Saúde

Em Pernambuco, mais de 1,2 mil crianças e adolescentes sofreram envenenamento ou intoxicação em 2020

Segundo dados do CIAtox-PE, as principais causas de envenenamento ou intoxicação em crianças e adolescentes envolvem animais peçonhentos venenosos, como serpentes e escorpiões, e intoxicação por produtos ou medicamentos

Mayra Cavalcanti
Mayra Cavalcanti
Publicado em 14/10/2020 às 14:28
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Foto ilustrativa: Toninho Tavares/Agência Brasília
Do total de chamadas do CIAtox-PE até setembro deste ano, 579 eram relacionadas aos animais peçonhentos venenosos, como escorpiões - FOTO: Foto ilustrativa: Toninho Tavares/Agência Brasília
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Apenas entre os meses de janeiro e setembro de 2020, cerca de 1.240 crianças e adolescentes de zero a 14 anos de idade sofreram envenenamento ou intoxicação no Estado, de acordo com dados do Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Pernambuco (CIAtox-PE). O número é menor do que o apresentado no mesmo período do ano passado, quando foram registradas 1.531 ocorrências, mas representa 42% dos atendimentos do órgão e acende o alerta para a necessidade de adotar medidas simples, efetuadas por pais e responsáveis, que podem salvar vidas.

Segundo dados do CIAtox-PE, as principais causas de envenenamento ou intoxicação em crianças e adolescentes envolvem animais peçonhentos, como serpentes e escorpiões, e intoxicação por produtos ou medicamentos. Do total de chamadas do serviço até setembro deste ano, 579 eram relacionadas aos animais e 327 registros foram por intoxicação por medicamentos. No ano passado, a situação foi parecida entre os meses de janeiro e setembro, com 727 ocorrências relacionadas a acidentes com animais e 398 por intoxicação por medicamentos.

A médica coordenadora do CIAtox e presidente do Departamento de Segurança Infantil da Sociedade de Pediatria de Pernambuco (Sopepe), Lucineide Porto, conta que as notificações acontecem durante o ano inteiro, geralmente quando a criança ou adolescente está dentro de casa e com a presença de um adulto. Ela destaca que, muitas vezes, as situações são evitáveis com medidas simples. No caso dos animais peçonhentos, deve ser feita uma limpeza da casa e do entorno, evitando acumular lixo e entulhos, fazendo sempre uso de luvas e botas para limpar espaços como quintais e terrenos. Manter ralos de esgotos tampados também é uma dica.

"O escorpião vai para a residência porque encontra alimento ou abrigo. Se tomar as medidas preventivas, não vai ter o desenvolvimento dos animais", relata. Já no caso de produtos de limpeza e remédios, o ideal é ter o mínimo possível destes materiais em casa, deixando-os sempre trancados em um armário ao qual a criança não tenha acesso e evitando reutilizar a embalagem. É aconselhável que os medicamentos fora da validade sejam jogados fora e que os pais evitem tomar remédios na frente da criança.

"É importante também não utilizar produtos clandestinos, já que não se sabe ao certo a composição deles e a concentração dos produtos, dificultando o tratamento", acrescenta Lucineide. Com a pandemia do novo coronavírus, e o aumento na frequência do uso de álcool (líquido ou em gel) e produtos sanitizantes, em maio, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) chegou a lançar um alerta, por meio de uma nota técnica, orientando sobre o uso doméstico e armazenamento inadequado de desinfetantes, água sanitária e detergentes. À época, houve um aumento de 23,3% no número de casos de intoxicação em adultos, se comparado ao mesmo período de 2019 (de janeiro a abril).

"No Brasil como um todo, houve um aumento nas notificações devido ao uso mais frequente de álcool líquido e em gel, ou de produtos saneantes em geral. Em Pernambuco não houve um aumento no número de notificações, foi muito bom. Esperávamos que aumentasse, mas está em um nível considerado estável", afirma. Considerando-se casos ocorridos com crianças e adultos, de janeiro a setembro foram 2.895 ocorrências registradas pela CIAtox. Em 2019, no mesmo recorte temporal, foram 3.813 notificações.

O que fazer caso a criança se intoxique?

Em caso de intoxicação, é importante que os pais ou responsáveis fiquem atentos ao procedimento mais adequado a se seguir, evitando que o quadro seja agravado por atitudes erradas. É aconselhável que, após identificar o envenenamento, seja feita uma ligação para o número da CIAtox, através do telefone 0800.722.6001. O serviço é gratuito e funciona 24h por dia, todos os dias da semana, e conta com médicos e enfermeiros treinados, que poderá indicar qual a melhor conduta.

Se houver uma intoxicação por animal peçonhento ou por produto e medicamentos, de acordo com a médica Lucineide Porto, o ideal é que a criança seja levada para uma unidade hospitalar mais próxima. Devido à dificuldade de identificar o envenenamento em caso de crianças menores, é importante observar o comportamento dela. Se ela estiver saudável e brincando e, de repente, começar a apresentar vômitos, choro, o coração começar a bater mais rápido, respiração dificultosa ou qualquer alteração no quadro, há a possibilidade de ela ter ingerido algo ou ter sido picada por animal peçonhento.

"O escorpião pode não deixar marcada. Então, o ideal é não dar nada para a criança beber, nem remédio. Ela deve ser levada para um hospital ou a pessoa deve entrar em contato com a CIAtox para que o quadro seja avaliado", completa Lucineide. Nos casos de picada, o responsável pode lavar o local com água e sabão, mas não deve passar nenhum produto. Ao procurar atendimento médico, se for possível, levar o animal causador do acidente ou o produto ingerido pela criança.

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