racismo

Movimentos negros de Pernambuco pretendem realizar protesto neste sábado (20) após morte de homem em supermercado

O homem, que era negro, foi espancado por seguranças do hipermercado Carrefour, na noite dessa quinta-feira (19) em Porto Alegre

JC
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Publicado em 20/11/2020 às 19:25
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A morte de João Alberto chocou os brasileiros - FOTO: Reprodução/Twitter
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O caso de um homem negro espancado até a morte por um segurança e um policial de serviço na rede de supermercados Carrefour, em Porto Alegre, nessa quinta-feira (19), tem gerado uma onda de revolta e discussões em todo o País em torno do racismo. Em Pernambuco não é diferente: a morte de João Alberto Silveira Freitas, a vítima, trouxe à tona a desvalorização das vidas negras perante à sociedade e tem feito que os movimentos negros se articulem ainda mais para combater as violações vividas diariamente. Por isso, neste sábado (21), os ativistas pretendem realizar um protesto em frente ao supermercado em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, ou na Torre, na Zona Norte da capital, para reivindicar seus direitos. Ainda não se sabe exatamente o horário e local da manifestação.

Para o diretor do projeto Pretivismo, Davi Lucas de Lira, o horroroso caso dessa quinta demonstra o lugar que o Brasil ocupa com relação à luta da povo negro, que, por sua vez, corresponde a mais da metade da população, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Desde que soube dessa notícia fiquei muito triste, porém, não fiquei surpreso. Nós que somos negros, que lutamos pela causa, sabemos que que há um histórico de postura errada da raça branca com relação à nossa", desabafou Davi, que também é membro da Articulação Negra de Pernambuco (ANPE).

Diante dessa violência, Davi acredita que o melhor a solução é reagir. "Os coletivismo que integro já começaram a se articular e amanhã estaremos protestando pelos nossos direitos. Precisamos ocupar nosso espaço e se impor" explicou. 

De acordo com Carlos Tomaz, da Rede Afro LGBT, o Brasil possui um racismo estrutural e institucional, que se tem afirmado dentro de um governo extremista. "O governo ignora o povo negro quando nega a sua história e coloca para presidir a Fundação Palmares uma pessoa que não luta pelos direitos da raça. É algo triste e vergonhoso", contou. A Fundação Palmares tem como presidente Sérgio Camargo, que não se pronunciou sobre a morte no supermercado. Além disso, nesta sexta-feira (20), o vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, afirmou que não existe racismo no país.

Ainda segundo Carlos Tomaz, é necessário que a sociedade passe a reconhecer que é racista e queira mudar isso. "Ninguém assume que é racista, mas quando a segurança pública tem um comportamento conflituoso com a população negra, resolve o problema matando o povo preto e isso é inadmissível", declarou.

"Quando não nos matam de forma direta, nos matam psicologicamente"

Membro do Movimento Negro Unificado (MNU) em Pernambuco, Jean Pierre acredita que para que os negros possam avançar na sociedade é necessário que ocorram ações em combates ao racismo, como na educação e aplicação de leis que, segundo ele, ainda são brandas.

A gente precisa que a população se conscientize nesse processo de combate ao racismo. O assunto precisa ser debatido para que sejam extintas todas as formas de opressão. Quando não nos matam em um caso como esse, nos matam psicologicamente, aos poucos, com preconceito e desrespeito", disse.


 

 

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