EDUCAÇÃO

Prefeitura do Recife diz que apenas 6% das escolas municipais foram afetadas por greve de professores

Professores da rede municipal do Recife exigem reajuste de 12,84% sem parcelamento e reajuste também no abono educador, que é pago sempre no mês de outubro, em 9,54%

Katarina Moraes
Katarina Moraes
Publicado em 11/03/2020 às 12:04
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Foto: Reprodução/YouTube
A decisão dos professores foi tomada nesta terça-feira, na primeira Assembleia Geral de 2020 - Foto: Reprodução/YouTube
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A Prefeitura do Recife declarou, em nota, que 94% das unidades de ensino funcionaram total ou parcialmente e apenas 6% não funcionaram nesta quarta-feira (11), mesmo com a deflagração da greve de professores da rede municipal, que não aceitaram proposta de parcelamento do reajuste de 12,84%. Uma nova reunião está marcada para esta quita-feira (12).

O JC visitou escolas no Centro da capital pernambucana e detectou que, de fato, algumas aulas estão ocorrendo, enquanto que outras não. No entanto, a coordenadora geral do Sindicato Municipal dos Profissionais de Ensino da Rede (Simpere) explica que isso acontece porque os professores de contrato temporário estão sendo ameaçados de demissão, caso também entrem em greve.

Os mais de seis mil docentes exigem o cumprimento da Lei do Piso Salarial do Magistério Público da educação básica. O percentual indicado para este ano é de 12,84% de reajuste. Eles reivindicam, ainda, a realização de concurso público para preencher cerca de mil vagas na rede, eleições diretas para gestores de escolas e melhorias no plano de saúde do servidor, o Saúde Recife.

A proposta da prefeitura do Recife, que foi rejeitada, é de dividir a extensão do reajuste em três parcelas, além de reajustar o abono educador, que é pago sempre no mês de outubro, em 9,54%.

Para Cláudia Ribeiro, coordenadora geral do Sindicato Municipal dos Profissionais de Ensino da Rede (Simpere), Cláudia Ribeiro, o parcelamento é um “profundo desrespeito”.

A proposta da prefeitura de dividir o percentual de 12,84%, quando a lei federal diz que ele tem que ser parcelado em janeiro, parcelado em três vezes a partir de outubro, é um profundo desrespeito. Nesse sentido, a gente continua em greve por tempo ilimitado. A gente estudou as contas da prefeitura do Recife e, ao contrário do que ela diz em rodada de negociação, a prefeitura tem condições de atender a nosso pleito
Cláudia Ribeiro

A rede de educação da capital tem cerca de 90 mil estudantes e administra mais de 300 escolas, sendo 81 creches, a Escola de Arte João Pernambuco e o Barco Escola.

KATARINA MORAES/JC
Na Escola Municipal Pedro Augusto, oito de 13 professores faltaram - KATARINA MORAES/JC
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Na Escola Municipal Pedro Augusto, oito de 13 professores faltaram - KATARINA MORAES/JC
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Na escola Municipal dos Coelhos apenas dois professores faltaram - KATARINA MORAES/JC
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O aluno do 6º ano Leandro André, de 12 anos, foi para escola mas não teve aula - KATARINA MORAES/JC

Suspensão de aulas

Na Escola Municipal Pedro Augusto, localizada no bairro da Soledade, oito de quinze professores aderiram à paralisação. Desses, apenas um é concursado, os outros sete são contratados. Para diminuir o impacto no aprendizado dos alunos, a direção montou um esquema de funcionamento parcial. 

"O funcionamento será parcial. Já prevendo que teria o movimento hoje, a gente organizou para hoje os sétimos e nonos [anos] e para amanhã, sextos e oitavos. Enquanto durar o movimento, vamos ficar alternando", explicou Josenide Freitas, diretora do colégio há 15 anos.

Dos 16 professores do turno da manhã da Escola Municipal dos Coelhos, que fica no bairro homônimo, apenas dois faltaram nesta quarta-feira. Os alunos das classes dos grevistas foram mandados para casa ou assistiram aulas em outras turmas, segundo a diretora Francisca Ângela.

"Ainda não temos um posicionamento concreto porque a greve começou hoje. Estamos esperando para saber como será à tarde, se os professores vão vir", pontuou a dirigente da unidade, que possui 806 alunos do ensino infantil ao fundamental.

Resposta

Por meio de nota, a Prefeitura do Recife esclareceu que foi surpreendida com a greve do Simpere, e garante que vai pagar o piso salarial estabelecido pela Lei, a partir de março. A administração explica que, de fato, propôs a extensão do reajuste de 12,84% para toda a categoria, dividindo em três parcelas.

"A Prefeitura do Recife foi surpreendida com a decretação de greve por parte do Simpere, por entender que a paralisação é ilegal e tendo em vista que estava aberto o canal de diálogo com a categoria. A decisão do sindicato em pleno ambiente de negociação só prejudica os 90 mil alunos da rede municipal de ensino e seus familiares.

Nesta quarta-feira (11) a adesão foi baixa, já que 94% das unidades de ensino funcionaram total ou parcialmente e apenas 6% não funcionaram. Na última segunda-feira (9), foi realizada a segunda mesa de negociação setorial com a categoria, além de quatro rodadas da Mesa Geral de Negociação dos Servidores. E uma nova reunião estava marcada para amanhã (12).

Mesmo diante da grave crise econômica que afeta as contas públicas em todo o país, a Prefeitura do Recife propôs o reajuste de 12,84% para toda a categoria, aplicado em três parcelas (4,5% em outubro, 4% em novembro e 3,83% em dezembro), além de reajustar o abono educador, que é pago sempre no mês de outubro, em 9,54%".

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