CASO MIGUEL

"Sarí terá que explicar o que quis dizer com 'coloquei ele para passear'", diz mãe de Miguel após indiciamento

A mãe do garoto se pronunciou através de nota enviada pelo advogado

Amanda Rainheri
Amanda Rainheri
Publicado em 01/07/2020 às 18:42
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DAY SANTOS/JC IIMAGEM
Caso Miguel - Mirtes Renata de Souza e populares protestavam em frente a delegacia onde Sari Corte Real, no momento em que prestava depoimento, sobre a morte do menino Miguel na delegacia de Santo Amaro. - FOTO: DAY SANTOS/JC IIMAGEM
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Após o indiciamento de Sarí Gaspar Corte Real pelo crime de abandono de incapaz com resultado de morte  do pequeno Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, no último dia 2 de junho, a mãe do garoto se pronunciou através de nota enviada pelo advogado, afirmando que se aproxima o dia em que a mulher, que estava responsável pelo garoto no momento da queda do 9º andar, sentará no banco dos acusados.

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"O magistrado, eleito por sorteio, julgará aquela que diante do corpo caído de Miguel e de sua mãe desesperada disse em exclamação: 'que menino tinhoso'; é ela, a patroa adornada em joias, iniciada nas artes dos palacetes e de família de políticos rica e influente no litoral sul, que explicará ao promotor o que quis dizer com 'coloquei ele para passear'", diz um trecho da nota.

Em outro trecho, a mãe de Miguel, que trabalhava como empregada doméstica da família e havia descido para passar com o cachorro da patroa no momento da queda, argumenta que a morte da criança se deu em decorrência da escolha de Sarí. "A diferença entre o acidente e o desamparo é a escolha.
Optou-se em desproteger. Miguel foi largado no elevador sem ninguém à sua espera."

Sarí Côrte Real chegou a ser presa em flagrante no dia da morte de Miguel pelo crime de homicídio culposo (quando não há intenção de matar), mas pagou fiança no valor de R$ 20 mil e foi liberada. A reportagem tentou contato com a defesa, mas até a publicação desta matéria, não obteve resposta. 

Veja a nota na íntegra:

Aproxima-se o dia em que, na cadeira de acolchoado azul à esquerda do magistrado, onde ficam os acusados, sentará uma mulher de estatura mediana, de cabelos louros bem cortados, olhos verde esmeralda e sorriso perfeito. Pobre apenas em melanina e em empatia. O magistrado, eleito por sorteio, julgará aquela que diante do corpo caído de Miguel e de sua mãe desesperada disse em exclamação: "que menino tinhoso"; é ela, a patroa adornada em joias, iniciada nas artes dos palacetes e de família de políticos rica e influente no litoral sul, que explicará ao promotor o que quis dizer com "coloquei ele para passear".

Quando esse dia chegar, talvez ela já nem lembre a origem de tanto desdém e indiferença, mesmo também sendo mãe. É até provável que tente responsabilizar a própria vítima, o pequeno Miguel, pelo que lhe aconteceu. Afinal, após noticiar aos parentes próximos sobre o falecimento, disse que "cuidar dele não era sua responsabilidade".

Ali, prostrada, a fina senhora destilará novamente seu cinismo e tentará convencer o julgador que tudo não passou de um acidente, tal como quem quebra uma taça de vinho em um restaurante chique e, enquanto retira arrogantemente o cartão de crédito da carteira, diz ao garçom que traga logo a
conta do prejuízo.

A princesa encastelada nas torres gêmeas, não tarda, prestará contas à Themis Pernambucana. A diferença entre o acidente e o desamparo é a escolha. Optou-se em desproteger. Miguel foi largado no elevador sem ninguém à sua espera. Pareceres jurídicos caros não apagam o passado, não limpam consciência e não desfazem os fatos.

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