Coronavírus

Com estabilização dos números, Recife não pretende abrir leitos do coronavírus além do previsto

Na avaliação do secretário de Saúde do Recife, o número de vagas dá segurança para que haja a reabertura gradual dos setores econômicos

JC
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Publicado em 11/06/2020 às 11:55 | Atualizado em 11/06/2020 às 12:04
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Hospital Provisório Recife 2, com 420 leitos, sendo 100 de UTI - FOTO: JAILTON JR./JC IMAGEM
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Com a abertura de 20 novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), anunciados nesta quinta-feira (11), o Recife chega a 930 vagas abertas, somando também as enfermarias, destinadas a pacientes com o novo coronavírus. Se aproximando da conclusão dos 1.075 leitos prometidos pela gestão municipal no início da pandemia, o secretário de Saúde da cidade, Jailson Correia, acredita que a quantidade de vagas é suficiente para atender a demanda gerada até o momento na capital. Na avaliação do secretário, o número de vagas dá segurança para que haja a reabertura gradual dos setores econômicos.

"Sem o sistema de saúde reforçado, não é possível pensar em diminuir o isolamento social ou reabrir a economia. É por isso que é tão importante continuar abrindo leitos. Mas a meta de 1.075 leitos nós consideramos, até aqui, como suficiente para que possa dar segurança na reabertura programada e gradual das atividades", declarou o secretário de Saúde. Durante a coletiva de imprensa online, o prefeito Geraldo Julio reforçou a recomendação sobre o isolamento social, para que haja seguimento do Plano de Convivência com a Covid-19. "A situação do Recife é hoje muito diferente do Brasil. No País, todos os indicadores continuam crescendo, e o País ainda está a caminho do pico da pandemia. No Recife, todos os indicadores já estão descendo, diminuindo. Tanto os indicadores mais conhecidos, quanto os mais sofisticados da ciência", declarou.

Os 20 novos leitos de UTI anunciados pela gestão estarão disponíveis no Hospital Provisório Recife 1, que fica no bairro de Santo Amaro, no Centro do Recife. Com a ampliação das vagas, a unidade totaliza 70 vagas de UTI e 60 de enfermaria. "Se identificarmos mudança na evolução da doença, aumento no número de casos ou risco do colapso de saúde, naturalmente, em uma situação como essa, é necessário fazer ampliar o isolamento e eventualmente precisar fechar aquilo que venha a ser aberto", disse Geraldo. Nesta quinta (11), em todos as unidades do Recife, 301 pacientes estão internados, sendo 156 na UTI. Segundo a prefeitura, até o momento, foram investidos R$ 163 milhões nas ações para o enfrentamento à pandemia, dos quais R$ 32 milhões foram recursos federais. 

Abertura de novos leitos de UTI acontece devido à chegada de 155 ventiladores pulmonares desde a semana passada. Destes, 100 foram adquiridos de uma empresa da Turquia, através de um consórcio público-privado, e custaram 19 mil dólares cada. Os equipamentos chegaram em dois lotes. O primeiro, de 87 aparelhos, e o segundo, nessa quarta-feira (10), de 13. Outro recebimento da prefeitura foi de 25 dispositivos, adquiridos em março da empresa Magnamed, de São Paulo. O preço de cada equipamento foi de R$ 59 mil. Na terça (9), a gestão recebeu 30 novos ventiladores, de uma fabricante da Alemanha, no valor de R$ 75 mil cada.

O anúncio da chegada de novos equipamentos acontece paralelamente às investigações sobre a compra de 500 ventiladores pulmonares, pela prefeitura do Recife, à microempresa Juvanete Barreto Freire, que vendeu respiradores da Bioex sem autorização da Anvisa para uso em humanos. A gestão municipal foi denunciada pelo Ministério Público de Contas de Pernambuco (MPCO) por suposta irregularidade na compra dos equipamentos, no valor de R$ 11,5 milhões. Depois disso, a empresa devolveu R$ 1,075 milhões que foi pago à Prefeitura do Recife. Sobre o caso, além de inquérito na Polícia Federal, foi instaurada uma auditoria especial, pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE).

O Recife possui 930 vagas abertas para pacientes com o novo coronavírus. Destes, 248 são de UTI e 682 de enfermaria. Os leitos são distribuídos no Hospital Provisório Recife 1, no Centro; no Hospital Provisório Recife 2, na área Central; no Hospital Provisório Recife 3, na Zona Sul, além dos hospitais de campanha erguidos nas políclínicas Amaury Coutinho e Barros Lima, ambas na Zona Norte e no Hospital da Mulher do Recife, na Zona Oeste. A capital também contabiliza leitos para covid-19 na políclínica Agamenon Magalhães, em Afogados e no Hospital Evangélico de Pernambuco, na Torre.

Recife tem "queda expressiva" no atendimento de casos leves de coronavírus nas unidades básicas de saúde

As unidades básicas de saúde (UBS) do Recife registraram uma queda nos atendimentos diários referentes ao novo coronavírus, em comparação entre a primeira quinzena de maio — quando a média era de aproximadamente 500 atendimentos diários — e o período entre o dia 15 de maio até essa terça-feira (9) — que apresentou média de 320 atendimentos ao dia. Os finais de semana não são contabilizados. Nessa quarta (10), o secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia, afirmou que, desde o começo da pandemia, o dia de menor movimento nas unidades foi na última sexta-feira, dia 5 de junho.

As segundas-feiras são os dias mais movimentado nas UBS, e, nesta última, dia 8 de junho, foram feitos 303 atendimentos na capital pernambucana. O pico de atendimentos nas unidades foi no dia 11 de maio, também uma segunda-feira, com 706 pacientes. “Se a gente pega o dado da segunda-feira, dia que tem maior movimento na atenção básicas nas unidades dedicadas à covid-19, no dia 11 de maio tivemos o pico com 706 atendimentos em um único dia, caindo para 303 atendimentos nessa segunda, dia 8 de junho. O dia que tivemos menor número de atendimentos foi a última sexta-feira, com 186 atendimentos”, expôs o secretário.

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