POLÍTICA

Após ação do STF, Bolsonaro diz que violação do "direito à livre expressão" não "deve ser aceita passivamente"

Presidente da República só comentou sobre a operação da Polícia Federal no inquérito das fake news na noite desta quarta (28)

Thalis Araújo
Thalis Araújo
Publicado em 28/05/2020 às 0:39
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SERGIO LIMA/AFP
O presidente Bolsonaro - FOTO: SERGIO LIMA/AFP
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O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), usou as redes sociais, na noite desta quarta-feira (28), para comentar pela primeira vez publicamente sobre a operação da Polícia Federal no inquérito das fake news no Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina e Distrito Federal. Entre os alvos dessa operação, estão 17 bolsonaristas. O presidente assegurou que a violação do "direito à livre expressão" não "deve ser aceita passivamente" no País.

"Estamos trabalhando para que se faça valer o direito à livre expressão em nosso país. Nenhuma violação desse princípio deve ser aceita passivamente!", tuitou.

Confira a publicação

>> Saiba quem são os bolsonaristas alvos da Polícia Federal na investigação das fake news

>> Carla Zambelli e Bia Kicis são intimadas em operação da Polícia Federal sobre fake news

>> 'Vai ter mais', diz Bolsonaro sobre ação da Polícia Federal no Rio

Mais cedo, Bolsonaro afirmou que os alvos da operação são "cidadãos de bem" e que o fato de eles "terem seus lares invadidos" pelo que ele chama de "exercer seu direito à liberdade", "é um sinal que algo de muito grave está acontecendo com nossa democracia".

Logo depois, o chefe do Executivo publicou um trecho de uma reportagem do Jornal Nacional, da TV Globo, onde o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que é relator da investigação no STF, fala sobre a operação realizada nesta quarta e diz que "quem não quer ser criticado, quem não quer ser satirizado, fique em casa. Não seja candidato. Não se ofereça ao público. Não se ofereça para exercer cargos político". Ao trecho da fala, Bolsonaro nomeou de "A liberdade de expressão segundo o Ministro Alexandre de Moraes".

A operação

Os mandados foram expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da investigação no STF, e miram nomes ligados ao "gabinete do ódio". Entre os alvos de buscas estão o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, e o deputado estadual Douglas Garcia (PSL).

Garcia disse à reportagem do Estadão que os agentes da PF estiveram em seu gabinete na Assembleia Legislativa de São Paulo e apreenderam computadores. O deputado disse que as buscas são "lamentáveis".

A investigação foi aberta no dia 14 de março de 2019, por portaria assinada pelo presidente do Supremo, ministro Dias Toffoli, e trata de ameaças, ofensas e fake news disseminadas contra integrantes da Corte e seus familiares. As apurações já atingiram ao menos 12 pessoas, entre deputados federais, estaduais e empresários bolsonaristas.

Como mostrou reportagem do Estadão, 12 perfis com prática sistemática de ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) nas redes sociais já foram mapeados pelo inquérito. A investigação corre sob sigilo e deve ser concluída ainda neste semestre, quando seguirá para o Ministério Público.

No âmbito de tal inquérito, Alexandre de Moraes cobrou nesta terça-feira, 27, explicações do ministro da Educação, Abraham Weintraub sobre a declaração feita na reunião de 22 de abril, quando Weintraub afirmou que, por ele, "botava esses vagabundos todos na cadeia", "começando no STF". O titular do Ministério da Educação terá agora cinco dias para prestar depoimento à Polícia Federal.

>> CNN divulga íntegra do depoimento de Sergio Moro à PF

Veja quem são os 17 alvos da PF

Protagonistas

Allan Santos

Apresentador do Canal Terça Livre, Allan Santos pode ser considerado um líder informal das redes bolsonaristas. Ligado a um dos filhos do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro, ele faz transmissões online que acumulam distorções e ataques aos inimigos do presidente, incluindo imprensa, governadores, Congresso e STF.

Bernardo Kuster

Crítico às posições progressistas do papa Francisco e saudosista de Bento 16, o youtuber católico Bernardo Kuster é da direção do jornal online Brasil Sem Medo, que é ligado ao filósofo Olavo de Carvalho, considerado como o "guru" de Bolsonaro.

