DESCASO

Via Mangue acumula problemas e é retrato do abandono

Quem passa pelo local reclama de buracos, grades roubadas, falta de segurança e vegetação que invade a pista

Amanda Rainheri
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Amanda Rainheri
Publicado em 24/07/2020 às 16:05
Felipe Ribeiro
Situação de abandono e falta de preservação estrutural da Via Mangue, causam diversos perigos para quem usa. - FOTO: Felipe Ribeiro

Entregue há pouco mais de quatro anos com o objetivo de ligar o Centro à Zona Sul da capital pernambucana, uma das vias mais novas do Recife é símbolo do abandono e do vandalismo. A Via Mangue, que custou R$ 500 milhões dos cofres públicos e teve a pista Leste inaugurada com pompas pela então presidente Dilma Rousseff em janeiro de 2016, acumula problemas. O principal é a falta dos gradis, frequentemente roubados. Quem passa pelo local ainda reclama de buracos, falta de segurança e da vegetação, que, em alguns trechos ultrapassa as grades e chega a invadir o acostamento.

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O roubo das peças é uma questão antiga, ainda sem solução. Leves, as estruturas são fáceis de serem carregadas. Há dezenas delas faltando ao longo dos 5 quilômetros da via. Nos locais em que foram subtraídas, a vegetação ultrapassa o espaço do gradil e alcança a pista, no acostamento. “Se continuar crescendo, sem nenhum cuidado da prefeitura, vai acabar atrapalhando a passagem dos carros”, alerta a autônoma Carla Limoeiro, 41 anos. Ela, que vive em Boa Viagem, na Zona Sul, afirma que a via facilitou o acesso ao bairro, mas conta que nunca se sentiu segura no local, principalmente à noite. “Os roubos aqui são frequentes. As grades são levadas há anos e ninguém consegue impedir. Alguns trechos também ficam escuros às vezes e eu fico com medo de assalto.”

Felipe Ribeiro
Situação de abandono e falta de preservação estrutural da Via Mangue, causam diversos perigos para quem usa. - Felipe Ribeiro
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Situação de abandono e falta de preservação estrutural da Via Mangue, causam diversos perigos para quem usa. - Felipe Ribeiro
ARNALDO CARVALHO/JC IMAGEM
Vista aérea do terreno do antigo aeroclube de Recife. Pina. Encanta moça. Via Mangue. Data: 3/11/2017 - ARNALDO CARVALHO/JC IMAGEM

O engenheiro de telecomunicações Miquelli Francis, 32, também argumenta que a Via Mangue precisa de melhorias. “Principalmente de sinalização e de monitoramento, para evitar os casos de vandalismo. Precisa haver um reforço na segurança patrimonial, porque esse é um problema antigo de roubo de grades, uma questão cultural”, afirma. Segundo ele, fios também são roubados e alguns trechos da via expressa ficam mais escuros à noite, o que contribui para que a via seja alvo de vândalos e assaltantes.

A lista de problemas ainda inclui buracos na ciclovia e nas calçadas. Em nota, a Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb) informou que o reparo do buraco da ciclovia está programado para este sábado (25) e que a previsão é concluir o serviço no dia seguinte (26). O órgão também disse que irá enviar no sábado uma equipe para retirar a vegetação que esteja invadindo a via.

Sobre os gradis, a Prefeitura do Recife informou que já realizou um levantamento do material furtado e que está trabalhando na captação de recursos para realizar a reposição do que foi retirado. A gestão destacou que além do furto, a depredação e o vandalismo causam prejuízo aos cofres municipais. Segundo a Emlurb, somente para recuperar equipamentos da cidade que sofrem pichações e vandalismo são gastos R$ 2 milhões anuais. “Por isso, a gestão municipal conta com o apoio da população na manutenção do bem público. Para denúncias e sugestões, a Emlurb disponibiliza o número 156”, diz o comunicado.

Segurança

Em nota, a Polícia Militar informou que o 19º BMP, responsável pelo bairro de Boa Viagem, não registrou roubos na Via Mangue no último mês. “Também é importante ressaltar que o bairro de Boa Viagem conta com uma operação permanente e, nos primeiros seis meses deste ano, a redução de roubos foi de 48,7% (de 1.479 para 759) nessa área, em relação ao mesmo período de 2019”, diz um trecho. O policiamento no bairro e ao longo do corredor viário é feito por meio de viaturas, motocicletas e também com o reforço do Grupo de Apoio Tático Itinerante (Gati). A PM argumentou ainda que a colaboração da população é fundamental para a segurança e que os registros de ocorrências devem ser feitos através do 190 ou na delegacia mais próxima.

Sobre videomonitoramento no local, a PM informou que é o trabalho é coordenado pelo Centro Integrado de Operações de Defesa Social (Ciods). A reportagem questionou a Secretaria de Defesa Social (SDS) sobre a quantidade de câmeras, se estão em funcionamento e as ocorrências flagradas por elas, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.

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