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Caixa "misteriosa" é encontrada na praia de Piedade, no Grande Recife

Desde domingo (28) o material já foi visto no Recife, em Paulista, em Ipojuca e na Barra de Sirinhaém

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Publicado em 30/06/2020 às 9:48
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ADRIANA VICTOR/TV JORNAL
Caixa encontrada na orla de Piedade, no Grande Recife - FOTO: ADRIANA VICTOR/TV JORNAL
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Mais uma caixa "misteriosa" foi encontrada na manhã desta terça-feira (30) em Pernambuco, desta vez na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife. O material já havia sido encontrado na segunda (29) na orla de Aver-o-Mar, em Barra de Sirinhaém, na Zona da Mata; em Boa Viagem, no Recife, e em Conceição, Paulista. No domingo (28), outra caixa foi vista na praia de Serrambi, em Ipojuca.

Até às 9h desta segunda, pelo menos, a caixa ainda estava em Piedade, próximo ao limite com Boa Viagem. Apesar de não ter muita gente na praia, o material tem despertado a atenção de quem passa fazendo caminhadas e exercícios.

Já em Aver-o-Mar foram vistas pelo menos cinco caixas nessa segunda, por volta das 11h, e vários pedaços espalhados pela praia, segundo Iara Pereira, de 37 anos, que andava pela orla junto ao marido quando encontrou o material. "Não tinha movimento, a praia estava bem deserta. No início, fiquei com um pouco de medo de chegar perto, porque a gente não sabe o que é. Ela tem um cheiro bem forte de borracha. A gente viu que tinha muitas camadas soltas que estavam espalhadas", disse.

O que fazer ao encontrar as caixas

O biólogo e oceanógrafo da Universidade de Pernambuco (UPE) Clemente Coelho explicou que a primeira medida é não tocar nas caixas misteriosas. "As caixas já têm uma perícia e são fardos de látex. O laudo entregue pela Polícia Federal em outubro deu esse diagnóstico. O látex é material de seringueira, e ele em si não é nocivo à saúde. Porém, na produção, quando faz a cura do material, são utilizados compostos químicos que podem possuir moléculas e até metais pesados. É importante que a população evite tocar", orientou.

A segunda medida a ser tomada pela população ao encontrar o material nas praias é entrar em contato com os órgãos públicos locais para que o material seja recolhido.

De acordo com Clemente, após o recolhimento, os órgãos devem destinar o material a aterros sanitários. "Cabe a prefeitura e o órgão público responsável por limpeza recolher esse material e levar a um aterro sanitário e não dispor em lugar inadequado, como lixões, ou em qualquer lugar que ele possa ser dispersado". O professor completou, ainda, que a reciclagem pode ser um destino "mas acho que não temos no Estado alguma empresa que faça esse tipo de reciclagem".

A terceira medida é entrar em contato com o órgão ambiental do Estado, informando a localização que o material foi encontrado "porque já tem estudos que apontam a origem desses fardos". O contato da Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH) pode ser feito pela ouvidoria Ambiental, através do endereço ouvidoriaambiental@cprh.pe.gov.br ou através do telefone (81) 3182-8800.

A reportagem do JC procurou órgãos envolvidos para dar explicações com relação ao que deve ser feito e o destino do material.

Através de nota, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que "a investigação em relação a esses fardos está sendo conduzida pela Marinha do Brasil. E a destinação dos fardos está com as prefeituras".

Por sua vez, também através de nota, a Marinha do Brasil afirmou que "não houveram registros de acidentes náuticos na região que justifiquem o aparecimento dos "pacotes sem identificação" que estão sendo encontrados no litoral do Nordeste desde 2018", e também disse que as Capitanias dos Portos envolvidas estão acompanhando o caso.

A Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Recife também foi procurada e comunicou que a faixa de areia é de responsabilidade da Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH), que não deu retorno à reportagem do JC até a publicação desta matéria.

Primeiros registros

Além de Pernambuco, outros estados contaram com a presença das caixas 'misteriosas'. O primeiro registro do objeto foi feito em no dia 24 de outubro de 2018 em uma praia em Alagoas. Após isto, praias do Ceará também registraram a aparição dos pacotes.

O que diz o laudo técnico sobre danos ao meio ambiente

De acordo com o laudo técnico realizado em abril de 2019, os materiais podem ser poluentes ao entrarem em contato com o meio ambiente.

"Apesar de ser classificado como produto inerte, não solúvel em água, o mesmo pode carrear metais e outros compostos para o solo e águas, uma vez que no seu processo de cura são utilizados enxofre, zinco, óleos e outros compostos. No caso em tela, a presença em ambiente marinho é um fator de risco, podendo fragmentos do material serem ingeridos por espécies como tartarugas e tubarões.", diz trecho do laudo.

Origem

Em outubro de 2019, pesquisadores do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará (UFC) descobriram a origem dos fardos de borracha encontrados na costa do Nordeste. A equipe estava estudando dados históricos, físicos e biológicos para explicar o surgimento das manchas de petróleo que estavam sendo registradas no litoral nordestino. Após análise das informações, chegaram à conclusão de que os fardos vieram do navio alemão SS Rio Grande, naufragado na costa do Recife, em Pernambuco, em 1941.

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