Edgar Corona

O proprietário da rede de academias Smart Fit está no hall dos empresários que mais apoiam Bolsonaro. Ele rompeu, recentemente, com o grupo Brasil 200, após críticas dirigidas ao chefe do Executivo.

Edson Salomão

Edson Salomão é o chefe de gabinete do deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP) e presidente nacional do Movimento Conservador, que sempre está presente em manifestações de rua a favor de Bolsonaro. Ele também possui forte atuação nas redes sociais, sendo acusado de chefiar uma espece de filial paulista do chamado "gabinete do ódio".

Luciano Hang

Conhecido por ser dono da rede de lojas Havan, Luciano Hang é catarinense e o empresário mais atuante em defesa do líder brasileiro. Ele é conhecido pelos seus muitos vídeos patrióticos e por usar ternos com as cores da bandeira do Brasil. Hang foi acusado de ter financiado disparos no WhatsApp contra o PT na campanha presidencial de 2018.

>> Luciano Hang, da Havan, diz que nunca fez fake news contra o STF

Marcos Bellizia

Marcos Bellizia projetou a atual deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP). Ele é um dos porta-vozes do grupo "Nas Ruas", que despontou durante as manifestações em 2015 a favor do impeachment da então presidente da República, Dilma Rousseff (PT) (2011-2016).

Otávio Oscar Fakhoury

Dono do Crítica Nacional, que é parte da rede de sites que defendem Bolsonaro e são usados para atacar opositores e a imprensa, Kakhoury é empresário e investidor e um dos mais citados e influentes entre os bolsonaristas.

Roberto Jefferson

O ex-deputado e presidente nacional do PTB já foi da tropa de choque do ex-presidente Fernando Collor (1990-1992) e delator do mensalão. Mais recentemente, Roberto se converteu ao bolsonarismo e se tornou um dos principais defensores do presidente da República nas redes sociais, chegando até a incentivar o radicalismo de Bolsonaro contra os seus adversários.

Segundo Escalão

Enzo Leonardo Suzin Momenti

Mais conhecido como Enzuh, Momenti possui um canal no YouTube que é pró-Bolsonaro. Ele costuma atacar a imprensa, o STF e governadores em seus vídeos.

Marcelo Stachin

Stachin é um dos principais apoiadores do presidente Bolsonaro. Ele iniciou a sua militância em Sinop (MT). Ele organiza manifestações na Esplanada e faz, inclusive, críticas pesadas ao Supremo Tribunal Federal. Marcelo já ameaçou invadir o prédio da corte.

Rodrigo Barbosa Ribeiro

Rodrigo é assessor do deputado federal Douglas Garcia (PSL-SP) e coordena o Movimento Conservador em Araraquara, no interior do Estado.

Sara Winter

Convertida ao antifeminismo, Winter comanda um acampamento chamado "Os 300 do Brasil", em Brasília. A ex-feminista admitiu, recentemente, que parte dos seus apoiadores possui armas, mas afirmou que são somente para autodefesa, o que é proibido pela Constituição. Ela já teve passagem pelo Ministério dos Direitos Humanos.

Winston Rodrigues Lima

Winston é oficial da reserva da Marinha. Ele coordena o grupo Bloco Movimento Brasil e tem um canal no YouTube, onde transmite as saídas diárias do presidente do Palácio da Alvorada, onde conversa com apoiadores.

Figuras laterais

Eduardo Fabris Portela

Portela é militante do PSL em Campo Largo (PR) e não possui atuação marcante nas redes sociais.

Paulo Gonçalves Bezerra

Coordena o Movimento Brasil Monarquista que, mesmo defendendo o fim da República e a restauração da dinastia Orleans e Bragança, recebe apoio do presidente Bolsonaro nas manifestações e nas redes sociais.

Rafael Moreno

Coordenador do Movimento Brasil Monarquista, que, apesar de defender o fim da República e a restauração da dinastia Orleans e Bragança, tem apoiado o presidente Jair Bolsonaro em manifestações e redes sociais.

Reynaldo Bianchi Junior

Mais conhecido como Rey Bianchi, ele é humorista e músico, com forte atuação nas redes sociais em defesa de Bolsonaro. Bianchi iniciou a milit6ancia de direita durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff.

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