Grande Recife

Com oito quilômetros, orla de Jaboatão acumula diferenças entre as praias e problemas

O que as praias de Jaboatão têm em comum são as placas que alertam para o risco de tubarão praticamente apagadas ou pichadas, a falta de equipamentos de lazer e esgoto a céu aberto

Mayra Cavalcanti
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Mayra Cavalcanti
Publicado em 26/09/2020 às 8:23 | Atualizado em 26/09/2020 às 11:43
YACY RIBEIRO/ JC IMAGEM
Calçadas com falhas, pistas de exércicios incompletas, placas de sinalização para banhistas sem manutenção e bancos com ferragens aparentes é o que encontram os frenquentadores da orla de Jaboatão dos Guararape - FOTO: YACY RIBEIRO/ JC IMAGEM

Uma orla composta por praias com estrutura e equipamentos em estado de conservação bastante diferentes. Quem visita Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife (RMR), pode ter esta impressão ao chegar a Barra de Jangada, Candeias e Piedade. Enquanto uma possui calçadão e pista de cooper recentes e preservados, como Candeias, outra sofre com a ação do tempo, com calçadas e bancos quebrados e desgastados, o que acontece próximo ao Convento de Nossa Senhora da Piedade. O que as três têm em comum, no entanto, são as placas que alertam para o risco de tubarão praticamente apagadas ou pichadas, a falta de equipamentos de lazer e esgoto a céu aberto.

Em Barra de Jangada, o principal problema é esgoto, às margens da pista, deixando mau cheiro nos arredores. Mais para frente, na Praia de Candeias, um cenário mais organizado, diferente de Piedade. No local, desde o trecho próximo à igreja, até perto da limite com o Recife, diversos bancos quebrados e destruídos. Em alguns pontos, a escadaria de concreto e o piso do calçadão estão irregulares. Para o fisioterapeuta Marcelo Sampaio, 29 anos, que vive em Candeias desde que nasceu, a estrutura da praia melhorou nos últimos anos. Mas a ausência de melhorias leva moradores da área para outras praias.

“Eu já ouvi falar de projetos para juntar com a orla de Boa Viagem. Acho que era importante. Muita gente é de Candeias e deixa de correr e caminhar aqui por causa disso, é só esse espacinho. Prefere ir para Boa Viagem onde o percurso é mais extenso”, comenta. Marcelo conta que o ideal era construir equipamentos de lazer e esportes. A autônoma Ana Paula Braga, 50 anos, concorda com o fisioterapeuta. Ela declara que gostaria que fosse construída uma academia popular na Praia de Piedade. “A estrutura está horrível. A pista para caminhar é ruim, falta calçamento em vários trechos. Acho que deixaram os prédios invadirem muito e agora não tem lugar para fazer o calçadão completo”, diz.

YACY RIBEIRO/ JC IMAGEM
Calçadas com falhas, pistas de exércicios incompletas, placas de sinalização para banhistas sem manutenção e bancos com ferragens aparentes é o que encontram os frenquentadores da orla de Jaboatão dos Guararape - YACY RIBEIRO/ JC IMAGEM
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Calçadas com falhas, pistas de exércicios incompletas, placas de sinalização para banhistas sem manutenção e bancos com ferragens aparentes é o que encontram os frenquentadores da orla de Jaboatão dos Guararape - YACY RIBEIRO/ JC IMAGEM
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Calçadas com falhas, pistas de exércicios incompletas, placas de sinalização para banhistas sem manutenção e bancos com ferragens aparentes é o que encontram os frenquentadores da orla de Jaboatão dos Guararape - YACY RIBEIRO/ JC IMAGEM
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Calçadas com falhas, pistas de exércicios incompletas, placas de sinalização para banhistas sem manutenção e bancos com ferragens aparentes é o que encontram os frenquentadores da orla de Jaboatão dos Guararape - YACY RIBEIRO/ JC IMAGEM
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Calçadas com falhas, pistas de exércicios incompletas, placas de sinalização para banhistas sem manutenção e bancos com ferragens aparentes é o que encontram os frenquentadores da orla de Jaboatão dos Guararape - YACY RIBEIRO/ JC IMAGEM

Ana Paula reclama também da condição dos bancos e da falta de segurança. Se a situação é ruim para quem visita as praias de Jaboatão, é mais complicada ainda para quem trabalha no local. Há 28 anos dona de uma barraca na Praia de Piedade, próximo à igreja, Maria de Oliveira, 50 anos, ressalta que apenas nas últimas semanas o lugar passou a ter banheiros. “No fim de semana colocavam alguns banheiros químicos, mas depois tiravam. Recentemente chegaram, e são até organizados. Mas tem poucos. É um banheiro para uma área grande”, afirma. O desejo de Maria de Oliveira é água encanada e chuveiros para os banhistas.

A comerciante Rosa da Silva, 56 anos, também está há 28 anos no mesmo trecho da praia de Piedade. Para ela, além da falta de chuveiros, um problema que incomoda banhistas e comerciantes é o esgoto. “Quando chove, fica parecendo um rio. Os clientes saem da área porque não têm lugar para sentar e fica um mau cheiro. Isso acontece principalmente no inverno, mas se der uma chuva forte também”, declara Rosa, acrescentando que a prefeitura sabe do problema. “Tenho 28 anos de praia e nunca vi essa área tão desorganizada como agora”, diz. Em todos os trechos dos oito quilômetros da orla de Jaboatão foi possível observar placas de alerta desgastadas ou até faltando.

Resposta da Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes e do Cemit

Sobre os problemas, a Prefeitura de Jaboatão declarou ter lançado este mês o Projeto Praia Viva, que contempla a colocação de banheiros ecológicos em Piedade e Candeias. A previsão, segundo a prefeitura, é de que o serviço seja ampliado. Em relação aos equipamentos de lazer, afirmou que entregará em outubro uma quadra poliesportiva em Piedade, e mais duas devem ser construídas em Candeias. O projeto de requalificação da orla de Piedade está em fase de conclusão, disse a prefeitura, acrescentando que estão incluídas melhorias no calçadão e instalação de equipamentos de lazer e pista de cooper.

“Há três semanas foi criada a ciclofaixa de 9,5 km ligando os bairros de Piedade, Candeias e Barra de Jangada, que funciona aos domingos e feriados. Em relação às placas de aviso de ninhos de tartaruga, a Prefeitura de Jaboatão informa que está em fase de cotação de preço para a aquisição de novos equipamentos, que substituirão os atuais”, diz a nota. Em relação aos esgotos a céu aberto, a gestão acrescentou que a Vigilância Ambiental notificou os proprietários dos imóveis, e avisou que está finalizando projeto para redirecionar a água dos esgotos, enquanto a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) não conclui a obra de saneamento básico. Sobre bancos e calçadas, a prefeitura disse já ter planejamento para recuperá-los, mas não definiu prazo.

A reportagem também procurou o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) para falar sobre a situação das placas que alertam para o risco de ataques nas praias. O órgão informou já estar tomando providências junto à empresa contratada para confeccionar a sinalização. Vistoria do Grupamento de Bombeiros Marítimos (GBMar) constatou que os equipamentos descoloriram antes do prazo estabelecido pela empresa. “Além disso, o Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco (CBMPE) está concluindo um levantamento do estado físico das placas para iniciar licitação para aquisição de novas. É importante ressaltar que, muitas vezes, é a ação de vândalos que danifica as placas”, diz a nota.

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