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Quatro dias após incêndio atingir abrigo, Venezuelanos ainda cobram ajuda no Recife

48 refugiados dividem uma única casa no bairro dos Coelhos que pegou fogo após um botijão de gás explodir e deixar um ferido na manhã da quinta-feira (21)

Maria Lígia Barros
Maria Lígia Barros
Publicado em 25/05/2020 às 13:34
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WELLINGTON LIMA/ JC IMAGEM
A reportagem da TV Jornal visitou o local nesta segunda-feira (25) - FOTO: WELLINGTON LIMA/ JC IMAGEM
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Com informações de Juliana Oliveira, da TV Jornal.

Quatro dias depois de um incêndio atingir o abrigo onde moram, na Rua dos Prazeres, no bairro dos Coelhos, área central do Recife, 48 migrantes venezuelanos ainda precisam de auxílio para retomar a vida.

Os refugiados dividem uma única casa, que pegou fogo após um botijão de gás explodir e deixar um ferido na manhã da quinta-feira (21), quando preparavam o almoço. Inácio Torres foi internado no Hospital da Restauração e passa bem.

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Em entrevista à TV Jornal, nesta segunda-feira (25), o líder do grupo, o Cacique Santo, pediu ajuda para se mudarem de casa e disse que estão precisando de comida. Com eletrodomésticos estragados pelas chamas, as famílias não têm como preparar refeições.

Procurada para responder sobre uma possível mudança de endereço, a Prefeitura do Recife, que paga o aluguel deste e de mais dois imóveis onde cerca de 90 venezuelanos se dividem, afirmou que, fora isso, a casa continua "em condições de habitação".

A secretaria de Desenvolvimento Social, Juventude, Políticas sobre Drogas e Direitos Humanos do Recife ainda falou que estão providenciando três refeições diárias desde a sexta-feira (22). Entretanto, complementou que os moradores "apresentam resistência para entrar novamente na casa, e têm agido com hostilidade diante da equipe de agentes sociais que estão realizando a entrega dos alimentos."

O município informou que está em contato com o Governo de Pernambuco para pensarem em alternativas para solucionar a questão.

WELLINGTON LIMA/ JC IMAGEM
A reportagem da TV Jornal visitou o local nesta segunda-feira (25) - WELLINGTON LIMA/ JC IMAGEM
WELLINGTON LIMA/ JC IMAGEM
A reportagem da TV Jornal visitou o local nesta segunda-feira (25) - WELLINGTON LIMA/ JC IMAGEM
WELLINGTON LIMA/ JC IMAGEM
A reportagem da TV Jornal visitou o local nesta segunda-feira (25) - WELLINGTON LIMA/ JC IMAGEM

Os migrantes são indígenas da etnia Warao que deixaram a cidade de Tucupita, no norte da Venezuela, para fugir da crise que assola o país. Após percorrerem várias outras capitais do Brasil - Boa Vista, Manaus, Belém, São Luís, Fortaleza e Natal -, aproximadamente 90 deles chegaram ao Recife em meados de outubro de 2019.

A reportagem da TV Jornal visitou o local nesta segunda-feira (25). Os vestígios do incidente que os desabrigou pelo fim de semana marcavam o cenário.

Em um dos cômodos, roupas utensívlios domésticos e até alimento estava espalhado pelo chão. Na cozinha, as cinzas na parede e no fogão são lembranças do fogo deixou. As panelas que restavam ainda guardavam um pouco de comida: a única que sobrou para eles se alimentarem.


Do lado de fora, algumas roupas continuavam penduradas em um varal improvisado entre a fiação elétrica. Crianças brincavam na rua, na chuva, junto ao lixo do último fim de semana.

Entre a quinta e a sexta, o endereço foi visitado pelas secretaria estadual de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude e as secretarias municipais de Defesa Civil do Recife e de Direitos Humanos, pelo Corpo de Bombeiros, pelo Serviço Especializado em Abordagem Social do Recife e pela Companhia Energética de Pernambuco (Celpe).

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