CRIME

Adolescente é suspeito de atear fogo em mulher trans no Recife; vítima teve 40% do corpo queimado

A vítima sofreu lesões no tórax, abdômen, mãos e braços

Julianna Valença
Julianna Valença
Publicado em 25/06/2021 às 12:31
Diego Nigro/Acervo/ JC Imagem
Hospital da Restauração, Derby, Zona Central do Recife. - FOTO: Diego Nigro/Acervo/ JC Imagem
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Com informações da TV e Rádio Jornal

Um adolescente é suspeito de atear fogo em uma mulher trans de 40 anos no Cais de Santa Rita, no centro do Recife, na quinta-feira (24). Após a violência, a vítima foi socorrida para o Hospital da Restauração (HR) e, de acordo com a unidade de saúde, teve 40% do corpo queimado. O rapaz foi apreendido, mas ainda não se sabe o que teria motivado a violência.

 

De acordo com a assessoria de imprensa da unidade hospitalar, a mulher sofreu lesões no tórax, abdômen, mãos e braços. A vítima precisou passar por um procedimento cirúrgico para fazer uma raspagem no corpo, para limpeza dos machucados provocados pelo fogo. Na manhã desta sexta-feira (25), a mulher encontra-se internada na unidade de tratamento de queimados da Restauração. O estado de saúde é considerado estável, mas inspira cuidados.

À Rádio Jornal, a equipe do hospital relatou que normalmente, vítimas de queimaduras precisam de um acompanhamento específico, para descobrir se o fogo provocou lesões no sistema respiratório. Até o momento da publicação desta reportagem, a vítima não depende de aparelhos para respirar.

A mulher ainda não teve o nome revelado e, por respeito à identidade de gênero dela, o nome de batismo não será divulgado. Até a manhã desta sexta, nenhum parente da vítima havia se apresentado ao hospital.

Polícia

De acordo com a Polícia Civil, o adolescente foi conduzido ao Departamento de Polícia da Criança e do Adolescente (DPCA) para os procedimentos legais. Ainda segundo os agentes, foi registrado o ato infracional por tentativa de homicídio qualificado.

O menor foi autuado em flagrante e, posteriormente, encaminhado a unidade de atendimento inicial (UNIAI) - responsável atendimento provisório de adolescentes. A polícia ainda investiga as circunstâncias do crime.

Homofobia

Em nota, a Secretaria de Defesa Social informou que em 2021, até maio, 13 pessoas da população LGBTQIA+ foram vítimas de Crime Violento Letal Intencional (CVLI) em Pernambuco, o que representa 0,9% dos 1.429 CVLIs registrados em todo o Estado no período.

A maior parte desses homicídios ocorreu em locais público (6 casos) e em residências (5). Quanto à idade das vítimas, sete tinham entre 18 e 30 anos, cinco entre 31 e 65 anos e uma entre 13 e 17 anos. Além disso, registraram-se 1.106 ocorrências de violência contra pessoas que se identificam como LGBTQIA+, o que inclui crimes como lesão corporal, maus-tratos, estupro, difamação, calúnia, racismo e injúria racial.

No ano passado, o total de CVLIs contra essa população em Pernambuco foi de 47, correspondendo a 1,3% do total de 3.758 crimes contra a vida notificados no Estado em 2020. Quase a metade desses homicídios ocorreu em residências (22 casos), e outros 18 foram praticados em vias públicas. A maioria das vítimas, 27 casos ao todo, tinha entre 31 e 65 anos, enquanto outros 19 crimes foram praticados contra pessoas de 18 a 30 anos. Uma criança (1 a 12 anos) também foi vítima. Em relação aos casos de violência contra LGBTQIA+, 2.113 pessoas prestaram queixa à polícia.

Já em 2019, Pernambuco computou 30 homicídios de pessoas LGBTQIA+, o que significa 0,9% dos 3.469 CVLIs ocorridos naquele ano no Estado. Onze desses crimes foram cometidos dentro de residências, 10 em locais públicos e 9 em localidades diversas, como bares, terreno baldio e estabelecimento comercial. Considerando a faixa etária, 60% das vítimas tinham de 31 a 65 anos, ou seja, 18 casos. Houve, ainda, 10 CVLIs contra pessoas entre 18 e 30 anos, além de 4 vítimas com idades entre 13 e 17 anos. Por sua vez, 1.170 cidadãos LGBTQIA+ registraram boletim de ocorrência por sofrer algum tipo de violência.

A SDS ressaltou que essas estatísticas levam em conta a orientação sexual ou gênero declarados pelas vítimas. Portanto, não necessariamente a motivação desses crimes seria a intolerância de gênero ou a homofobia. 

Repercussão

O crime gerou grande repercussão nas redes sociais e levantou debates sobre a homofobia e a transfobia, já que junho é o mês em que a comunidade LGBTQIA+ comemora suas conquistas e reivindica direitos. A deputada estadual Robeyoncé Lima e o prefeito de Recife, João Campos, estão entre os que se manifestaram sobre o crime.

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