"Ela era mãe de família e não tinha envolvimento com tráfico", diz irmã de vítima de chacina em Ipojuca

Cinco pessoas foram assassinadas na noite do último domingo (9), em Ipojuca

Carolina Fonsêca
Carolina Fonsêca
Publicado em 10/08/2020 às 18:46
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BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
Os assassinos desceram atirando de dois veículos por volta das 23h30 - FOTO: BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
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Uma noite de domingo de Dia dos Pais. Em Ipojuca, cerca de 60 pessoas terminavam o dia em uma praça da comunidade de Rurópolis, quando de dois carros desceram homens que abriram fogo, deixando três mortos e 11 feridos - de lá, seguiram para outro local e mataram mais duas pessoas. Uma das vítimas da chacina que aconteceu na noite do dia 9 de agosto deixou uma filha de cinco anos. 

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"Ela era jovem, tranquila e mãe de família", foi como uma das vítimas foi definida pela sua irmã, que preferiu não se identificar. A mulher trabalhava vendendo revistas, era divorciada e deixou um filha de apenas cinco anos. Abalada e com a voz estremecida, ela lembrou que estava em casa na hora que o crime aconteceu e, no local, além de sua irmã, estavam também seu pai e seu irmão - os dois não se feriram. 

A principal suspeita da polícia é de que o crime tenha sido motivado por uma disputa territorial entre facções para o tráfico de drogas na região. Em entrevista ao Jornal do Commercio, a irmã da vítima frisou que ela não tinha envolvimento com o crime organizado. "Ela era mãe de família. Não tinha envolvimento com nada dessas coisas. Uma pessoa tranquila, jovem", disse. 

O episódio que tirou a vida desta mulher fez cinco vítimas no total. Júlio Cézar de Paula, que ainda não teve a idade revelada, Rinaldo Martins Santana, de 18 anos, Cinthia Maria de Souza, de 27 anos, Fernando José de Lima Nascimento, também de 27 anos e Maria Barbosa da Silva, de 41 anos, que chegou a ser socorrida, mas faleceu na UPA de Ipojuca.

Para o delegado Cláudio Neto, chefe da Divisão Metropolitana de Homicídios Sul, a atuação da polícia contra o tráfico de drogas pode estar incomodando os criminosos. "É preciso ressaltar que o trabalho já vinha sendo feito com sucesso, tanto que, se compararmos o primeiro semestre (deste ano) com o primeiro semestre do ano passado, apresentamos redução. Não só no número de homicídios como também no número de Crimes Violentos Patrimoniais (CVP). Então, isso incomoda e todas as lideranças que vinham traficando aqui se encontram presas. Não só pelo trabalho que vem sendo feito pelo distrito como também pela Delegacia de Homicídios e isso certamente tem relação com o que aconteceu ontem (domingo, 9)", detalhou.

Em alguns muros de construções do local, é possível encontrar pichações das iniciais "CV", o que pode significar Comando Vermelho, uma facção criminosa fundada no Rio de Janeiro. "Temos na localidade, identificadas, pelo menos duas facções criminosas. Mas como eu disse, as investigações começaram agora pela manhã e fica muito difícil nós nos aprofundarmos com relação às informações pois corremos o risco do insucesso do resultado. Nesse momento, o que nós podemos falar é isso, mas que a população fique tranquila porque certamente a resposta será dada", acrescentou Cláudio Neto.

Os corpos das cinco pessoas mortas na chacina foram identificados pelo Instituto de Medicina Legal (IML) nesta segunda-feira (10).

 


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