RECIFE

Petroleiros doam botijões em comunidade do Recife em apoio à greve dos caminhoneiros

As duas categorias possuem pontos em comum nas reivindicações, como o aumento desenfreado do preço do combustível e do gás de cozinha

Katarina Moraes
Katarina Moraes
Publicado em 01/02/2021 às 13:28
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DIVULGAÇÃO/RUBRA COMUNICAÇÃO
Ação aconteceu na Comunidade do Papelão, no bairro de São José, no Centro do Recife, por volta das 11h da manhã desta segunda-feira (1º) - FOTO: DIVULGAÇÃO/RUBRA COMUNICAÇÃO
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O Sindicato dos Petroleiros de Pernambuco e da Paraíba (Sindipetro PE/PB) doou 50 botijões de gás de cozinha de 13 quilos para a Comunidade do Papelão, no bairro de São José, no Centro do Recife, por volta das 11h da manhã desta segunda-feira (1º). A ação aconteceu em apoio à Greve dos Caminhoneiros, deflagrada hoje, e em desfavor ao aumento de combustíveis.

"A distribuição foi em apoio à greve dos caminhoneiros, por terem pautas parecidas com as nossas, e contra o aumento dos combustíveis em geral. É um absurdo que o preço do gás esteja a quase R$ 100 quando sabemos que o justo seria R$ 40; e que a gasolina bata os R$ 5 quando o preço justo é de R$ 3,50", defende o coordenador geral do Sindipetro PE/PB, Rogério Almeida.

Em Pernambuco, até o momento, não houve registro de paralisação dos caminhoneiros. Mesmo assim, petroleiros também estiveram distribuindo marmitas para a classe no quilômetro 83 da BR-101, em Prazeres, Jaboatão dos Guararapes, nesta manhã. Além do Sindipetro, representantes de outras categorias foram até o local com faixas em apoio a uma eventual manifestação.

Ameaças de greve dos caminhoneiros acontecem, principalmente, pelo aumento no preço do diesel. A gasolina alcançou R$ 5,00 o litro nos postos de combustíveis do Recife com o último reajuste desta semana. As altas contribuem para a alta na inflação, já que, no Brasil, grande parte das mercadorias são transportadas em rodovias.

Já o gás de cozinha ficou 6% mais caro nas refinarias desde o dia 7 de janeiro. Na época, o Sindipetro PE/PB repudiou o aumento nas redes sociais, afirmando que a alta penalizaria "ainda mais as pessoas de renda mais baixa, sobretudo com o fim do auxílio emergencial e a ausência de uma política governamental que garanta renda".

TRÊS PERGUNTAS SOBRE A PARALISAÇÃO

Como está a adesão à greve? 

A greve dos caminhoneiros foi convocada pela Associação Nacional do Transporte Autônomos do Brasil (ANTB), que integra o CNTRC. A ANTB representa cerca de 4.500 caminhoneiros no País. Com 800 mil motoristas em sua base, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística (CNTTL) também informou adesão ao movimento. A Federação Única dos Petroleiros (FUP), que reúne sindicatos de petroleiros em todo o Brasil, também declarou apoio aos caminhoneiros. Apesar da adesão pulverizada, o presidente da ANTB, José Roberto Stringasci, defende que a paralisação poderá ser maior que a realizada em maio de 2018. Já a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), afirmou que não irá aderir ao movimento. 

Por que os caminhoneiros querem cruzar os braços?

1. As constantes altas do preço do diesel são o principal motivo da greve. Combustível utilizado em larga escala pelos caminhoneiros, o produto teve mais uma alta nas refinarias em dezembro, com reajuste de 4,4%

2. Cobrança da implementação do Código Identificador de Operação de Transporte (Ciot), conquista da greve de 2018, mas que não saiu do papel. 

3. Revisão no reajuste na Tabela do Piso Mínimo de Frete, realizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), para o transporte rodoviário de carga. Eles querem que entre no reajuste a margem de lucro do caminhoneiro, custos com pedágios, custos relacionados às movimentações logísticas complementares ao transporte de cargas, despesas de administração, tributos e taxas; que ficam de fora.

O que o governo propôs para evitar a greve?

1. A principal medida seria anunciar em breve a redução do PIS/Cofins sobre o óleo diesel. Os dois impostos, porém, não seriam zerados, e sim atenuados, de acordo com interlocutores. Se por um lado o governo admite que não é fácil fazer isso, por outro os caminhoneiros acham a medida insuficiente. 

2. A Câmara de Comércio Exterior (Camex), do Ministério da Economia, zerou o Imposto de Importação de pneus para veículos de carga.

3. Para fazer um afago aos caminhoneiros, o governo decidiu incluir a categoria na lista do grupo de prioridades para tomar as vacinas contra a covid-19 no País. Com isso, o número de pessoas do grupo prioritário sobe para 77,2 milhões, com a soma de 1,24 milhão de caminhoneiros.

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