Uma festa que reinava nas férias
Festa da Mocidade aconteceu no Recife entre 1936 e 1968, nas férias escolares. Era ,então, um grande acontecimento na capital pernambucana.

Assim, a festa se tornou um grande evento do final de ano na cidade, que reunia por muitos dias uma multidão que passava horas curtindo suas muitas atrações. numa área por trás do parque. Uma iniciativa para a construção da Casa do Estudante de Pernambuco, tendo à frente Gaspar Regueira Costa, tio do jornalista Tarcísio Regueira, o conhecido "Bocão".
Para se ter uma ideia da importância da festa, sua primeira comissão organizadora tinha nomes famosos, como Manoel Bandeira, Eliezer Xavier, Hélio Feijó, Burle Marc e Percy Lau.
Como atração principal, tínha o Parque Xangai, com roda gigante, o polvo, a primeira autopista do Nordeste, trem fantasma, e tira-prosa, um equipamento que tirava o folego, com cambalhotas das suas duas cabines. Era um grande desafio para os jovens mostrarem sua coragem, especialmente para as garotas que eles paqueravam. Também contava com "estandes" de tiro ao alvo, além de bares, e vendedores de grandes variedades de guloseimas. Mesmo proibido, o jogo rolava em várias barracas.
O Serviço de Rádio, com o tradicional "De alguém para alguém", tocava as saudosas canções, assim anunciadas pelo locutor: "Atenção, atenção, você que está com vestido branco e uma rosa no cabelo, ouça essa linda gravação que alguém lhe oferece". Assinado, ouvindo saberás". Então vinham as belas melodias: "que beijinho doce, "lábios que beijei", "Fascinação". Eram outros tempos.
Para dar mais motivação aos visitantes, eram contratados muitos artistas locais, e atrações de fora, de projeção nacional, como Nelson Gonçalves, Orlando Silva, Carlos Galhardo. A atração maior, porém, ficava com o Teatro de Revistas, que tinha espetáculos às 22h, com entrada rigorosamente proibida para menores de 18 anos, norma que nem sempre era cumprida pelo investigador de menores escalado para cumprir a determinação. Os jovens sempre encontravam uma forma de entrar para ver as belas coristas.
A Companhia de Revistas Dercy Gonçalves foi a primeira a se apresentar na festa, em 1951, com um contrato de quase 1 milhão de reais, a preços de hoje. Depois, a festa teve apresentações das mais famosas vedetes do país, em revistas musicais montadas por Walter Pinto, o maior produtor nacional da época. A mais famosa delas foi "Tem Bu-Bu-Bu no Bó-Bó-Bó" Os elencos do Walter Pinto seriam o equivalente às novelas das oito: Virgínia Lane, Mara Rúbia, Oscarito, Aracy Côrtes, Mesquitinha, Pedro Dias, Violeta Ferraz e tantos outros famosos, todos juntos, num só espetáculo. Além de grande orquestra e um corpo de baile que foi aumentando, até chegar em 40 boys e 40 girls. E havia, ainda, os nus artísticos (aquelas que ficavam imóveis e peladas). As coristas costumavam terminar a noite com os playboys da época, famosos pelos carrões que possuíam.
No período natalino, tinha o Pastoril do Velho Faceta e suas belas pastorinhas. E piadas, digamos, pouco republicanas. Eram distribuídas senhas (pagas) para ver quem ganhava; o Cordão Vermelho ou o Cordão Azul, divididas pela Diana, pastorinha vestida com as duas cores e que trazia harmonia e paz.
João Alberto Martins Sobral, editor da coluna João Alberto no Social 1