POLÊMICA

Mourão afirma que posição do governo sobre coronavírus é de isolamento, e diz que Bolsonaro 'pode ter se expressado mal'

O vice-presidente comentou a fala contrária de Bolsonaro sobre a quarentena

JC Estadão Conteúdo
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Estadão Conteúdo
Publicado em 25/03/2020 às 18:53
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Foto: Adnilton Farias/VPR
"A posição do governo é o isolamento e o distanciamento social", afirmou Mourão - FOTO: Foto: Adnilton Farias/VPR
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O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, enfatizou que a posição do governo para combater a pandemia da covid-19 "é uma só" e continua sendo isolamento e distanciamento entre as pessoas.

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Mais cedo, Bolsonaro afirmou que pediria ao Ministério da Saúde mudança na orientação de isolamento da população durante a pandemia. A recomendação defendida pelo presidente é que o distanciamento seja adotado apenas para idosos e pessoas com comorbidades (outras doenças).

Em coletiva de imprensa após reunião do Conselho Nacional da Amazônia Legal, órgão que preside, Mourão declarou que o presidente pode não ter se expressado da melhor forma em pronunciamento na véspera, quando criticou o confinamento orientado por autoridades.

"A posição do nosso governo, por enquanto, é uma só. A posição do governo é o isolamento e o distanciamento social", disse Mourão. O vice ponderou que a orientação para isolamento está sendo discutida.

"Ontem, o presidente buscou colocar e pode ser que ele tenha se expressado de uma forma, digamos assim, que não foi a melhor. Mas o que ele buscou colocar é a preocupação que todos nós temos é com a segunda onda", afirmou o vice-presidente, explicando que a segunda onda são os impactos na economia.

Mourão defendeu que a mudança do isolamento horizontal, envolvendo todas as pessoas, para o vertical, defendida por Bolsonaro, seja gradual após um período de 14 dias. É preciso liberar as pessoas das atividades essenciais para a "vida vegetativa" do País, declarou o vice.

Apesar das divergências entre Bolsonaro e o próprio Ministério da Saúde, Mourão enfatizou que o presidente da República está dentro da política traçada pelo governo e orientada pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. A preocupação de Bolsonaro, afirmou, é com o "verdadeiro desmantelamento da economia".

Mandetta também comenta fala do presidente

Durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira (25), o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, voltou a pedir às pessoas para ficarem em casa, e disse que o foco do Ministério da Saúde "é a vida", fazendo referência à fala do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre as questões econômicas da quarentena. Nessa terça-feira (24), Bolsonaro falou que as pessoas "precisam voltar à normalidade" e que é necessário a reabertura do comércio e retirar a proibição de transportes públicos nas ruas. Ainda em relação ao discurso do presidente, Mandetta afirmou que pensar nas questões econômicas também é importante, mas que deve ser um assunto tratado em comum acordo com todas as autoridades e a saúde dos brasileiros é de suma importância. "Nós da saúde não podemos ser insensíveis, vemos isso (a situação econômica) com clareza. O que nós queremos é que tudo seja feito de forma organizada", declarou.

O ministro ainda explicou que será estudada como a quarentena deverá acontecer nos próximos dias, seja ela de forma horizontal (para todas as pessoas) ou vertical (para determinados grupos). Segundo ele, a forma como foi implementado o isolamento foi 'desarrumada' e colocada em prática 'cedo'.

Casos confirmados de covid-19 no Brasil

O número de casos confirmados do novo coronavírus no Brasil subiu para 2.433, segundo mostrou boletim do Ministério da Saúde desta quarta-feira (25). Até o momento, 57 pessoas morreram vítimas da doença, que afetou mais de 400 mil pessoas no mundo. Em Pernambuco, são 46 casos confirmados e uma morte. 

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O que é coronavírus?

Coronavírus é uma família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus foi descoberto em 31/12/19 após casos registrados na China.Os primeiros coronavírus humanos foram isolados pela primeira vez em 1937. No entanto, foi em 1965 que o vírus foi descrito como coronavírus, em decorrência do perfil na microscopia, parecendo uma coroa.

A maioria das pessoas se infecta com os coronavírus comuns ao longo da vida, sendo as crianças pequenas mais propensas a se infectarem com o tipo mais comum do vírus. Os coronavírus mais comuns que infectam humanos são o alpha coronavírus 229E e NL63 e beta coronavírus OC43, HKU1.

Como prevenir o coronavírus?

O Ministério da Saúde orienta cuidados básicos para reduzir o risco geral de contrair ou transmitir infecções respiratórias agudas, incluindo o coronavírus. Entre as medidas estão:

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos, respeitando os 5 momentos de higienização. Se não houver água e sabonete, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool.
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas.
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes.
  • Ficar em casa quando estiver doente.
  • Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo.
  • Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com freqüência.
  • Profissionais de saúde devem utilizar medidas de precaução padrão, de contato e de gotículas (mascára cirúrgica, luvas, avental não estéril e óculos de proteção).

Para a realização de procedimentos que gerem aerossolização de secreções respiratórias como intubação, aspiração de vias aéreas ou indução de escarro, deverá ser utilizado precaução por aerossóis, com uso de máscara N95.

Confira o passo a passo de como lavar as mãos de forma adequada

 

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