IMUNIZAÇÃO

No Recife, bebê nasce com mesmo grau de imunidade da mãe, vacinada contra covid-19

A dentista Anna Carla recebeu recebeu as duas doses da vacina em março

Rute Arruda
Rute Arruda
Publicado em 01/06/2021 às 11:47
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GRETA DIAS/CORTESIA
VACINA Anna Carla Calazans, mãe de Ana Carolina, foi imunizada com as duas doses durante a gestação, com a liberação do médico - FOTO: GRETA DIAS/CORTESIA
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No último dia 10 de maio uma bebê nasceu, no Recife, com anticorpos contra a covid-19 após a mãe ser vacinada contra a doença no mês de março. A dentista Anna Carla Calazans, de 33 anos, recebeu as duas doses do imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan e pela chinesa Sinovac quando estava com 32 e 34 semanas, respectivamente, no centro de vacinação montado no Patteo Olinda Shopping, Região Metropolitana do Recife. Em abril, fez o teste de anticorpos totais neutralizantes em um hospital particular e foi constatado que a profissional de saúde tinha 94,2% de imunidade.

Nesta segunda-feira (31), a pequena Ana Carolina Calazans fez o mesmo teste de neutralizante. O resultado deixou os pais animados e surpresos: 94,2%. "Eu fiquei muito impressionada porque eu sabia que ela iria estar imune, mas eu só sosseguei quando vi no papel os anticorpos dela e quando eu abri, chega fiz: 'oxente', pensei que tinha aberto o meu exame, porque eu vi a porcentagem idêntica. O pediatra dela disse que com certeza ela estaria imune e eu fiquei muito impressionada porque ela não só está (imune) como ela também está com a porcentagem idêntica à minha", relatou a mãe. 

Na época em que a dentista foi imunizada, o médico obstetra que acompanhou a gravidez elaborou um laudo para que fosse autorizada a vacinação. "Desde que liberou a vacina eu disse para o meu médico que eu tinha vontade de tomar e perguntei se ele liberaria. Ele disse que, na época, não tinha estudo, não tinha grávida tomando, mas era algo muito individualizado e que tinham estudos da Federação Brasileira de Ginecologia que em casos como meu, uma paciente considerada de alta exposição, ele poderia liberar", disse. 

Anna Carla também fez um pedido à população: "eu acho importante estimular a vacinação porque isso tem que acabar. Eu peço que as pessoas acreditem nas vacinas, a gente tem como sair dessa, mas depende de cada um de nós, na grávida, a vacina tem o poder de imunizar duas pessoas, que é a mãe e o filho. Então, a gente realmente tem que acreditar nisso porque quanto mais pessoas se vacinarem, mais cedo a gente consegue sair disso tudo". 

O médico obstetra de Anna Carla, doutor Thiago Saraiva, explicou que a imunização ocorreu de forma passiva. "A imunização pode ser dada de diversas formas, quando você adquire a doença e aí você vai ter a imunidade depois, mas do caso de Anna Carla foi porque ela foi vacinada. Mas hoje em dia a recomendação é que a gente não faça exame para saber se tem proteção pela vacina porque não precisa. E de acordo com cada vacina, vai ter um percentual de imunização com a primeira dose e segunda dose", contou.

"Essa imunização a gente chama de passiva, que o bebê vai receber os anticorpos da mãe, mas eles não vão ser duradouros. Ele vai ter uma proteção de, em média, dois meses. Então, depois o bebê, teoricamente, quando tiver indicação, ele vai ser vacinado também, o que não é o caso agora", completou. 

O médico disse, ainda que, "não necessariamente o bebê vai ter a mesma imunidade da mãe, as vezes pode ser maior, as vezes pode ser menor".

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) informou que ainda não há protocolos específicos estabelecidos pelo Ministério de Saúde (MS) para indicação e avaliação laboratorial de recém-nascidos de mães imunizadas contra a covid-19.

Apesar disto, a pasta estadual reforçou a eficácia dos imunizantes contra o vírus, e se mostrou otimista quanto à possibilidade de transmissão de imunidade biológica da mãe para o bebê, "embora ainda não haja confirmação da duração da proteção conferida aos bebês nos casos já relatados em outros Estados do país".

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