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Demanda por velório virtual cresce em março em cemitério de Paulista, no Grande Recife

Entenda como funciona a tecnologia:

Maria Lígia Barros
Maria Lígia Barros
Publicado em 17/04/2020 às 12:25
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DIVULGAÇÃO/ CEMITÉRIO MORADA DA PAZ
Quem assiste de longe também pode deixar mensagens aos familiares que estão presentes - FOTO: DIVULGAÇÃO/ CEMITÉRIO MORADA DA PAZ
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Para contornar o distanciamento social forçado pelo novo coronavírus, as pessoas têm se aproximado cada vez mais de soluções em tecnologia para estar perto dos entes queridos. Os velórios virtuais são um exemplo da situação.

A demanda pelo serviço no Cemitério Morada da Paz, em Paulista, Grande Recife, pioneiro na área, aumentou em março - mês em que tiveram início as primeiras medidas restritivas no Estado. A quantidade de cerimônias realizadas nesse modelo dobrou. Em fevereiro, foram cinco, e no mês seguinte, dez. Os números de abril ainda não foram consolidados.

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O recurso funciona assim: o cemitério coloca uma câmera no quarto e transmite as imagens por vídeo no site, para que possam ser acompanhadas online por quem está distante. A família recebe uma senha que pode ser compartilhada com os convidados para acessarem a transmissão. Quem assiste pode enviar mensagens eletrônicas para os familiares que estão presentes. A ferramenta é disponibilizada pelo Grupo Villa, dono do Morada da Paz, desde 2001.

DIVULGAÇÃO/ CEMITÉRIO MORADA DA PAZ
Quem assiste de longe também pode deixar mensagens aos familiares que estão presentes - DIVULGAÇÃO/ CEMITÉRIO MORADA DA PAZ
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Quem assiste de longe também pode deixar mensagens aos familiares que estão presentes - DIVULGAÇÃO/ CEMITÉRIO MORADA DA PAZ

No entanto, Vivianne Guimarães, diretora de mercado do Grupo Villa, falou, em entrevista concedida ao JC nessa quinta-feira (16), que esses velórios só são possíveis em casos de óbitos que não sejam pela covid-19. Isso porque o Governo de Pernambuco proibiu, no último dia 2, a realização do evento para pessoas que morreram infectadas com o vírus. A mesma determinação limita a participação em outros velórios para até dez pessoas, e respeitando a distância mínima de dois metros. Por isso, a solução acaba se tornando mais requisitada.

Para o psicólogo Miguel Gomes, esse pode ser um paliativo que ajuda as pessoas a enfrentarem um luto. “Na impossibilidade de se estar no velório, pela distância e circunstância - porque quem está em isolamento não pode fazer isso -, acho que ajuda como um meio de elaboração do processo de luto. É uma forma de se fazer presente, inclusive para família”, falou. “Não substitui completamente (o estar presente no velório), mas é um paliativo. No meu entendimento, o luto é um processo muito pessoal que a gente precisa viver, e o velório é uma cerimônia que favorece a essa experiência”, defendeu.

Como é o enterro de alguém morto por coronavírus?

O corpo é enrolado em lençol, selado em dois sacos, e posto em caixão fechado. Sem direito a velório, é transportado diretamente para o enterro. Os funcionários do necrotério, da funerária e do cemitério que fazem o manejo do cadáver usam equipamento de proteção individual (EPI) da cabeça aos pés. No máximo dez pessoas participam do sepultamento, obedecendo a distância mínima de dois metros. Sem abraços, beijos e apertos de mão. Há pelo menos duas semanas, é assim que os familiares se despedem das vítimas do novo coronavírus.

A determinação da Secretaria Estadual de Saúde (SES) de Pernambuco foi publicada no último dia 2, em nota técnica que dispõe diretrizes a serem seguidas por Unidades de Saúde, Serviços de Verificação de Óbito (SVO), Institutos de Medicina Legal (IML) e serviços funerários. As normas são válidas para óbitos de causa confirmada ou suspeita da covid-19, ou de síndrome respiratória aguda grave (Sars).

Desde o início da pandemia, a funerária Ana Lúcia Serviços Funerários, em Santo Amaro, na área central do Recife, vem registrando um aumento na demanda. Segundo o proprietário Luiz Antônio Costa, a maioria dos casos de coronavírus com que a empresa lida só é confirmada depois do enterro.

