, em 1978, a "Frevioca", ônibus da Prefeitura que circula com músicos no Carnaval, na "Natalioca", com os músicos usando trajes natalinos e o maestro vestido de Papai Noel. Circulava por vários bairros na cidade, sempre fazendo sucesso. Projeto funciona até hoje.

8. Durante muitos anos, o centro da cidade, especialmente as ruas da Imperatriz e Nova, e a Ponte da Boa Vista, ganhavam bela decoração, organizada por uma agência de publicidade, em parceria com a Prefeitura do Recife. E que incluía, também, o sorteio de muitos prêmios.

9. A Prefeitura promovia concurso para eleger a melhor decoração natalina dos edifícios da Avenida Boa Viagem, que provocava disputa entre os condomínios. Hoje, temos algumas casas que ganham decoração especial pelos subúrbios, sempre mostradas com destaque pelas emissoras de televisão.

10. Para encerrar, lembro de um voo da Varig, que fiz na véspera de um Natal, do Rio para o Recife, com toda a tripulação usando gorro natalino e a presença a bordo de um Papai Noel, que distribuiu presentes com todos os passageiros. Até hoje guardo o copo de cristal, com o emblema da empresa, que veio na caixa. E teve ainda o sorteio de uma passagem para Nova York, com acompanhante. Infelizmente, não fui o sorteado. Mas Deus me deu a felicidade de ir a Nova York, no Natal, por mais de 20 anos.

João Alberto Martins Sobral, editor da coluna João Alberto no Social 1

 

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