RELIGIÃO

Igrejas evangélicas de Pernambuco prometem seguir novas restrições do governo do estado

Líderes criticaram a não inclusão das atividades religiosas no rol das permitidas

JC
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Publicado em 02/03/2021 às 12:20
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ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
REGRA Lei que tornou igrejas essenciais também exige que cultos sigam regras sanitárias e sem aglomerações - FOTO: ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
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atualizada às 15h53

Lideranças de igrejas evangélicas de Pernambuco se pronunciaram acerca do novo decreto estadual que proíbe a realização de atividades não essenciais, entre elas, as religiosas, das 20h às 5h durante a semana, e ao longo de todo o dia nos sábados e domingos. As restrições, que começam nesta quarta-feira (2) e vão até o dia 17 de março, têm como objetivo frear a contaminação pela covid-19. Pastores e bispos afirmaram que vão seguir as determinações, mas alguns criticam a não inclusão das atividades eclesiásticas no rol das permitidas, assim como a Arquidiocese de Olinda e Recife.

Por vídeo, nas redes sociais, o arcebispo e primaz da Igreja Anglicana do Brasil, e reitor da Paróquia Anglicana Espírito Santo (PAES), localizada em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, Miguel Uchoa, argumentou que a igreja deveria ser vista como atividade essencial porque "o povo precisa ser cuidado, e somos nós que cuidamos dele".

"Faço eco à liderança de tantas igrejas, católicas e evangélicas de todo o país, que a consideração da igreja como atividade essencial não tenha sido levantada. Somos atividades essenciais, especialmente em um tempo em que vivemos com tanta adversidade. Somos aqueles que cuidam das famílias, das almas, do espirítico, da emoção. Somos aqueles que cuidam do povo de Deus, de maneira geral. A igreja é uma atividade essencial", defende. Apesar da crítica, o líder afirma que estão mantidos os cultos durante a semana, no horário permitido, e que serão realizadas transmissões online.

A Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Pernambuco (IEADPE) informou, por nota, "que irá seguir todas as determinações do Governo do Estado com o intuito de prevenir novos casos da Covid-19. Desta forma, os cultos realizados nos fins de semana serão transmitidos pela internet e pela programação da Rede Brasil, pela televisão, sem a presença de público. "A IEADPE reitera seu compromisso com a preservação da vida e lamenta a gravidade da Pandemia em todo o Estado de Pernambuco", disse. A instituição preferiu não se pronunciar acerca da polêmica da não inclusão das atividades religiosas como essenciais.

Segundo o pastor da Igreja A Ponte Guilherme Franco, que atualmente conta com dois templos em Pernambuco, um no Recife, e outro em Caruaru, no Agreste, todos os protocolos do governo serão seguidos e, com isso, os cultos que estavam sendo realizados de forma presencial com 30% da capacidade, voltarão a ser realizados de forma online. "Nossa prerrogativa sempre foi obedecer o decreto do governo, e a gente vai acatar. Entretanto, acreditamos que a igreja tem um papel fundamental na saúde espiritual, que vai além da questão física (...) ficamos muito tristes que algumas igrejas não cumprem os protocolos e, por isso, todo mundo sofre", comentou.

Em caso de descumprimento, segundo a gestão estadual, as igrejas serão interditadas e poderão ser multadas. 

Projeto de lei

Alguns políticos já tinham se manifestado contra decisão nesse sentido, prometendo correr contra o tempo em busca de estabelecer as igrejas como serviço essencial. A Professora Ana Lúcia, que é vereadora do  Recife, ainda no ano passado entrou com Projeto de Lei nº 40/2020, envolvendo a temática. “A proposta mostra-se de grande relevância, pois observamos que as instituições religiosas têm servido de auxílio espiritual, psicológico e social, levando aos mais carentes, além de ajuda emocional, apoio com alimentos e materiais de higiene, por exemplo, chegando aonde o Poder Público, em muitos casos, não consegue chegar”, afirmou a vereadora.

O deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE), por sua vez, protocolou um projeto de lei que admite as atividades religiosas como serviços essenciais durante a pandemia da covid-19. Segundo ele, as igrejas têm desenvolvido papel de assistência social e de acolhimento espiritual durante este período de calamidade. “As atividades religiosas servem como alento para aqueles que perderam familiares, a saúde ou o emprego. Igrejas também desenvolvem um importante papel de assistência social e ajudam pessoas que muitas vezes o Estado não alcança”, argumentou o parlamentar.

Na contramão, o secretário de Direitos Humanos de Pernambuco, Pedro Eurico, criticou na segunda-feira (1º) o projeto de lei. "O vírus está vivo 24h, mas é tentar reduzir a concentração de pessoas e contamos com a consciência das pessoas. As igrejas, por exemplo, precisam se adaptar aos horários recomendados, alguns religiosos querem aprovar uma lei de que a atividade religiosa é essencial. É essencial para o espirito, todos têm a necessidade da religião, mas o encontro na missa ou no culto, não é essencial numa hora grave como essa. Apelamos a pastores, padres, babalorixás e outras lideranças religiosas, que revejam os horários", pediu.

Novas restrições em Pernambuco

O governo de Pernambuco anunciou, nessa segunda-feira (1°), a proibição das atividades não essenciais das 20h às 5h, de segunda a sexta em todo o Estado. Além disso, aos sábados e domingos, somente serviços essenciais poderão funcionar. Também estarão fechados clubes sociais, praias e parques nos finais de semana. Nas praias, no entanto, será permitida apenas a prática de atividades esportivas individuais.

As medidas entram em vigor nesta quarta-feira (3) e são válidas até o dia 17 de março. “Passamos o final de semana monitorando os dados da pandemia. O trabalho continuou nesta segunda-feira e, infelizmente, o cenário só se agravou, mesmo com a abertura de novos leitos de UTI. Estamos agora com 93% de ocupação em nossos leitos de terapia intensiva, e nada aponta para a melhora desse quadro. A contaminação e a hospitalização decorrentes da Covid-19 estão em aceleração, e precisamos reduzir o contato social para frear essa escalada dos números”, explicou o governador Paulo Câmara (PSB).

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