 “Quando a gente chega no hospital, alguns já têm suspeita. Dependendo, o médico coloca alguma causa pulmonar ou Sars. A gente efetua o sepultamento nas pressas tomando todas as medidas cabíveis adequadas, e dois dias depois a família entra em contato para confirmar", relatou.

Mesmo antes das orientações do Governo do Estado, o dono já adotava as medidas de segurança. “Quando começou esse surto já tínhamos os EPIs, e decidi não pagar pra ver”, contou. “Usamos luva, máscara, capote, macacão, viseira de acrílico e sapato”, citou.

Luís Alves, presidente do Sindicato das Empresas Funerárias de Pernambuco (Sindef), que representa representa 65 grupos, confirmou o crescimento da procura. “Com certeza a demanda tem aumentado", assegurou.

O representante da entidade detalhou o procedimento pelo qual passa o corpo: “Ele é mostrado ao familiar (no hospital) e lá fazem todo processo de embalagem. Já desce lacrado para o necrotério. Lá é colocado no caixão e não é mais aberto”, disse. “Todos estão sendo direcionados para o cemitério, não passa por velório”, explicou.

O processo exige uma rapidez fora do habitual. “Para que não se acumulem corpos, por causa do risco de contágio, a prefeitura do Recife estendeu o funcionamento e liberou que a gente sepulte sem necessidade do documento lavrado em cartório”, disse.

Segundo a Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb), os cemitérios públicos da cidade, onde os sepultamentos normalmente ocorrem até às 16h, tiveram horário ampliado até às 20h para enterrar exclusivamente mortos pelo vírus ou por Sars.

Entre os cinco cemitérios públicos da capital pernambucana, os de Santo Amaro e Parque das Flores são os que estão sepultando os pacientes que faleceram pelo vírus, por terem área e capacidade maior. Cada um isolou uma quadra para realizar os serviços funerários com as especificidades que requerem.

Ainda assim, se desejarem, as famílias poderão enterrar seus entes queridos nos jazigos familiares nos cemitérios de Casa Amarela, Teijipió e Várzea. A Emlurb disse que, por ora, a demanda para esses serviços está dentro do esperado.

No Morada da Paz, cemitério privado em Paulista, a tendência é a mesma. “Historicamente, a demanda dos serviços começa a acontecer em março. Não teve aumento de demanda, foi um pouco abaixo que em 2019. Abril está dentro da expectativa histórica”, revelou a diretora de mercado do Grupo Villa, Vivianne Guimarães.

A empresa tem adotado restrições mais rigorosas. Apesar de a nota técnica da SES permitir que os sepultamentos sejam acompanhados, contanto que não haja aglomeração, o Morada da Paz proíbe a participação dos familiares nas cerimônias. “O caixão vem direto para o destino final: cremação ou sepultamento”, completou.

Medidas preventivas também estão sendo tomadas nos casos de óbitos por outras causas. O tempo de duração dos velórios foi reduzido e a quantidade de pessoas segue à risca os protocolos de distanciamento social. Uma solução que tem sido buscada, declarou Guimarães, é a do velório virtual. O serviço transmite ao vivo o cerimonial por vídeo a quem não pode estar presente. 

O que é coronavírus?

Coronavírus é uma família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus foi descoberto em 31/12/19 após casos registrados na China.Os primeiros coronavírus humanos foram isolados pela primeira vez em 1937. No entanto, foi em 1965 que o vírus foi descrito como coronavírus, em decorrência do perfil na microscopia, parecendo uma coroa.

A maioria das pessoas se infecta com os coronavírus comuns ao longo da vida, sendo as crianças pequenas mais propensas a se infectarem com o tipo mais comum do vírus. Os coronavírus mais comuns que infectam humanos são o alpha coronavírus 229E e NL63 e beta coronavírus OC43, HKU1.

Como prevenir o coronavírus?

O Ministério da Saúde orienta cuidados básicos para reduzir o risco geral de contrair ou transmitir infecções respiratórias agudas, incluindo o coronavírus. Entre as medidas estão:

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos, respeitando os 5 momentos de higienização. Se não houver água e sabonete, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool.
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas.
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes.
  • Ficar em casa quando estiver doente.
  • Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo.
  • Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com freqüência.
  • Profissionais de saúde devem utilizar medidas de precaução padrão, de contato e de gotículas (mascára cirúrgica, luvas, avental não estéril e óculos de proteção).

Para a realização de procedimentos que gerem aerossolização de secreções respiratórias como intubação, aspiração de vias aéreas ou indução de escarro, deverá ser utilizado precaução por aerossóis, com uso de máscara N95.

Veja a evolução da pandemia em Pernambuco

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